<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834</id><updated>2011-11-28T00:21:37.369-02:00</updated><title type='text'>Folhas Dispersas</title><subtitle type='html'>Escritos de caráter pessoal e de interesse pessoal cuja leitura fica facultada a quem quiser por sua conta e risco. Mas aceitamos comentários...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>111</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-4568632896609939959</id><published>2011-11-28T00:21:00.002-02:00</published><updated>2011-11-28T00:21:37.381-02:00</updated><title type='text'>Breve nota sobre a campanha anti-tabagismo do Dr. Drauzio Varella</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt; &lt;!--  @page { margin: 0.79in }  P { margin-bottom: 0.08in } --&gt; &lt;/style&gt;   &lt;br /&gt;&lt;a href="" name="_end"&gt;&lt;/a&gt;Hoje à noite, minha esposa e eu estávamos assistindo o Fantástico. Triste, sei. Começou a passar o seguimento em que o Dr. Drauzio Varella investe contra o tabagismo. Em homenagem ao esforços do doutor, amparado pelo império midiático da Rede Globo, o governo federal brasileiro e umas quantas organizações internacionais, minha amada e eu decidimos tomar uma atitude. Saímos da sala e, enfrentando um frio d&lt;span style="font-family: Liberation Serif,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;e&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Liberation Serif,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt; 7 graus celsius&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family: Liberation Serif,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;(e minha persistente infecção na garganta), e fomos para o pátio onde acendemos um cigarro cada um enquanto o bom doutor terminava sua choradeira.&lt;br /&gt;Doutor, vá promover engenharia social na !%$@#$#$*&amp;amp;*#! (ou seja: na casa da senhora sua mãe).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-4568632896609939959?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/4568632896609939959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=4568632896609939959' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/4568632896609939959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/4568632896609939959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2011/11/breve-nota-sobre-campanha-anti.html' title='Breve nota sobre a campanha anti-tabagismo do Dr. Drauzio Varella'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-9077235507202889045</id><published>2011-11-26T03:51:00.001-02:00</published><updated>2011-11-26T03:51:08.298-02:00</updated><title type='text'>Uma coisa curiosa que percebi na Village Church</title><content type='html'>&lt;p&gt;Estava lembrando dos &amp;uacute;ltimos serm&amp;otilde;es que escutei na Village Church e um certo padr&amp;atilde;o come&amp;ccedil;ou a me chamar a aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Tanto Matt Chandler quanto Steve Hardin parecem compartilhar de uma esp&amp;eacute;cie de monomania: eles podem estar pregando um serm&amp;atilde;o sobre qualquer tema no universo - de mec&amp;acirc;nica de autom&amp;oacute;veis a Twilight (o que nunca &amp;eacute; o caso ali, mas imagine) - e mesmo assim eles v&amp;atilde;o invariavelmente falar sobre o evangelho. Bem simples, provavelmente leva uns dois minutos para apresentar e aparece em todo serm&amp;atilde;o sem exce&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;N&amp;oacute;s fomos criados por um Deus infinitamente Santo para viver ao lado Dele, pecamos e incorremos em Sua ira, estamos todos condenados, mas Cristo Jesus, Deus encarnado, o Filho de Deus, veio a este mundo, no qual viveu uma vida sem pecado e, mesmo assim, recebeu em seu corpo a justa puni&amp;ccedil;&amp;atilde;o pelos pecados de toda a humanidade e toda a ira de Deus recaiu sobre ele para que todos aqueles que fossem chamados e cressem em Jesus fossem considerados justos por causa da justi&amp;ccedil;a dele a estes imputada e fossem&amp;nbsp; para gozar com ele da vida eterna ao lado do Pai.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quase d&amp;aacute; para falar num f&amp;ocirc;lego s&amp;oacute;. Eles falam alguma coisa parecida com isso em todo o serm&amp;atilde;o, em toda e qualquer ocasi&amp;atilde;o, &amp;agrave;s vezes orando, &amp;agrave;s vezes conversando... Achei isso curioso no come&amp;ccedil;o. Foi a&amp;iacute; que me dei conta de que existem muitos pregadores por a&amp;iacute; que v&amp;atilde;o pregar serm&amp;otilde;es t&amp;oacute;picos sobre os mais variados temas (futebol, sa&amp;uacute;de, justi&amp;ccedil;a social, o pre&amp;ccedil;o do p&amp;atilde;o franc&amp;ecirc;s e por a&amp;iacute; vai), outros pregam sobre temas b&amp;iacute;blicos relacionando-os com algum tipo de problema pessoal com o qual as massas se identifiquem (marido que ignora a mulher, mulher que aporrinha o marido, chefe que aborrece o funcion&amp;aacute;rio, a lentid&amp;atilde;o do funcionalismo p&amp;uacute;blico, as not&amp;iacute;cias do dia...). O que se tornou menos comum &amp;eacute; a prega&amp;ccedil;&amp;atilde;o de mensagens centradas no evangelho.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esta &amp;eacute; uma boa mensagem para inserir em uma s&amp;eacute;rie de explica&amp;ccedil;&amp;otilde;es que crist&amp;atilde;os comumente s&amp;atilde;o instados a dar aos infi&amp;eacute;is - o que voc&amp;ecirc; faz todo domingo de manh&amp;atilde;, por que tem um peixe no parachoque do seu carro, porque voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o leva sua namorada para o motel, como pode um sujeito inteligente como voc&amp;ecirc; acreditar em Deus...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um incidente n&amp;atilde;o relacionado que escutei no programa Wretched Radio foi uma entrevista com uma jovenzenha sobre religi&amp;atilde;o, entrevista essa que &amp;eacute; emblem&amp;aacute;tica da situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de muita gente aqui no "Bible belt" e tamb&amp;eacute;m no Brasil, pa&amp;iacute;s que tem muito sentimento religioso e pouca f&amp;eacute; racional - aquela na qual se est&amp;aacute; quando o respeito pelas coisas de Deus reprime a vontade de falar quaisquer besteiras com ar de santidade, coisa rara no Brasil onde o verso b&amp;iacute;blico mais citado &amp;eacute; "Deus escreve certo por linhas tortas". Voltando ao assunto, perguntaram &amp;agrave; menina no meio da entrevista (na qual a sujeita j&amp;aacute; dissera que as coisas mais importantes para ela eram a fam&amp;iacute;lia e a moda) o que ela achava de Deus. Ela respondeu que sim, ela amava Deus, que ela era crist&amp;atilde;, afinal ela era do Texas! Ri tanto que quase ca&amp;iacute; da cadeira. &amp;Eacute; mais engra&amp;ccedil;ado quando a gente ouve a grava&amp;ccedil;&amp;atilde;o. A presun&amp;ccedil;&amp;atilde;o da menina &amp;eacute; que o cristianismo era uma esp&amp;eacute;cie de heran&amp;ccedil;a familiar ou cultural que n&amp;atilde;o precisava ter absolutamente nada a ver com a vida dela. No fundo penso que todos n&amp;oacute;s, com poucas exce&amp;ccedil;&amp;otilde;es, praticamos em algum grau esta forma de auto engano. Essa &amp;eacute; a beleza da mensagem dos puritanos - antigos e modernos: &amp;eacute; tudo ou nada, ou voc&amp;ecirc; pertence a Deus por inteiro, ou n&amp;atilde;o &amp;eacute; Dele de maneira alguma. Eu tinha uma dificuldade medonha de aceitar v&amp;aacute;rios dos preceitos que pareciam radicais para mim, e hoje vejo que o que me faltava era coragem de abra&amp;ccedil;ar as verdades b&amp;iacute;blicas. O que me assusta &amp;eacute; que ainda h&amp;aacute; muito de mim que reluta a se render ao apelo provlamado no evangelho. Acho que n&amp;atilde;o sou o &amp;uacute;nico.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-9077235507202889045?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/9077235507202889045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=9077235507202889045' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/9077235507202889045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/9077235507202889045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2011/11/uma-coisa-curiosa-que-percebi-na.html' title='Uma coisa curiosa que percebi na Village Church'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-7830217339827501041</id><published>2011-10-30T22:52:00.003-02:00</published><updated>2011-10-30T22:52:56.721-02:00</updated><title type='text'>Uma pequena passagem de Earle Fox</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Earle Fox, sacerdote anglicano e filósofo americano, no seu livro Personality Empiricism and God (p. 57), escreveu um alerta conciso e muito justo para os cristãos. Gostei tanto que quero repetir aqui:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;"The survival of Western Civilization (including most assuredly science itself, due process in civil law, and a free-market economy) depends, in major part, on whether Christians can sustain their claim that Jesus is Lord with an intellectually credible cosmology and Good News about the Intelligent Designer."&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;div class='zemanta-pixie'&gt;&lt;img src='http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=f5a590ef-d0fd-80df-a227-94f652b22d5a' alt='' class='zemanta-pixie-img'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-7830217339827501041?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/7830217339827501041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=7830217339827501041' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/7830217339827501041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/7830217339827501041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2011/10/uma-pequena-passagem-de-earle-fox.html' title='Uma pequena passagem de Earle Fox'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-8850682156033973434</id><published>2011-09-17T21:29:00.001-03:00</published><updated>2011-09-17T21:29:07.775-03:00</updated><title type='text'>Minha semana de Solteiro</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Minha esposa foi para Cold Spring Harbor, upstate New York, participar de uma conferência sobre Microbiologia. É que ela é uma bióloga atípica, tem horror a qualquer tipo de animal superior com exceção dos gatos e, em nossos melhores dias, de mim. Fiquei brincando com a idéia de ficar sozinho toda a semana passada. Eu sou um marido grudento, sofro quando minha digníssima se vai por mais de algumas horas, mas confesso que estava bastante excitado com a idéia to tempo livre que teria.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Eis o problema: sempre tive a impressão de que passei a produzir e estudar muito menos desde que me casei. Fico sempre irritado com o tempo que minha esposa consome com banalidades das quais sou, com freqüência, espectador inerme ou, na pior das hipóteses, participante contrafeito. Estava triste por estar só, mas imerso no antegozo dos projetos que eu iria realizazr durante a semana. Passo então a fazer um balanço das atividades realizadas.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Na terça-feira saí cedo do trabalho, onde havia tão pouco a fazer que fiquei cansado. Cheguei em casa e requentei o risoto que minha previdente esposa deixou feito no dia anterior. Comi assistindo desenho animado. Preparei café para a manhã seguinte, guardei o resto do risoto na marmita, tomei banho, pus o pijama e liguei para minha amada: "Querida, estou aproveitando que você viajou para fazer uma coisa que você nunca deixa: são sete e meia da noite e já estou na cama pronto para dormir!"&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Na quarta, tive que buscar o carro dela no mecânico. Fui certo de que iria pegar o carro e dar uma volta pela cidade. No meio do caminho de volta acabei mudando de idéia. Voltei para casa, não pude fumar porque tive preguiça de ir comprar cigarro, tomei banho e encomendei comida chinesa. Fiquei assistindo mais desenhos na cama até a comida chegar. Fui buscar a comida, que levei direto para a cama onde comi e caí no sono. Acordei na manhã seguinte ao lado da bandeja.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Na quinta fui ajudar meu querido amigo Tony Ex Ex (já estou fazendo referências a meus posts anteriores, uau...) a resolver uns problemas no computador. Assisti o começo do show do Rei Roberto Carlos em Jerusalém enquanto fazia um macarrão. Comi e fui para cama após ler meia página de John Piper. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Na sexta cheguei em casa e jantei Cheetos, dois muffins de chocolate e um copo de uísque. Resolvido a ler alguma coisa fui tentar acabar de ler The Jesuits do Malachi Martin. Avancei um pouco na leitura, mas não me lembro mais o que li. Tentei dormir mas a gata não parava de miar de saudades de sua dona. Fui dormir em definitivo às duas e meia da manhã e acordei às seis e meia com o barulho do celular que trazia a mensagem de minha esposa avisando que me ligaria dali alguns minutos. Não preciso dizer que a noite acabou aí.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Esta experiência me mostrou de forma cabal a imbecilidade da concepção de que o casamento consumiu tempo precioso de criatividade. Desculpe querida, de longe o pior inimigo de meu desenvolvimento intelectual continuo sendo eu. Engraçado como essas situações nos mostram como certas idéias que jamais questionamos podem ser completamente falsas. Como diz o Matt Chandler, noventa por cento das vezes você está infeliz por culpa sua.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Para meu alívio,a patroa volta hoje para Dallas e a vida retoma seu ritmo normal. Passo muito melhor quando tenho alguém para me defender de mim. Vivendo e aprendendo.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;div class='zemanta-pixie'&gt;&lt;img src='http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=99a42141-5fbf-866b-8625-d0106c200569' alt='' class='zemanta-pixie-img'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-8850682156033973434?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/8850682156033973434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=8850682156033973434' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/8850682156033973434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/8850682156033973434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2011/09/minha-semana-de-solteiro.html' title='Minha semana de Solteiro'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-6574156813162750315</id><published>2011-07-29T19:40:00.001-03:00</published><updated>2011-07-29T19:40:50.103-03:00</updated><title type='text'>Dallas no verão</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;É chegada a noite de sexta feira. Difícil crer que seja o caso, pois o Sol continua a reinar e obfuscar os demais astros no céu, e a brisa sopra quente sobre a cidade. O tempo inclemente, seco, quente e opressivo de Dallas obriga seus habitantes a buscar o refúgio de seus aparelhos de ar condicionado, onde quer que se encontrem.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Não há quase vagabundos ou loucos mendicantes na cidade. Se não basta para afastá-los o sol inclemente, também não encontram aqui calçadas pelas quais vagar, nem praças onde repousar. As ruas mostram assim a limpeza de um lugar estéril. Para encontrar fida por aqui, seja ela humana ou animal, deve-se procurar um dos shopping centers - estrangeirismo infeliz, uma vez que os anglófonos preferem chamá-los de "malls". &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Estamos contentes em procurar o refúgio do lar, ao abrigo do sol e da falta de vida nas ruas. As ruas foram feitas para carros, não para gente. E há carros de sobra para encher os olhos de qualquer transeunte. É um prazer ser motorista em Dallas. As ruas exibem uma perfeita ordem, fazendo circular de forma harmoniosa sua corrente de sangue, metal e borracha. São ruas largas, prontas para receber os "trucks" que os texanos insistem em conduzir embora a maioria já tenha deixado as fazendas e ranchos faz muitas gerações.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Durante a semana, todos trabalham. Possivelmente trabalham demais. Nos fins de semana, os habitantes da cidade saem de suas casas, montados em suas caminhonetes (ainda maiores no Texas do que no resto do mundo) e afluem para os bares, restaurantes, clubes de strip-tease (há quem sustente terem sido inventados aqui), malls, cinemas e igrejas, muitas igrejas. O cinturão bíblico, que tem em Dallas uma de suas áreas mais representativas, produz santos e pecadores em desabalada medida. Para fazer um santo, é necessário um pecador, a fé, a graça e o Cristo. Sem o pecador não há o santo, e pecadores há em profusão, e uma profusão proporcional de igrejas a interceder por tanto pecado.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;É necessário muito trabalho, muito pecado, muito perdão e santidade para que Dallas permaneça, dia após dia, ao abrigo do sol.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;div class='zemanta-pixie'&gt;&lt;img src='http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=70ce2621-bf56-8c58-8b98-971455511774' alt='' class='zemanta-pixie-img'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-6574156813162750315?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/6574156813162750315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=6574156813162750315' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/6574156813162750315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/6574156813162750315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2011/07/dallas-no-verao.html' title='Dallas no verão'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-8560814459181519916</id><published>2011-07-17T13:00:00.002-03:00</published><updated>2011-07-29T19:42:25.602-03:00</updated><title type='text'>Olavo de Carvalho: Intrigantes e Fofoqueiros</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Divulgo um &lt;a target='_blank' href='http://www.seminariodefilosofia.org/node/2161'&gt;vídeo&lt;/a&gt; do Olavo de Carvalho desancando os imbecis que insistem em atacá-lo e, de quebra, seus alunos. Não tenho nada a acrescentar ao que disse o filósofo. O Olavo é brilhante em suas exposições, e sempre procura ser didático, de modo que posso dizer com segurança que se ele não é melhor compreendido, e chega a ser combatido, é por deficiência mental e moral de seus detratores.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Eis o link direto do vídeo para download:&lt;br/&gt;http://a32.video2.blip.tv/11950008929367/Olavodecarvalho-IntrigantesEFofoqueiros590.flv?brs=1043&amp;amp;bri=14.1&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;E o link do Seminário de Filosofia, o qual, vale lembrar, só me fez bem.&lt;br/&gt;http://a32.video2.blip.tv/11950008929367/Olavodecarvalho-IntrigantesEFofoqueiros590.flv?brs=1043&amp;amp;bri=14.1&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;div class='zemanta-pixie'&gt;&lt;img src='http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=c09a6eee-ee6f-84b0-9b22-679972f5f7d3' alt='' class='zemanta-pixie-img'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-8560814459181519916?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/8560814459181519916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=8560814459181519916' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/8560814459181519916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/8560814459181519916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2011/07/olavo-de-carvalho-intrigantes-e.html' title='Olavo de Carvalho: Intrigantes e Fofoqueiros'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-194649556559996698</id><published>2011-07-09T12:56:00.001-03:00</published><updated>2011-09-17T21:00:26.211-03:00</updated><title type='text'>O Português do pastor Marcílio</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Já se vão alguns anos desde a última vez que ouvi a pregação do pastor Marcílio Gomes Teixeira. Quando finalmente fui trazido de volta, de maneira lenta e gradual, ao seio da noiva, ele já não estava mais à frente da Igrja Batista Central de Campinas. Tive a alegria de encontrá-lo, bem como sua esposa, a Dona Helena, alguns anos depois, durante um culto comemorativo de 50 anos da IBCC. Foi uma ocasião muito singular para mim, uma vez que o casal teve um papel muito importante em minha vida cristã. Foram ativos nos momentos fundamentais de minha formação, e quero muito bem aos dois pelo que me legaram.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Mas este não é o tema do post. O tema não é o pastor Marcílio, nem o seu papel na minha formação cristã. O tema é o Português do pastor.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Hoje tive a vontade, meio do nada, de escutar um sermão em Português. Me bateu uma saudade de escutar um pregador que tivesse algo a ver com a minha cultura, e recentemente só tenho escutado pastor americano (por razões óbvias) além do ex-comediante e agora evangelista ultra ortodoxo na teologia Todd Friel e estava francamente enjoado. Por acaso, no site da IBCC, que não revela o nome do pregador na sua Central de Mensagens, fiz o download de uma mensagem que calhou de ser pregada pelo pastor Marcílio.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Depois de tantos anos, foi um verdadeiro alento para meus ouvidos escutar alguém falando Português de forma tão natural, tão espontânea e tão correta! Preciso escutar mais uma vez para ter certeza, mas tive a impressão de que ele não comete um único erro gramatical, em nenhuma ocasião escorrega na pronúncia, declama o texto da mensagem como se estivesse batendo um papo e tomando o café da tarde na varanda.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Numa era de teleprompter, de improvisos desastrados, uma época em que até nos jornais a última flor do lácio é abusada e maltratada por um verdadeiro exército de profissionais que não passam de usurpadores dos cargos de professores, escritores e jornalistas, uma época em que blogueiros como eu publicam artigos sem corrigir por pura preguiça (sim, quem passa por este espaço sabe o quanto fujo da tarefa de corrigir meus textos - preciso é de um editor que seja super competente e aceite como pagamento apenas sorrisos e tapinhas nas costas), é uma delícia escutar um pregador que tenha um domínio tão perfeito da língua pátria. Muito disso é mérito do pastor Marcílio, por buscar ser um homem educado, parte se explica pelo fato de o pastor ser de outra geração, aquela cuja educação ainda não havia sido sacrificada no altar das ambições socialistas.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Toda esta experiência me remeteu diretamente à infância. Lembro que nunca fiz questão de participar do louvor na igreja, o qual curiosamente era o momento no qual as crianças podiam ficar, mas sempre gostava de ficar para a mensagem. Escutava extático a pregação e me empenhava em compreendê-la. Desta forma, aprender a usar palavras novas, expressões, tudo isso no Português falado, era muito natural para mim. Tive sorte. A maioria das pessoas aprendeu o Português chinfrim com sotaque carioca que a Rede Globo espalha para 70% da população brasileira feito gonorréia.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Um dos poucos lugares dos quais o Português falado pode ser proferido com total correção gramátical, sem parecer estranho, é o púlpito. Infelizmente alguns pregadores se esquecem disso, talvez no afã de atingir mais pessoas. Acho que convém lembrar, especialmente diante da enxurrada de novas traduções cada vez mais simples e mastigadas da Bília que invadem o mercado editorial brasileiro, que em breve o evangelho não vai mais ser reconhecível no Brasil simplesmente porque faltam palavras para anunciá-lo! As besteiras linguísticas e a ignorância generalizada cujos exemplos abundam nos jornais, revistas e na TV, certamente acabam desaguando nas praias da teologia. O resultado desse processo corre a galope na Terra de Vera Cruz, como bem demonstra o sucesso estrondoso das formas mais baixas de teologia (entenda-se aí pricipal mas não exclusivamente a Igreja Universal do Reino de Deus).&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O país precisa de pessoas mais educadas no ministério pastoral. Lemrbo-me de um comentário de Frank B. Sandborn (em Voegelin, The Form of the American Mind p.132, nota 20) sobre Johnathan Edwards, em que ele dizia Edwards, se quisesse, teria ficado par a par com David Hume no campo da Filosofia, mas preferiu dedicar sua vida à carreira de ministro do evangelho. O que produziu o Brasil que se compare? O último grande pregador brasileiro que falava e escrevia em um Português castiço, o Pe. Vieira, nem brasileiro era.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Fica então registrado meu apreço e minha gratidão ao pastor Marcílio.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;div class='zemanta-pixie'&gt;&lt;img src='http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=64d5f690-60b4-83cc-8d49-c5ebcfcc35f3' alt='' class='zemanta-pixie-img'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-194649556559996698?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/194649556559996698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=194649556559996698' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/194649556559996698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/194649556559996698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2011/07/o-portugues-do-pastor-marcilio.html' title='O Português do pastor Marcílio'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-7648536906759772036</id><published>2011-07-08T23:17:00.001-03:00</published><updated>2011-07-08T23:17:32.150-03:00</updated><title type='text'>Warren, Piper, Carvalho e esta besta que vos fala</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Fiquei sabendo que John Piper está indo ao Brasil. Bom para o Brasil. Piper é um pregador excelente e um homem com uma paixão intensa pela glória de Deus. Ele nos reapresentou a uma faceta muitas vezes esquecida da fé cristã, a genuina alegria em Deus, e conseguiu fundamentá-la naquela característica que para o homem carnal seria a antítese da alegria, a absoluta soberania divina. Seu "Desiring God" é uma obra prima que demonstra, por parte do autor, uma compreensão sublime e, no entanto, quase velada da dialética fina que rege a relação entre nossa alegria e a soberania de Deus.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Admiro faz alguns anos o ministério de Piper. Ele foi tema de uma das conversas com o pastor Leandro Peixoto que me afetou profundamente. Aqui em Dallas fui novamente me nutrindo com o material da pregação dele e sou muito grato por isso. Tive, contudo, uma experiência curiosa que tem a ver com o Olavo de Carvalho. Farei o possível para atar estas pontas logo, antes que acabe o interesse do leitor.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Muitos meses atrás, o professor Olavo nos dizia que o brasileiro tinha um jeito muito gozado de admirar uma pessoa: admiramos quem tem mais força que nós (força intelectual, ou eu não estaria falando de Piper e Carvalho, mas de Terry Hulk Hogan e Lou Ferrigno), mas ao primeiro sinal de que a pessoa possua algum defeito qualquer, nos decepcionamos, baixamos os olhos, vestimos pano de saco e lançamos cinzas sobre a cabeça. Em seguida, já consideramos o fulano superado por nós, e sentimo-nos os gostosões, afinal descobrimos um defeito no que antes nos parecia tão belo e formoso. Ora, após ouvir esta aula umas tantas vezes, já estava certo de que jamais iria cair na besteira de me comportar como os imbecis que fazem estas coisas.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Quem adivinhar o que aconteceu em seguida leva um doce.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Entrei no www.desiringgod.org e fui recebido com um banho de água fria. John Piper fez uma das entrevistas mais chapa-branca da história recente, perguntando uma série de questões sobre doutrina cristã para o conhecido pastor-da-camisa-havaiana Rick Warren, e recebendo como resposta quse tudo o que ele, e qualquer calvinista que se preza, gostaria de ouvir. Só faltou perguntar a coisa mais importante: por que a obra e a pregação e a postura pública do fulano não concordam com todas as coisas bonitas que ele disse na entrevista?. Se você é fã do Rick Warren, por favor, pare de ler por aqui. Não vou me desculpar por afirmar que o sujeito é um charlatão (procure no Youtube os vídeos mostrando o homem falando uma coisa para sua igreja e depois descaradamente negando tudo para o Larry King na questão da Proposition 8). Mentir em um canal de TV a cabo visto por pessoas de todo o país foi apenas a mais recente presepada na folha corrida do &lt;i&gt;mega seeker-sensitive church pastor&lt;/i&gt;. Ele é o rei das platitudes superficiais, que ele quer que acreditemos se tratarem de pregação do evangelho, e faz tudo em nome do propósito questionável de fazer com que toda e qualquer pessoa se sinta o mais à vontade possível para se juntar aos quadros inchados de seu mega-ministério. Quem conhece o ministério sério, a pregação profunda, ainda que divertida, e o esforço enorme feito por Matt Chandler para esvaziar os bancos de sua Village Church vai entender bem a diferença entre o mega pastor que deu a bênção à presidência Obama (dói o saco só de pensar) e um pastor de verdade como o Chandler (embora este seja, pelas minhas estimativas, bem mais novo).&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Não se pode negar que o homem seja esperto. Ele é bom de papo, está determinado a agradar a dois senhores (e a quem mais ele conseguir), e consegue se manter sempre sorridente, superficial e em cima do muro. Imagine qual não foi a minha surpresa quando assisti uma entrevista de umas duas horas na qual Rick Warren usava o reconhecimento de John Piper no meio evangélico como papel higienico para limpar sua reputação.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Imediatamente levantei meus punhos indignados para os céus, naveguei a internet buscando opiniões de pessoas que estivessem tão iradas quanto eu (encontrei algumas). No dia seguinte fiz um discurso indignado no caminho para o trabalho, para o qual aluguei os dois ouvidos de meu insuspeito amigo Tony, que é ex adventista, ex cristão denominacional (Quem foi adventista pode mesmo dizer que foi cristão denominacional? Uma pergunta que ficará sem resposta neste espaço - embora, neste caso, a pergunta sozinha já deva ter ofendido muita gente) e presentemente judeu messiânico, e que, por conseguinte, não tinha nada a ver com o pato.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Passadas mais umas semanas voltei ao meu estado normal, estava ouvindo o Piper e lendo This Momentary Marriage, uma exposição magistral sobre o que é o casamento aos olhos de Deus e as conseqüências práticas disso para a vida dos casais (mais uma ponta solta que não terei ocasião de atar e ficará sem maiores elaborações - quem quiser que compre o livro), quando escutei uma aula recente do professor Olavo reiterando o aviso acerca da maneira torta que o Brasileiro tem de admirar. Me bateu uma baita culpa retardada pela minha conduta, e meus sentimentos mesmo, durante a fatídica semana da entrevista. Derrubei o Piper em minha mente e quis me achar melhor que ele, busquei apoio para minha estupidez em algumas opiniões colhidas na internet, botei banca de santo e defensor da família e da fé cristã ortodoxa... Uma miséria só. O filósofo conseguiu me pôr em xeque sem nem mesmo se dar conta. Chega a dar arrepio a maneira como o homem conseguiu ver exatamente o que estava se passando... sem saber o que estava se passando! Vivendo e aprendendo.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Me senti um bundão, um estúpido (e alguns dirão que este deve ter sido um de meus raros momentos de clareza - devem ser fãs do Rick Warren) e aprendi um pouco mais sobre orgulho intelectual, sobre a diferença entre moralidade e moralismo e sobre mais uma razão pela qual fazer parte do Curso de Filosofia do professor Olavo foi uma decisão acertada. Não fosse pelo puxão de orelha, eu teria morrido com a convicçao imbecil de que minha (inexistente) santidade era algo mais que uma invenção diabólica.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Continuo não gostando do Rick Warren e o que ele representa. Continuo não entendendo o porque da tal entrevista. Estou, contudo, profundamente arrependido pela minha reação. Achei a coisa toda tão instrutiva que resolvi compartilhar com qualquer interessado, assim algum bem se faz dessa porcaria toda.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Em suma, se puderem, vão assistir o Piper no Mackenzie quando ele for ao Brasil. Vale muito a pena.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;div class='zemanta-pixie'&gt;&lt;img src='http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=93fa6eb9-7a95-8112-a387-8431ef3d67aa' alt='' class='zemanta-pixie-img'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-7648536906759772036?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/7648536906759772036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=7648536906759772036' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/7648536906759772036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/7648536906759772036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2011/07/warren-piper-carvalho-e-esta-besta-que.html' title='Warren, Piper, Carvalho e esta besta que vos fala'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-8631633035979235800</id><published>2011-07-06T22:41:00.002-03:00</published><updated>2011-07-29T19:45:14.046-03:00</updated><title type='text'>Um pouco como o Romário</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Um pouco como o Romário, que voltou da aposentadoria mais vezes do que posso contar, estou fazendo mais um retorno à blogosfera. Um comentário amabilíssimo em meu último post (que será atendido assim que eu tiver uma oportunidade) fez-me ver a desfaçatez que é manter aberto um blog no qual só se escreve uma vez por ano. Sei que não causei nenhuma séria crise de depressão com minha ausência, mas um estranho senso de decoro me impele a voltar.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Digo mais: espero voltar mais leve, mais breve, mais adaptado à falta de tempo que me constrange. Já era hora de abandonar a mentalidade "ou escrevo algo muito sério (o que nunca consegui fazer muito bem), ou não escrevo nada". Espero publicar alguns posts de fôlego que estão na gaveta, mas o grosso da produção será de platitudes mesmo. Se não fizer assim, arrisco esquecer o Português. Tanto é o medo que já pedi para a professora Lídia (a senhora minha mãe) uma gramática de presente. Quem sabe agora, com quase trinta anos de idade e uma resma de textos publicados aqui, não consigo finalmente aprender gramática?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;div class='zemanta-pixie'&gt;&lt;img src='http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=01c3091c-448c-8bba-9062-722fe8cb0f96' alt='' class='zemanta-pixie-img'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-8631633035979235800?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/8631633035979235800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=8631633035979235800' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/8631633035979235800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/8631633035979235800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2011/07/um-pouco-como-o-romario.html' title='Um pouco como o Romário'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-2547753865373535312</id><published>2010-11-30T20:14:00.001-02:00</published><updated>2010-11-30T20:22:45.658-02:00</updated><title type='text'>Mais um Pouco de Música</title><content type='html'>Um de meus documentários favoritos (se é que se pode chamar de documentário) é o Why Beauty Matters, do filósofo Roger Scruton. O programa se trata, na verdade, de um ensaio filosófico narrado pelo próprio Scruton sobre o tema da beleza e seu aparente sumiço na contemporaneidade. A despeito da conclusão final de que a religião e a beleza podem ser, de alguma forma, intercambiáveis - o que acredito ser bastante discutível, pois tenho a impressão de que a religião encampa e transcende a mera estética - o ensaio de Scruton é uma das mais acessíveis críticas aos rumos que a arte tomou nos últimos tempos (estou sendo bem liberal com o uso de últimos tempos aqui, pois o filósofo demonstra como a arte já vem perdendo a relação com a beleza há mais de sessenta anos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ficou mais vivo na memória em meio a todo o discurso foi a seção final, em que Scruton apresenta um exemplo de música simples e excepcionalmente bela. Trata-se da obra de Pergolese, Stabat Mater. A obra produzida no fim da vida de Pergolese (o compositor morreu muito jovem) põe a audiência diante da beleza peculiar que brota do sofrimento. No caso, o sofrimento da Mãe de Jesus ao ver o filho crucificado. A letra é um poema do Séc. XIII, normalmente associado ao memorial de N. Senhora das Dores. Pergolese é apenas um entre vários pesos pesados da música clássica a usar o poema como tema para suas composições. Uma longa linha de compositores vai de Palestrina a Arvo Pärt (cuja obra baseada no poema é, por sinal, belíssima).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Experimentei algumas gravações da Stabat Mater de Pergolese e a que mais capturou minha atenção foi a de Christopher Hogwood. Infelizmente não foi muito fácil de achar um arquivo de qualidade. Os arquivos no PQP Bach são ótimos MP3, mas além do problema na tag da primeira faixa, o formato é lossy. Para os mais puristas, encontrei o CD no formato APE, com as tags corretas. Se alguém se interessar, que dê uma olhada nos comentários aqui. Vale lembrar sempre que isto é só para degustação temporária, apague depois de ouvir, e que sairá do ar diante da primeira reclamação enviada a este blog.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-2547753865373535312?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/2547753865373535312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=2547753865373535312' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/2547753865373535312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/2547753865373535312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2010/11/mais-um-pouco-de-musica.html' title='Mais um Pouco de Música'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-7118883885434953224</id><published>2010-01-27T15:17:00.001-02:00</published><updated>2010-01-27T15:17:45.659-02:00</updated><title type='text'>A Trilogia de Francis Schaeffer</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;Acabo de completar a leitura da Trilogia de Francis Schaeffer: The God Who is There, Escape From Reason e He is There and He is not Silent. Cinco anos atrás eu já lera o primeiro volume, e a única coisa que me espantou então foi o fato de que havia um autor evangélico que lera e compreendera (bem ou mal eu não sabia dizer) os intelectuais em voga na sua época. Achei aquilo fantástico, empolgante; eu não precisaria mais lidar com os problemas decorrentes de uma personalidade cindida, a do evangélico que queria seguir a vida dentro dos limites permitidos pelo dogma intelectual e comportamental de minha igreja local (ênfase na santidade prática de cada ato e pensamento, no isolamento de influências mundanas presentes na cultura contemporânea e um preconceito – com toda razão – contra a intelectualidade humanística que abundava e abunda na academia), e a do proto-pseudo-intelectual de universidade (aprendendo por um lado a confiança somente na ciência proferida pelos próprios lentes da escola, uma vaga noção de que os evangélicos não eram lá muito inteligentes e um constante apelo do meio social – ao qual acabei atendendo depois de um ano de USP – à prática de umas tantas imoralidades que atendessem meus desejos mais baixos). Agora, com um pouco mais de atenção e experiência nas costas, achei por bem ler a coisa toda novamente e fui surpreendido por um material intelectual de primeira, muito embora a apresentação e os termos empregados pelo autor possam soar um pouco estranhos no começo, e seja necessário traduzir certas noções e um resquício de jargão evangélico em termo mais palatáveis ao leitor de filosofia. O que eu gostaria de fazer aqui é retraçar algumas etapas do pensamento de Schaeffer que me chamaram minha atenção, bem como registrar algumas impressões que a leitura me deixou.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O primeiro passo que Schaeffer tomou ao estabelecer as bases de seu pensamento, conforme creio ser possível entrever na Trilogia, foi tentar entender o que estava passando aquela geração claramente perdida para da qual ele percebeu ser necessário pregar o evangelho. As implicações desse ponto de partida podem ser desmembradas em elementos importantes que tentarei resumir.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O esforço de Schaeffer em compreender aquela geração implica uma abertura para a experiência em dois níveis: Primeiro, Schaeffer leu os livros, estudou a filosofia, contemplou os quadros, ouviu as músicas, assistiu os filmes, procurou absorver (não se deixar levar por, mas ABSORVER, tornando-se maior que) a cultura secular em torno – tanto a alta cultura quanto a cultura popular. Os teólogos liberais não tiveram a grandeza de absorver e superar os elementos da cultura, antes foram absorvidos por ela, os resultados da abertura destes teólogos para a cultura foram, como hoje se pode verificar, desastrosos; Schaeffer conseguiu se expor a todas estas influências, colocá-las para dentro e expelir tudo que elas tinham de ruim, restando nele apenas a compreensão profunda dos movimentos filosóficos e culturais contemporâneos. Segundo, Schaeffer reconstruiu no imaginário as experiências e estados internos daquelas pessoas com as quais constantemente conversava, e apesar de não participar das práticas daquela geração que tentava entender, sua poderosa imaginação o tornava capaz de reconstruir as experiências e estados emocionais e intelectuais daquelas pessoas e isso o levou a sofrer genuinamente a dor delas, e a sentir a necessidade de apresentar-lhes o evangelho.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O segundo passo tomado por Schaeffer decorre de sua absorção e análise da cultura. Uma conclusão da crítica cultural de Schaeffer é que a cultura contemporânea é uma mistura de correntes distintas com muito pouco em comum. O que parece constante nela é: (1) o efeito daninho que suas correntes provocam na alma humana e (2) uma fuga da racionalidade, da unidade da realidade e da unidade do conhecimento. Schaeffer viu, na cacofonia das culturas secular e, infelizmente, teológica modernas, aparentemente tão díspares e heterogêneas, freqüentemente antagônicas, os dois elementos de fundo encontrados em cada degrau da "escada do desespero", dos "dois andares" em que se dividiu cada um dos homens modernos. O problema espiritual do homem é que divide sua personalidade, e a cosmovisão decorrente da atividade mental de uma personalidade cindida é a imagem de uma realidade cindida Em cada aspecto da cultura secular, filosofia, literatura, música, etc., existe a marca de uma espiritualidade cega, estúpida, misticista e irracional oposta a um materialismo pseudo-científico que pontifica acerca daquilo que não é capaz de saber e reduz o homem a uma máquina. Schaeffer apresenta o cristianismo como a única saída autenticamente racional e ao mesmo tempo autenticamente espiritual para a doença espiritual moderna.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Embora os méritos filosóficos de Schaeffer sejam bastante discutíveis, alguns vêem nele um filósofo, outros não – particularmente creio que sua abertura para a realidade (e para a realidade em seu sentido mais amplo), sua busca pelo conhecimento por meio da experiência, sua compreensão da necessidade de uma antropologia filosófica adequada para a compreensão do papel do homem (ele chama de metafísica a situação do homem perante o todo da realidade) no plano geral de Deus, dão mostras de que Schaeffer poderia ter sido um filósofo notável – produzir uma filosofia nunca foi sua intenção. A preocupação principal de Schaeffer  era apologética, o que é possível notar já na linguagem que ele adota, fugindo com freqüência do jargão filosófico e buscando termos que as pessoas possam relacionar com sua experiência comum. Sua crítica à filosofia era um instrumento para deixar pessoas reais sem qualquer alternativa intelectual ao cristianismo. No entanto, no campo teológico, Schaeffer procura reintroduzir a razão como elemento crucial para a fé devidamente fundamentada. Isso não é dizer que ele subordinasse a fé à razão, mas que ele compreendia a vida espiritual e a vida intelectual como partes indissociáveis do homem, justamente por que fomos criados por Deus dentro de um esquema de coisas único no qual não há um mundo material e outro espiritual e a noção de salto de fé é absolutamente desnecessária. Um exemplo interessante do uso que Schaeffer faz do instrumental filosófico é sua solução para confrontar o filósofo contemporâneo, seja marxista, positivista lógico ou existencialista, que consiste em retirar as noções filosóficas de seu confortável domínio das idéias e tentar aplicá-las ao próprio autor ou repetidor das idéias em questão. O que importa notar no exemplo é que Schaeffer não busca produzir um despertar intelectual, mas sim achar um ponto de tensão para colapsar a visão de mundo do sujeito e torná-lo aberto a ouvir o evangelho.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A despeito de suas despretensões filosóficas, fico espantado em ver como a aplicação constante da via filosófica de abertura para a realidade, balizada apenas pelo ensinamento contido na Escritura Sagrada, produziu em Schaeffer uma capacidade extraordinária de antever a direção na qual o mundo moderno se movia. A Trilogia, bem como os últimos episódios da série de vídeos "How Should We Then Live?" Mostram com clareza a compreensão precisa que Schaeffer tinha de vários movimentos em curso na modernidade. Posso citar de memória a influência nefasta dos marxistas entre membros modernistas da Igreja Católica, a compreensão de que o marxismo não necessita das idéias econômicas de Marx para se realizar, a explosão do mercado pornográfico prenunciada no aparecimento da pornografia na alta cultura (Henry Miller, por exemplo), o esvaziamento do conteúdo das palavras que veio a corroer o senso de orientação intelectual e espiritual até mesmo dentro das igrejas e que hoje é prática comum no jornalismo e contamina a linguagem popular (deixando as populações indefesas contra qualquer manipulação). No último livro da Trilogia ele chega inclusive a ver como provável conseqüência da incapacidade moderna para o conhecimento moral a emergência de uma elite que tome decisões morais e comportamentais por todos (nos vídeos creio que ele menciona algumas pesquisas científicas voltadas para a manipulação do comportamento humano – um problemão que deveria estar sendo centro de discussão geral e ainda hoje não se discute fora de alguns círculos restritos). Acho engraçado como estas antevisões devastadoras aparecem de forma quase incidental no discurso de Schaeffer, cujo propósito é apenas e tão somente nos levar a conhecer melhor o plano de Deus para resgatar o homem caído.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;II&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Schaeffer atacou alguns problemas filosóficos, por ter crido que era necessário oferecer uma resposta cristã a dúvidas que poderiam oferecer obstáculos intelectuais à aceitação do evangelho. Esboçou uma antropologia filosófica, na qual relatou o estado tensional do homem – caído em pecado, mas feito à imagem de Deus e capaz de relacionar-se com Ele por meio da graça divina. Tratou também de esclarecer como é possível a comunicação direta entre deus e o homem por meio da escritura, o que torna possível demonstrar em seguida o motivo pelo qual devemos ter a Bíblia como mais alta regra de fé – pois ela é uma comunicação direta de Deus ao homem. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A noção que creio ser fundamental para estabelecer a possibilidade de comunicação e relacionamento entre Deus e o homem é a ênfase dada por Schaeffer à noção de Deus enquanto pessoa. Um dos grandes problemas da teologia, e principalmente da filosofia, é o fato de Deus ser incompreensível enquanto objeto da inteligência humana. O problema se espalha para o campo da ontologia quando verificamos que a parte, o ser criado, não é capaz de compreender o todo, o criador sem antes se ter tornado igual a ele. Sendo Deus perfeito e infinito, não poderia e nem poderá haver dois d'Ele (problema já bem estabelecido pela filosofia medieval) e, portanto, o conhecimento de Deus é impossível. A sugestão de Schaeffer é a seguinte: Deus nos fez à sua imagem e semelhança, e essa verdade bíblica pode ser interpretada no sentido de que Ele nos dotou de personalidade. Deus é um Deus pessoal, e somos pessoas por participarmos (expressão minha) da personalidade divina. Enquanto pessoas, somos capazes de comunicação em dois níveis, com Deus e uns com os outros.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Algumas conseqüências podem ser extraídas do precedente. A comunicação pressupõe a racionalidade e exclui, portanto, a separação entre uma fé irracional e o cientificismo ou o materialismo racionais. A comunicação entre os homens e entre eles e Deus é precondição para que os homens possam amar uns aos outros e amar a Deus. A personalidade de Deus nos permite conhecê-lo, não como objeto, mas como se conhece uma pessoa, o que em geral se dá por meio de um diálogo, que no caso em tela se estende já por milhares de anos – o diálogo não fornece um conhecimento completo da pessoa divina, mas oferece um conhecimento suficiente e adequado às nossas limitações.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fico com a impressão de que a relação pessoal com Deus e o conhecimento que disso resulta é essencialmente diferente da busca por um conhecimento difuso da realidade como um todo. A marca da personalidade é a afeição, e é radicalmente diferente conhecer uma realidade da qual somos parte e conhecer uma pessoa a quem venhamos a amar. Contudo, e diante do perigo de cair num sentimentalismo cristão dos mais ridículos, entendo que é uma experiência dos dois tipos é necessária para preenchermos corretamente as lacunas existenciais que ameaçam nos tragar. A maior lição que me foi legada por Francis Schaeffer foi justamente a necessidade de integração destes dois elementos na minha pessoa, se não de fato, ao menos enquanto projeto perpetuamente inacabado.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-7118883885434953224?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/7118883885434953224/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=7118883885434953224' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/7118883885434953224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/7118883885434953224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2010/01/trilogia-de-francis-schaeffer.html' title='A Trilogia de Francis Schaeffer'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-3988061123601392242</id><published>2010-01-27T14:40:00.001-02:00</published><updated>2010-01-27T14:40:59.928-02:00</updated><title type='text'>Cuidado com o que pedes...</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Nos últimos meses, Deus ouviu mais uma vez minha oração. E eu nem tinha me dado conta. Recentemente perdi meu emprego na rede de supermercados Pequeno Polegar (que vem confirmar minha impressão de que os Estados Unidos sempre parecem uma nação meio ridícula depois que a gente a traduz para o Português), e estava me sentindo a mosca no cocô do cavalo do bandido. Digo isso porque acho que existe pouca coisa mais besta do que fazer o que eu fazia, era chato, deselegante, e cansativo, e mesmo de um trabalho desses eu fui demitido.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Hoje fui escarafunchar este blog que vos fala e encontrei um port recente, o &lt;a href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2009/11/disperso.html' target='_blank'&gt;Disperso&lt;/a&gt;, e então tudo fez sentido (e acredite, o ser humano é tão estúpido - e não sou exceção à regra - que só percebe as coisas depois que elas já se passaram), pois eu ali registrava meu pedido a Deus que me tirasse daquele lugar. Três dias depois de mudar de apartamento Ele atendeu. Simples assim. Eu é que não entendi.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Graças a Ele estou empregado novamente, num lugar em que estou mais contente, menos cansado apesar de trabalhar mais, e novamente empregado em um local próximo de casa.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Eu não deveria me surpreender, mas é sempre notável constatar que até hoje não houve uma única coisa que pedi com fé que Deus não tenha atendido amorosamente. Jamais por mérito meu, mas para maior glória d'Ele.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;div class='zemanta-pixie'&gt;&lt;img src='http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=ac39cd41-97c6-8ef8-a7f4-c9f85e0a24db' alt='' class='zemanta-pixie-img'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-3988061123601392242?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/3988061123601392242/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=3988061123601392242' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/3988061123601392242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/3988061123601392242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2010/01/cuidado-com-o-que-pedes.html' title='Cuidado com o que pedes...'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-6055106331461136868</id><published>2009-12-27T18:42:00.001-02:00</published><updated>2009-12-27T18:42:11.933-02:00</updated><title type='text'>Manhã de Domingo</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Faz duas ou três semanas as coisas em casa iam bem. Estávamos de mudança para o apartamento novo, o qual finalmente proveria o espaço do qual precisávamos para viver sem que ficássemos nos acotovelando, estávamos com uma viagem marcada para passar dois dias em Boston e outros dois em New York, as coisas iam bem no trabalho e eu estava folgadamente desfrutando do meu tempo livre para dormir e relaxar da rotina. Tudo isto não durou muito. Três dias no apartamento novo e fui demitido do emprego, acusado de má conduta. De repente precisei avaliar tudo o que estava acontecendo ao meu redor. Minha vida não poderia mais cercar-se do conforto ao qual estava tão gostosamente me acostumando, e senti a mistura um bocado banal e comum (banal e comum até acontecer com a gente) de humilhação e confusão. Por que fui demitido? Por que dessa maneira infamante?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Em meio a essa confusão, corri até o telefone, ligar para casa a fim de conseguir algum apoio moral, apesar da distância, e tentar impor ordem aos pensamentos. Um pouco mais calmo, tendo recebido o carinho da família, comecei a pensar a respeito do acontecido e a me perguntar qual a razão para ter minha segurança tirada de baixo dos meus pés. Ademais, porque Deus me deixou à mercê de gente obviamente maldosa como encontrei no trabalho, onde tanto lutei para manter tudo funcionando ao longo de um ano conturbado que começou com o suicídio do meu chefe e terminou com minha demissão.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Por alguns dias mantive a cabeça clara. Alline me apoiou, acalmou e acompanhou minha saída daquele torpor e do inconformismo que vem diante de um revés tão sério, recomendou que eu visitasse uma igreja - provavelmente achando que era hora de exorcizarmos o que quer que nos estivesse perturbando. Eventualmente ela também desesperou e eu fui levado a crer que não seria capaz de aguentar o peso da nossa pequena tragédia. Brigamos e eu estava só à noite, finalmente tomando meu segundo copo de uísque, tentando simplesmente não sentir mais nada, quando me dei conta, um tanto bêbado, que a manhã seguinte seria uma manhã de domingo.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Agora convém voltar um pouco atrás no tempo e lembrar da longa e gostosa conversa que tive com o pastor Leandro Peixoto, da nossa querida IBCC. Quando contei que não tinha encontrado uma igreja em Dallas e que, ademais, estava trabalhando aos domingos, de modo que não estava frequentando lugar nenhum, acho que ele deve ter se segurado, ou para não rir, ou para não chorar. Eu mesmo sabia que estes motivos para estar longe da igreja, enfraquecido diante das tentações e desgastado pelos atritos constantes trazidos pelo casamento, eram no mínimo meias verdades. Paciente, o pastor me recomendou certas leituras, me falou de muita gente boa fazendo um trabalho pastoral e teológico interessante, e mencionou que em Dallas havia uma igreja pastoreada por um Matt Chandler, chamava-se The Village Church, e o que ali se pregava estava em linha com o que ele (e eu por influência dele) achávamos ser uma exposição bíblica do evangelho. Fiquei muito entusiasmado com tudo isso, mas fui logo dissuadido da idéia de investigar mais a fundo, especialmente depois de voltar à velha rotina de trabalho e aos velhos vícios - a preguiça, a necessidade de concentrar toda minha atenção à vida doméstica - e o assunto foi jogado para escanteio.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Pois bem, estava eu começando a me sentir um pouco melhor quando tive uma dessas idéias embriagadas de procurar uma igreja e perguntar a Deus o que estava havendo. Consultei o google em busca das igrejas batistas próximas de meu novo domicílio, e qual não foi minha surpresa quando ali estava a Village Church. Desnecessário dizer (porém direi) que fomos até lá no dia seguinte.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Estranhei um pouco o jeitão da igreja. Meio moderna, possui três campus, e o sermão é pregado em um deles e transmitido para os outros por videoconferência. Os pastores se vestem mais ou menos como eu, um moleque de vinte e poucos anos, e o louvor, acima da média, era feito em tom de soft rock contemporâneo. Cheguei ali cansado, humilhado e sem saber o que esperar do futuro próximo. Logo descobri que não era o único com problemas. Fiquei sabendo logo que Matt Chandler está com câncer no cérebro. Ok, eu não conhecia Matt Chandler, era a primeira vez que visitava a igreja, mas é impossível deixar de sentir um desconforto, e de perguntar em seguida: o que foi que ele fez para acabar desse jeito? Não, eu não me sinto melhor observando a desgraça alheia, muito menos em se tratando de um sujeito que, pelo que ouço falar, só fez servir a Deus e ao próximo, como manda o script. Não acho consolo algum na idéia de que muita gente sofre mais do que eu, mesmo porque minha mente queria, em primeiro lugar entender o que estava se passando, e não arranjar desculpas para que eu não me sentisse tão mal assim.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O sermão de Beau Huges, naturalmente versou sobre o dito câncer. Não recordo detalhes da mensagem, foi no dia 13 de dezembro, mas lembro que foi a palavra que precisava ouvir no momento. Basicamente, o pastor explicava que aquela desgraça, bem como outras que acontecem conosco ou ao nosso redor, são resultado do pecado no mundo, do nosso pecado. Depois disso deu uma palavra de consolo para os aflitos, e só me lembro da impressão de estar reafirmado, e de uma vontade de chorar (aqueles interessados podem ouvir a mensagem &lt;a href='http://northway.thevillagechurch.net/resource_files/audio/200912131700FMWC21ASAAA_BeauHughes_TheHopeOfAdvent.mp3'&gt;aqui&lt;/a&gt;). Eu estava abatido e fui animado, o bastante para manter a confiança na providência divina, mas estas experiências não duram para sempre, e na correria dos próximos dias, não aproveitei para fazer algo de mais duradouro daquele momento importante e daquela mensagem de ânimo e misericórdia apesar da fúria de Deus contra o pecado.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Passado algum tempo sem voltar à igreja (estivemos viajando, e a viagem será assunto para outro post), já desgastados por uma série de coisas que continuaram dando errado para nós (entre umas tantas que deram certo), nos encontramos rumo à igreja mais uma vez esta manhã. Irritado desde cedo por algumas reclamações de Alline por alguns problemas menores na casa, acabei explodindo e fui berrando de casa até a igreja. Chegando lá, enquanto mexia a boca durante os hinos que não conhecia, fiquei pensando o quão depressa nos esquecemos de Deus. Em duas semanas eu estava na velha rotina, irritado com minha mulher e principalmente assombrado com as mudanças que estes últimos anos trouxeram ao meu temperamento (aqueles que me conhecem normalmente se lembram de um sujeito calmo, meio bobo e normalmente bem humorado). Baixamos a cabeça para orar, e ao final da oração ouvi uma voz familiar que costumava ouvir nas gravações de mensagens e sermões que tanto escuto pela internet. Levantei a cabeça e tive a grata surpresa de ver que o pregador era o John Piper.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Muito amável nesta visita a Dallas (da qual eu não fazia a menor idéia) ele conduziu a igreja por entre uma passagem de Romanos, capítulo 8, mostrando como nosso sofrimento nada mais é do que a maneira de Deus nos fazer ver o quanto o nosso pecado ofende a sua glória. Somente o sofrimento nos faz ver o que nossa rebeldia faz contra Deus. Imediatamente percebi exatamente o que acontecera comigo. E que coisa graciosa ter Deus trazido um de meus pregadores favoritos para dizer o que estava se passando em minha vida em particular, e nas vidas de tantas pessoas em geral, ainda que o assunto do sermão fosse, no fundo, o câncer de Matt Chandler.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Parece, olhando para minha própria experiência, que só paramos de agir com rebeldia diante de Deus quando estamos finalmente cansados demais, abatidos demais para fazer qualquer coisa. Seja cansados, seja rebeldes, Deus encontra meios de nos mostrar o que realmente importa e nos reconduzir quando nos perdemos. O símbolo do bom pastor, longe de ser uma mera analogia, fruto casual do meio em que nasceu o cristianismo (como querem alguns), possui um significado duradouro, pois no fundo, somos como ovelhas, estúpidos e facilmente perdidos, devorados, caso não tenhamos alguém que nos guarde e conduza, e seremos co-herdeiros e irmãos adotivos de Cristo, o cordeiro de Deus. É importante entender que não temos controle sobre nossos destinos, e que devemos nos colocar à mercê da graça divina, pela qual o Senhor nos reconduz a si.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;div class='zemanta-pixie'&gt;&lt;img src='http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=153d52c7-ee59-8197-a99b-60e4fc883507' alt='' class='zemanta-pixie-img'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-6055106331461136868?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/6055106331461136868/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=6055106331461136868' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/6055106331461136868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/6055106331461136868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2009/12/manha-de-domingo.html' title='Manhã de Domingo'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-4110167004348884676</id><published>2009-11-20T18:56:00.000-02:00</published><updated>2009-11-20T18:56:09.792-02:00</updated><title type='text'>Disperso</title><content type='html'>I &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto não me chega a paciência ou a energia para reler e acabar os posts que queria ter publicado aqui vou escrevendo sobre outras coisas que me ocorrem. O tom de "querido diário" é inevitável, mas já era hora de começar a escrever em maior quantidade, o que é melhor do que não escrever &lt;i&gt;at all.&lt;/i&gt; Na era do &lt;i&gt;Twitter&lt;/i&gt; (tremo diante da idéia de haver uma "era" do &lt;i&gt;Twitter&lt;/i&gt;) em que podemos escrever telegráficos relatos de nossas atividades para todas as pessoas que nos acompanham pela internet, eu, o prolixo bacharel, prefiro utilizar a tecnologia para informar a quem interessar que estou ouvindo Mozart no momento, enquanto me recuperode uma gripe desagradável (putz, e existe outro tipo?) cuja força descomunal me desancou ontem e hoje deixou somente uma má lembrança e muitos lenços de papel. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Instalei em meu notebook um programa chamado Digsby, que unifica as mensagens de diversas contas de e-mail, perfis em sites de relacionamento e programas de chat pela internet. Embora esteja gostando da ferramenta, pois me poupa o tempo de ficar ciscando informações e mensagens recebidas de diversas fontes e com diversos graus de interesse.O que me assustou foi constatar, depois de configurar o programa para administrar o MSN, Facebook, Yahoo Mail, Gmail, Hotmail, Google Talk e Twitter (o programa não se conecta ao Orkut nem ao Skype, os quais tenho que ver separadamente) , a quantidade de meios de comunicação dos quais disponho. Achei um exagero, e não fosse pelo Digsby acho que já teria exterminado boa parte deles, pois nunca gostei de estar tão acessível assim. Sinal dos tempos. Moro longe da família e dos amigos mais antigos e seria mais difícil não fossem estas pequenas comodidades, mas para que tantas? Noventa e cinco por cento do que recebo é bobagem. Outro sinal dos tempos. O &lt;i&gt;marketing &lt;/i&gt;agressivo é um adversário feroz do nosso controle sobre o próprio tempo (é também, acredito, o túmulo da elegância, da lisura e do respeito) e ficamos constantemente a defender-nos de uma quantidade indescritível de bobagens as quais nos esfregam à cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas coisas eu mesmo tive de esquecer ou mutilar para desempenhar meu próprio trabalho... Sempre tive por hábito falar quando solicitado, jamais ser insistente com qualquer pedido, tratar os mais velhos com a devida deferência, e fui sistematicamente solicitado a passar por cima de anos de um trabalho árduo de educação para vender Starbucks e assim "defendê o leite das criança". Situação incômoda, embora eu também não tenha por costume reclamar de barriga cheia. O trabalho é em si fácil. Só não consigo integrá-lo a minha personalidade. Talvez seja isso que me deprime periodicamente. No trabalho também interajo com um número enorme de pessoas por um tempo muito curto. É uma ocupação bastante dispersiva e volto para casa sem um pingo de energia. Ora, "quem comigo não ajunta espalha", e eu estou em cacos, espalhado dessa maneira. Peço a Deus a gentileza de, novamente, juntá-los e ordená-los como só Ele sabe. Não é um problema fundamentalmente diferente destes diversos instrumentos de comunicação que solicitam minha atenção. Doença moderna, criada pelo homem mesmo, com a melhor das intenções.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-4110167004348884676?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/4110167004348884676/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=4110167004348884676' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/4110167004348884676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/4110167004348884676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2009/11/disperso.html' title='Disperso'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-8410320107175454827</id><published>2009-11-09T21:28:00.000-02:00</published><updated>2009-11-09T21:28:32.284-02:00</updated><title type='text'>Encontro de Olavo de Carvalho, Alan Keyes e Alejandro Peña Esclusa</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/p/453F9EF1A6A09F98&amp;hl=en&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/p/453F9EF1A6A09F98&amp;hl=en&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assistam o vídeo, registro de um encontro entre três homens que têm, cada qual em sua área, pensado a política com responsabilidade intelectual e integridade pessoal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-8410320107175454827?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/8410320107175454827/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=8410320107175454827' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/8410320107175454827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/8410320107175454827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2009/11/encontro-de-olavo-de-carvalho-alan.html' title='Encontro de Olavo de Carvalho, Alan Keyes e Alejandro Peña Esclusa'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-7102802953331172074</id><published>2009-11-02T21:28:00.003-02:00</published><updated>2009-11-03T00:23:13.569-02:00</updated><title type='text'>Engraçadinha e o Futebol</title><content type='html'>Curioso como certas coisas voltam à memória com uma força extraordinária, malgrado o decurso dos anos, e nos devolvem um pouco do que somos e já nem sabíamos mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O episódio recente, mais ou menos recente, teve a ver com o gosto que minha senhora insiste em manter pela teledramaturgia da Rede Globo. Ora, eu já fui, até pouco tempo atrás, um desses babaquinhas que achavam muito inteligente criticar a emissora. Primeiro criticava por ser direitista demais, depois descbri que não existia direita de verdade no Brasil e passei a criticá-la pelo motivo contrário. Hoje acho muito besta ficar analisando umas tantas puerilidades televisivas e "jornalísticas" do momento e me ocupo de analisar coisas mais interessantes, e vou de quando em quando umas tantas risadas ao lado da patroa assistindo TV em portugûes quando temos a chance, sem culpa nem arrependimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;But, alas, I digress&lt;/i&gt;. O caso é que nessas ocasiões de convívio com minha adorável consorte, calhou de botarmos as mãos naquela curiosa minissérie que foi a Engraçadinha. Vejam bem, quando a série saiu, eu não pude assistir. Mamãe não me deixava por que o negócio era muito maduro para meus verdes olhos (o que não é dizer que meus olhos sejam verdes, como de fato não são), vovó dizia que era imoral, era pecado. Papai bem poderia ter dito que a coisa toda era uma bela putaria (termo dele, não meu) e que eu ganhava mais indo ler um livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, pensei, por um lado terei carta branca para ver umas peladas na TV, por outro vou ter que agir muito sério e compenetrado. Não consegui me compenetrar, nem fingir seriedade. O melhor que pude fazer foi passar uns comentários de conteúdo profundamente moralista num tom incofundivelmente histriônico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim das contas eu gostei da série, não pelos motivos óbvios, que já não sou mais moleque, mas porque a linguagem era deliciosa (e vejam que nem li o livro, mas parece se tratar de uma imitação bacana do estilo do autor), e pela trama, que era chocante e fascinante ao mesmo tempo. E ainda tinha o bestiário de imorais que o programa perfilava, me divertiu à beça ver a interação daqueles tipos humanos tão marcados, cada qual vestindo, falando, transpirando, seus pecados particulares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final da jornada, três pensamentos me assaltaram, mais um pensamento e seria uma quadrilha (ou bando). Aliás, alguém lembra qual foi a última vez em que foi assaltado por um pensamento? Inversamente, não passou por minha cabeça pensamento algum na única vez em que fui assaltado de verdade. Pois então, fui metaforicamente assaltado por três pensamentos, o primeiro foi que eu precisava logo ler mais alguma coisa do Nelson Rodrigues. O segundo foi que se eu tivesse lido Nelson Rodrigues, lá nos tempos de ginásio, teria me poupado a leitura de John Irving, que hoje não acho nem de longe tão interessante quanto o cronista pátrio. O terceiro, logo depois do segundo (naturalmente), foi que eu tinha sim lido Nelson Rodrigues, e tinha gostado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tinha lido e tinha gostado, por que esquecera? O mistério de minha memória roubada (quem sabe por um pensamento assaltante?) me incomodou durante algum tempo. Foi então, algum tempo mais tarde, recém recuperado da bebedeira que seguiu a última vitória da seleção de Dunga sobre a Argentina de ninguém mais ninguém menos que &lt;i&gt;Don &lt;/i&gt;Diego Maradona, lembrando de outros assuntos futebolísticos (na distante Dallas em que &lt;i&gt;football &lt;/i&gt;é sinonimo de Cowboys,  e da vida amorosa de Tony Romo) descobri a razão do esquecimento: Nelson Rodrigues me fez gostar de futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explico. Meu pai, professor de Educação Física, preparador físico e paisagista nas horas vagas, fez o possível para me interessar pela arte da bola, sem grande sucesso. Por acaso caiu-lhe nas mãos uma edição d'A Sombra das Chuteiras Imortais, a qual tomei emprestada e devorei com alegria. De repente o futebol pareceu interessante, não na tela da TV, ao som dos berros do Galvão Bueno, ou como o exercício suado das aulas ao sol das três da tarde; antes aparecia como o embate luminoso de heróis da bola de outras épocas. Passei a ver o esporte com outros olhos, projetado na tela imaginária que fazia as partidas muito mais reais que aquelas que acompanhava pela televisão.&lt;br /&gt;Quando recordo as discussões sobre quem jogava melhor, os jogadores de antigamente ou os atuais, outra cretinice da qual me curei (menos uma entre muitas), vejo que o buraco é mais em baixo: os escritores daquela época eram melhores, os jogadores assumiam uma estatura e dignidade assustadoras por tabela.&lt;br /&gt;Tudo isso para dizer que estou gostando muito de ler Nelson Rodrigues e como este feliz (re)encontro veio a se passar. E quem quiser que conte outra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-7102802953331172074?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/7102802953331172074/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=7102802953331172074' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/7102802953331172074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/7102802953331172074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2009/11/engracadinha-e-o-futebol.html' title='Engraçadinha e o Futebol'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-3386635433161369695</id><published>2009-09-03T11:02:00.001-03:00</published><updated>2009-09-03T11:05:48.178-03:00</updated><title type='text'>A Sagração da Primavera</title><content type='html'>Faz algum tempo terminei de ler o livro “Rites of Spring” do historiador Modris Eksteins. Nele, autor reflete sobre o mundo moderno e o papel preponderante da Primeira Grande Guerra em sua formação. Nos capítulos finais o autor trata do processo cultural que envolveu a gestação, o nascimento e a explosão do nazismo na Alemanha. Um conceito importantíssimo no raciocínio do autor – o qual não pretendo expor aqui, a fim de não roubar a ninguém o prazer de ler por si o volume – é o de estetização da política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O processo de estetização da política foi marcante, segundo Eksteins, para a formação do ambiente cultural moderno que culminou na aprovação geral do nazismo pelo povo alemão. A estetização, a vida como arte, a busca da beleza, era o grito de revolta de uma geração que rejeitava a história e o peso das instituições tradicionais de uma sociedade considerada burguesa, antiquada e decadente. A busca do novo, da era que estava nascendo diante de seus olhos, tomou formas de culto, tendo em Hitler seu supremo sacerdote. A figura de Hitler, em si bastante contraditória, era adorada a despeito de não representar nada do que pregava. Ele mantinha a imaginação do povo cativa, completamente alienada da realidade circundante, brandindo diante deles uma imagem de um homem novo, um mundo novo, construções de ficção que pela simples força de sua beleza aparente tornaram sua feiúra real algo solenemente ignorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eric Voegelin encontrou contornos distintos nos mesmos eventos. Ele enxergou na ascensão do nazismo um fenômeno religioso, algo que classificava como uma religião política (tese exposta no livro “The Political Religions” e elaborada em “The New Science of Politics”). Os contornos da religião política podem, segundo Voegelin, ser encontrados em diversas sociedades, desde os antigos coptas até os modernistas do século XX. Em sua perspectiva, Voegelin aponta que o fenômeno de construção de uma nova realidade é ligado à idéia de transformar a Terra em um paraíso, o homem em um ser perfeito, e mostra que tal disposição da alma é bem mais antiga do que a nossa modernidade gostaria de supor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei a me perguntar: qual seria a perspectiva mais próxima do fenômeno real? A religião política ou a estetização da vida? A religião política parece carregar o peso da história, ao passo que a vida como arte parece querer jogá-la na lata de lixo, ou talvez recriá-la conforme o desejo da imaginação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A religião política, ligada ao conceito controvertido de gnosticismo proposto por Voegelin para explicar o caso alemão, possui uma longa história, porém não parece carregar, em uma melhor análise, todo seu peso. A atitude religiosa gnóstica – ou revolucionária, como se queira – é ela mesma necessariamente cega para sua própria história, e consiste num salto cego para o futuro. Esse salto cego, realizado por todo aquele que dissipa a razão, a história e a família em prol do desconhecido, é realizado justamente por meio da imaginação. É a imaginação que pinta um quadro atraente do futuro a ser buscado pelo seguidor da religião política. A força das imagens se impõe e, nas mãos de um artista talentoso como Hitler, arrasta a o público para dentro de sua fantasia até a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria, inclusive, de entender melhor por que razão a morte possuía tamanha atração para os seguidores da suástica. A intensidade da vida potencializada até seu limite dando lugar à morte era uma constante na psique perturbada pelo radical deslocamento da realidade sofrido por aquelas pessoas. A morte, então, possuía uma beleza incomensurável, uma beleza que ainda ecoa na mente de alguns artistas, creio eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além desta incursão por um possível motivo que explique a complementaridade das visões sobre a Segunda Grande Guerra e os momentos que a precederam, fica uma dúvida: até que ponto a complementaridade não seria conseqüência de uma semelhança profunda entre a experiência religiosa e a experiência estética? Seria então a revolta artística um espelho da revolta contra a religião cristã no ocidente, empreendida pela teologia liberal e pela filosofia secular do século XIX? Foi a rejeição de Deus, e a subseqüente perda de sentido por parte de tanta gente nas sociedades ocidentais, que lançou toda uma geração a precisar fazer a escolha vil entre Eros e Tanathos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roger Scruton, no volume Modern Philosophy, faz um interessante paralelo entre a religião e a arte, apontando ambas como instâncias em que experiência e sentido estão unidos intimamente. A perda de sentido, portanto, seria um fator que afeta igualmente arte e religião, e ambas, ao deixar órfãos os indivíduos, o deixariam indefeso e entregue à adoração estético-religiosa de uma idéia ou de uma figura política. Francis Schaeffer, um dos mais lúcidos observadores dos eventos mundiais no século XX, avisava que caminhamos para um futuro sombrio, justamente quando o progresso humano parecia mais espetacular, e a vida espiritual genuína, bem como a verdadeira educação, ficavam mais e mais distantes das pessoas. A perda da antítese, nos termos de Schaeffer – que podemos entender como noção de verdade, de absolutos, ou seja, de sentido e referência – é um fenômeno semelhante, com conseqüências semelhantes, ao que foi observado por Eksteins. Seria prudente lembrar, então, das lições da história recente.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Isto nos deixa uma pergunta difícil. Em que medida somos herdeiros daquela geração tão peculiar que provocou e assistiu as dores e o parto da modernidade? Quais são as chances de que, dadas circunstâncias semelhantes, venhamos a repetir suas vidas e o caos extraordinário em que se lançaram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observação metodológica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar em perda de sentido como um fenômeno histórico não é dizer que a mudança ocorra nas esferas espirituais transcendentes, inacessíveis aos seres humanos normais e que depois se deposite assim acabada nas cabeças das pessoas concretas. Schaeffer foi um excelente exemplo de visionário que, como Taine, não deixou de buscar traçar a história das idéias que combatia a fim de demonstrar suas origens humanas, atribuindo idéias e mudanças aos indivíduos que as trouxeram à luz. Entendo que o método tenha uma vantagem muito maior do que a simples precisão histórica que possibilita ao estudioso. A busca por idéias pessoais ao invés das impessoais é também uma maneira de tirar delas grande parte de seu poder. Se acredito, como Schaeffer, que o próprio Deus é um Deus pessoal que se revela a mim e a quem mais o busque e reivindique responsabilidade por tudo o que faz e cria, não faria sentido imaginar que forças históricas ou idéias políticas perambulam por aí, incriadas e assustadoras, como divindades, lançando os homens uns contra os outros sem qualquer tipo de filiação. Em tempo, este aviso precioso foi dado pelo professor Olavo de Carvalho e convém, também nesse caso, indicar a procedência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz algum tempo que escrevi as linhas acima. Desde então comecei a freqüentar (o termo é inexato, porém servirá para o momento) o Curso Online de Filosofia, aprendi o papel imprescindível da imaginação para nos instalar na realidade. Relendo o que escrevi à luz deste novo aprendizado me apareceu o seguinte problema: como vou entender o apelo à imaginação feito por Hitler ou pelos revolucionários, tão distante da faculdade que nos estabelece na realidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este problema me faz pensar de novo em Schaeffer. O teólogo fala, no começo de sua “Trilogia”, da ruptura da unidade do conhecimento, os “dois andares” nos quais a mente humana se dividiu, incomunicáveis e antagônicos. O primeiro é o da razão pura aplicada aos dados sensíveis (ou a ciência, da maneira como é popularmente entendida). O segundo é o da fé e do conhecimento espiritual que dá sentido e orientação à vida do homem (o elemento espiritual). Ora, quando a imagem completa da realidade é inacessível ao homem, uma vez que este não consegue realizar por si a ponte entre os andares isolados do conhecimento, a imaginação não pode instalar ninguém na realidade de forma integral. A faculdade imaginativa será sempre aplicada a um ou outro domínio sem que o sujeito se dê conta do quadro completo que se desenrola diante dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que teria acontecido então? A primeira idéia que me ocorre (e pode nem ser a mais correta) é que o uso feito da imaginação no caso aqui examinado é feita de forma diversa daquela que nos seria salutar. Diante da incomunicabilidade entre os dois andares em que a mente humana se dividiu (evidente que alguns seres humanos individuais escolhem o primeiro andar e outros seres humanos escolhem o segundo) o homem desesperado por alguma forma de sentido e orientação na vida, deferente do racionalismo difuso e pseudo científico, sente de forma pungente a atração do salto cego de fé rumo a alguma forma de sentido existencial e espiritual. O caso é que essa situação foi explorada com maestria pelo Fürher, que apelou para uma imaginação sem acesso à realidade como um todo a fim de fazer dela um instrumento de expressão do impulso de dominação de destruição, projeto no qual foi seguido por milhares de milhares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, a grande obra do diabo é fazer caricaturas monstruosas das criações de Deus. Tudo indica que esse caso não foi diferente, a imaginação que deveria estabelecer o homem no real acabou virando meio de afastá-lo do real e lançá-lo num impulso de destruição devastador.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-3386635433161369695?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/3386635433161369695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=3386635433161369695' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/3386635433161369695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/3386635433161369695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2009/09/sagracao-da-primavera.html' title='A Sagração da Primavera'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-1002171918943081685</id><published>2009-06-17T14:13:00.002-03:00</published><updated>2009-06-17T15:20:46.557-03:00</updated><title type='text'>Em férias</title><content type='html'>Das férias não há muito a dizer. Abracei meus pais, visitei parentes, encontrei amigos, fiz compras, às vezes com gosto, outras à contra gosto. Depois de dois anos reclamando a falta de tempo para estudar o que gosto, minha atenção se dispersa entre visitações, restaurantes, bebedeiras ocasionais que só fazem cócegas à minha consciência e me aborrecem o estômago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo parece um regresso à adolescência tardia que vivi antes de casar. O que me surpreende é o fato de que estive tão afeito a essa vida que hoje já não reconheço. Não me vejo mais como o moleque folgado que passava os dias entre a TV e a internet, roubando algum tempo para os livros quando convinha. Hoje, por simplória que seja minha ocupação, tenho lá minhas responsabilidades, que pesam e ao mesmo tempo dão ao peito certa gravidade e aos pés um alicerce mais firme no real. Diante de tudo isso, a preguiçosa passagem dos dias de férias incomoda bastante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando observo os homens de gênio, o quanto fazem e em quão pouco tempo, fico abismado ao ver quão pouco tenho eu para mostrar na hora de prestar conta dos meus dias. Pensar nisso me incomoda um bocado, ainda que tenha certeza de que minha atenção vagante tratará de esquecer o negócio todo diante da primeira oportunidade de fazer algo menos deprimente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentação diabólica pensar bobagens ao invés de concentrar a mente e o espírito em algo que preste. Nas poucas vezes em que fiz o esforço a recompensa foi grande. Agora que patino nestas reclamações medíocres, nem o pior, nem o melhor entre meus pares, simplesmente perdido em meio à vastidão do mundo assim aberto diante dos olhos, tremo diante da responsabilidade que tanta gente assume sem mais delongas: ser homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certo que minha covardia recede diante da necessidade e do dever, espremido, então, entre a inércia e o impulso que de fora me leva a agir em favor de algum avanço, algo melhor na vida, fica espremido o melhor em mim, a parte que, não fosse minha pequenez, teria achado energia e tempo para fazer algo da vida que ao menos tivesse um sentido identificável. Tenho medo de me tornar mais um caso, nas palavras do filósofo, de vida que poderia ter sido e não foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras dúvidas ocorrem na cabeça desocupada: será que minha propensão intelectual é vocação ou teimosia? Comecei a coisa toda por não saber mais o que fazer. Só sabia ler o que quer que fosse e, confundindo inteligência com leitura, tentei me aprofundar no desenvolvimento do intelecto, tudo para descobrir que na verdade faltava ainda fazer brilhar o espírito, e que a verdadeira vida intelectual se passava fora dos textos dos livros - meros registros, sombras amarelecidas da verdadeira inteligência. Dos livros acabei chagando a algo mais profundo e, embora fascinado, ao ver que o buraco era mais embaixo, me encontrei novamente perdido, para meu desconsolo. No mais, que fim se haverá de dar a tanta inteligência? Bastará que ela exista e ficaremos todos satisfeitos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levei três semanas para sair do zum zum zum patético das férias tão aguardadas e articular estas lamentações. Quanto mais tempo não levarei para fazer algo a respeito... Esta aflição é paralisante. Se não passar sozinha, não sei que fim terei. Só sei que não será bonito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-1002171918943081685?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/1002171918943081685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=1002171918943081685' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/1002171918943081685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/1002171918943081685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2009/06/em-ferias.html' title='Em férias'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-2669396683335233832</id><published>2009-04-28T17:11:00.001-03:00</published><updated>2009-04-28T17:11:04.076-03:00</updated><title type='text'>Permissão para Matar</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Estava assistindo Sleepless in Seattle com minha mulher ontem à noite - um dos meus filmes favoritos, que ela não tinha assistido ainda - fiquei bastante nostálgico da minha adolescência, um evento que não acontece com muita freqüência. Além do próprio Sleepless in Seattle, que é um dos filmes mais enternecedores que já vi, lembrei de um filme fantástico da série 007 chamado License to Kill. A razão é que Carey Lowell, a falecida esposa de Sam que ele vê em sonhos em Sleepless, é a bondgirl Pam Bouvier em License to Kill (hoje ela é mais conhecida como Mrs. Richard Gere).&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Lowell é uma bondgirl incomum, capaz de fazer bonito frente ao agente 007 em qualquer luta, independente e desafiadora. É interessante ver uma bondgirl que não derrete na tela diante da mera presença de James Bond. A química entre ela e Timothy Dalton é perfeita, uma dessas coisas que leva a gente ao cinema para ver. Em poucas ocasiões me vi torcendo por uma dupla de heróis como foi o caso com os dois.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Fiquei impressionado na época ao descobrir que License to Kill fez muito pouco sucesso com o público americano. Grande parte dos críticos concordam que License foi um dos melhores filmes do agente 007, e muita gente concorda em dizer que Timothy Dalton foi o Bond mais fiel aos livros de Ian Flemming. É engraçado, eu sou da geração que viu Pierce Brosnam interpretando o agente nos cinemas e, apesar do charme inegável ator, achei que ele fez algumas das piores interpretações de Bond no cinema; depos de estar acostumado com um bond desses, assistir ao 007 de Timothy Dalton foi uma surpresa muito grata. Ele conseguiu antever a direção que a série teria de tomar (especialmente depois de Die Another Day, possívelmente o pior filme da série) para cativar a audiência e principalmente respeitá-la. O mais interessante é que ele o fez faz uns bons vinte anos.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Os fãs da série, em especial aqueles que tiveram uma boa impressão do Bond atual, fariam bem em assistir License to Kill. É inevitável a comparação com Quantum of Solace, uma vez que em ambos vemos um Bond que renega o MI6 para buscar vingança por motivos pessoais.O Bond de Daniel Craig é, para mim, um remake do de Dalton, sério, determinado, implacável, nada propenso a fazer piadinhas imbecis.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;License to Kill fime tem grandes cenas de ação, capangas memoráveis (como o ator/revolucionário bolivariano Benício del Toro), uma ponta com o Wayne Newton, locações impressionantes, que fazem justiça à tradição dos filmes de 007 de serem úteis guias turísticos e de quebra um grande sucesso nas paradas americanas foi a música dos créditos finais do filme, If You Asked me To, composta por Diane Warren e interpretada por Patti LaBelle. Cada vez mais pessoas, ao que me parece, estão reconhecendo suas qualidades, e gostei de ver que eu não era o único a apreciar este subestimado capítulo da saga de James Bond. Espero ter contribuído para fazer justiça ao filme.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;div class='zemanta-pixie'&gt;&lt;img src='http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=ef913fa2-29bc-8594-a60b-01845fcaeb9b' class='zemanta-pixie-img'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-2669396683335233832?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/2669396683335233832/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=2669396683335233832' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/2669396683335233832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/2669396683335233832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2009/04/permissao-para-matar.html' title='Permissão para Matar'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-5964195373861854309</id><published>2009-02-26T15:55:00.001-03:00</published><updated>2009-02-26T15:55:49.841-03:00</updated><title type='text'>Roger Scruton Fala sobre Música</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Roger Scruton é um dos mais interessantes filósofos da atualidade. Ele publicou sobre uma variedade enorme de temas: política, conservadorismo, arquitetura, estética musical, e por aí vai; também é autor de uma das introduções à filosofia mais bacanas que já tive a oportunidade de ler, o livro Modern Philosophy, que embora trate de filosofia moderna acaba introduzindo a maioria dos problemas filosóficos melhor que muito livreco que aparece por aí.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O artigo que quero apresentar aqui não tem nada a ver com filosofia moderna. Tem a ver com música mesmo. Scruton - que por sinal chegou inclusive a compor uma ópera, embora isso seja outra história - escreveu um artigo bacana no Sunday Times a respeito do aparente sumiço da música na vida diária. Ele toca de leve, como seria de se esperar em um artigo de jornal, no problema estético que representa o consumo de música sem uma boa melodia.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Isso sempre me incomodou, mas me sentia um idiota quando falava minha opinião sobre boa parte da música popular ou pop para alguém. Agora estou vingado. É sempre gostoso ver uma pessoa bem mais inteligente que você confirmando uma opinião enterrada por timidez e pressão social. Mesmo em casa sou desencorajado pela esposa e nossa gata, ambas detestam o canto e o assovio, também mencionado por Scruton, e ambas começam a miar e me arranhar se estou cantando. Uma lástima. Mas chega de digressões. O link para o artigo está aqui:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;http://entertainment.timesonline.co.uk/tol/arts_and_entertainment/music/article5467286.ece&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Sem mais para o momento, despeço-me. Bateu uma vontade louca de atazanar a mulher e a gata agorinha mesmo.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;div class='zemanta-pixie'&gt;&lt;img src='http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=ead30310-88bd-4fbc-bebd-8b9316f43882' class='zemanta-pixie-img'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-5964195373861854309?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/5964195373861854309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=5964195373861854309' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/5964195373861854309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/5964195373861854309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2009/02/roger-scruton-fala-sobre-musica.html' title='Roger Scruton Fala sobre Música'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-7585221306327656224</id><published>2008-12-13T17:09:00.000-02:00</published><updated>2008-12-13T17:18:03.585-02:00</updated><title type='text'>Dies Irae</title><content type='html'>“Contudo, quando o filho do homem vier, encontrará fé na Terra?” Luc. 18:8&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora os cristãos tenham como moeda fácil no seu linguajar a expressão “confiança”, fico me perguntando quantos realmente a sentem. Nossa epígrafe para estas linhas foi escolhida com esta pergunta em mente. As palavras de Jesus diante dos Fariseus que preocupavam-se em descobrir o dia da vinda do Reino de Deus. A passagem dos capítulos 17 e 18 do evangelho de Lucas mostram como, para Jesus, a confiança humana é mal colocada. Ele mostra por uma série de parábolas confiadas aos discípulos o quão vã é tal especulação. Jesus apequena todas as iniciativas humanas de regeneração da raça na passagem, diante da vinda do Reino; Jesus cita os atos de comer, beber, casar, dar-se em casamento, comprar, vender, plantar e construir. O Julgamento será tão terrível que, interrogado sobre o local em que acontecerá o evento, Jesus anuncia que será onde estiverem os cadáveres, naquele local se ajuntarão os abutres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A confiança humana é destroçada por Jesus diante da perspectiva da morte e do julgamento divino. O verso 17:37 não deixa dúvidas de que haverá carnificina e horror. Ao tratar do período de domínio do Imperador Romano (me refiro ao Sacro Império Romano-Germânico), Eugen Rosenstock-Huessy, no livro Out of Revolution, pinta um quadro belíssimo da idéia do Julgamento como um fator decisivo na formação do caráter do cristianismo por volta do ano 1000. A imagem coaduna perfeitamente com a parábola de Jesus nos versos 9 a 14 do capítulo 18, sobre o fariseu e o publicano. O lamento do publicano, “Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador”, é um retrato da situação da cristandade européia na época tratada por Rosenstock-Huessy. A descrição sombria do Dia do Senhor é um convite imediato ao arrependimento e conversão. Não se trata aqui de uma ameaça do inferno, tão jocosamente tida pelos liberais como a grande força por trás da religião. Trata-se da consciência profunda da miséria de todos os homens diante do Juiz supremo, e mais interessante, a consciência da necessidade de que todos os homens passem igualmente pelo escrutínio de sua alma, sem que nada fique oculto. Rosenstock-Huessy sugere que esta visão é fruto da primeira revolução de caráter democrático na Europa cristã. A fundamental igualdade de todos diante do Juiz. Essa camada profunda do cristianismo é tão sólida a ponto de, segundo ele, resiste o poderoso ataque de Lutero à Igreja Romana, seus príncipes e suas hierarquias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico impressionado com a força da idéia do homem diante do trono de Deus. A desproporção entre um e outro infinita, podemos apenas aproximá-la imaginativamente. O ato humano de maior humildade é ao mesmo tempo o de maior coragem: pedir a Deus por sua fé, por sua alma, arrepender-se diante Dele e esperar Dele o perdão. Esta é a essência da inovação espiritual iniciada com Abraão, colocar o homem diante de Deus. Creio que disso deriva a força do "dia de todas as almas", bem como da revolução de Lutero. Penso que a maioria das pessoas, se refletir longamente a respeito deste assunto, terá seu ego destroçado pelo á horror do julgamento vindouro. Permanecemos comendo, bebendo, comprando, vendendo, casando-nos e dando-nos em casamento, porque ignoramos as realidades mais relevantes para nós, a saber, quem somos e o que podemos esperar do futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí está a beleza da descrição de Rosenstock-Huessy do dia de “Todas as Almas”. A beleza encontrada em meio ao horror. O julgamento terrível é condensado de forma ainda mais impressionante no poema Dies irae, e a inspiração do poema é aperfeiçoada no final, quando o autor contrapõe ao julgamento implacável o pedido:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;iuste iudex ultionis,&lt;br /&gt;Donum fac remissionis&lt;br /&gt;Ante diem rationis.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justo juiz de vingança,&lt;br /&gt;Dá-nos o presente do perdão&lt;br /&gt;Antes do dia de prestação de contas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é o melhor que podemos fazer diante do juiz. Porém aquele que o fizer, será justificado diante de Deus. Me pergunto quantas pessoas são capazes de encarar sinceramente dentro de si o horror do Dies irae a fim de encontrar então o perdão e a salvação pela fé em Cristo Jesus. A via é assustadora demais. Quem haveria no mundo com tamanha fé a ponto de se apresentar diante de Deus no dia do juízo confiantes na justificação conferida por Deus por meio de Cristo? Ou seja: “quando o filho do homem vier, encontrará fé na Terra?” Aí está um sentido que até pouco jamais suspeitei ter a expressão “temer a Deus”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o verdadeiro teste da confiança humana. Aí podemos ver o quanto nossa confiança é pouca, o quanto é mal colocada. Nossa fé na regularidade de certas instituições e eventos da vida é nada menos que ridícula. Curiosamente, a única maneira de resistir ao Juízo é confiar na Graça do próprio Juiz. Ele é o único que pode subsistir sua própria ira contra o homem que ousou ofender a Sua glória. Aí vemos o amor de Deus, que nos preserva da ira mais poderosa a fim de insistir na nossa existência a despeito de sua própria justiça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-7585221306327656224?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/7585221306327656224/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=7585221306327656224' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/7585221306327656224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/7585221306327656224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2008/12/dies-irae.html' title='Dies Irae'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-6194343455347427873</id><published>2008-12-13T15:36:00.000-02:00</published><updated>2008-12-13T16:08:34.875-02:00</updated><title type='text'>Tuca</title><content type='html'>Estraho confessar, mas sempre tive um interesse insistente por essas cantoras que morreram jovens demais. Estava procurando na internet informações sobre a Tuca, uma brilhante cantora, arranjadora e compositora brasileira que fez suas andanças pela França e de volta ao Brasil em 75, e que veio a falecer três anos depois, deixando uma obra tanto pequena quanto interessante. Lembrei que também sempre fiquei fascinado com a história da Karen Carpenter. Além da morte relacionada ao mesmo problema, ambas cantam com voz suave, um tanto grave, bastante tranqüila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As semelhanças, no entanto, param aí. Ao contrário da mais que famosa Karen Carpenter, Tuca é um dos mais bem guardados segredos da música popular brasileira; informações sobre sua vida são difíceis de encontrar, e seus albums só recentemente foram disponibilizados pelos bons ofícios do Zecalouro, responsável pelo site Loronix. Muita gente no Brasil e no estrangeiro passou algum tempo sem saber o que acontecera com ela. Os franceses sempre poderão se lembrar do álbum “La Question”, de Françoise Hardy, os brasileiros, além de poderem ouvir os álbuns de Tuca – cujo nome de batismo é Valenzia Zagni da Silva – podem ouvir o excelente “Dez anos Depois” de Nara Leão, que contou com grande participação de nossa heroína.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tuca é da geração que apareceu no âmbito dos festivais universitários de música e aqueles grandes festivais da TV brasileira. Para os mais jovens (também não vivi nada daquilo, mas ao menos sei do que se trata), explico que era assim que alguém ficava conhecido nos idos de 1960, quando não existia MTV. É um período da música que acho bem interessante, cresci ouvindo esse tipo de coisa em casa, por culpa de mamãe (a culpa é sempre da mãe), mas não imaginei que houvesse saído dali uma artista tão criativa quanto Tuca. Achei sei trabalho acima da média, acrescente-se a isso o fato de ser algo pouco conhecido e minha atenção foi completamente cativada. Drácula “I Love You” foi muito ousado, diferente e é altamente recomendado por este humilde escrivinhador. Ali você encontra um misto de tristeza e estranhamento que, nas primeiras audições, me deixou meio sem chão. “Meu eu” é uma viagem curiosa pelo Brasil, pois te leva, às vezes na mesma faixa, por entre universos musicais díspares que se encontram espalhados pelo país, sem esquecer a influência clássica que faz participação especial em trechos do álbum, quase como uma brincadeira – ou assim pareceria se o primeiro álbum de Tuca não fosse, no geral, tão sério. Ah, não deixem de ouvir "La Question", vale muito a pena, embora meu francês macarrônico não me permita entrar em detalhes acerca das músicas. Vale especialmente por ser o melhor disco de Hardy e pelo violão de Tuca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje Tuca teria 64 anos. Não saberemos jamais o que ela teria feito. Esse é mais intrigante dos músicos que morrem jovens, a gente sempre fica pensando no que ficou por vir. Pensar nisso me deixa um tantinho melancólico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. A versão “oficial” da “vida e obra” de Tuca deixa a desejar, mas é a melhor fonte de informação que encontrei até agora: http://br.geocities.com/cantoras_brasil/cantoras/tuca.htm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-6194343455347427873?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/6194343455347427873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=6194343455347427873' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/6194343455347427873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/6194343455347427873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2008/12/tuca.html' title='Tuca'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-5782879064547753836</id><published>2008-09-19T18:02:00.001-03:00</published><updated>2008-09-19T18:13:26.222-03:00</updated><title type='text'>Loronix</title><content type='html'>Sei que esse blogue já está para lá de famoso, mas achei que era o caso de divulgar para aqueles que como eu não sabiam, até ontem, de sua existência. Trata-se do Loronix. Essa página é um dos mais bem feitos, funcionais e interessantes sites sobre música brasileira que já tive o prazer de encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei ali por acidente procurando álbuns dos irmãos Abreu (outro item musical que dispensa qualquer apresentação) e fiquei encantado com o trabalho de arqueologia da música empreendido ali. Os LPs disponibilizados podem ser descarregados em mp3 ou FLAC, o que é uma coisa maravilhosa para os puristas em busca do som não comprimido. Loronix faz o que todas as gravadoras deveriam estar fazendo a muito tempo mas nunca tiveram vergonha na cara de levar a cabo (preferem chorar os lucros perdidos com a internet quando poderiam estar oferecendo obras relevantes em CD para o público epecializado que adoraria pagar para pôr as mãos em tais preciosidades).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficam meus parabéns, e o endereço:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://loronix.blogspot.com/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-5782879064547753836?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/5782879064547753836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=5782879064547753836' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/5782879064547753836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/5782879064547753836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2008/09/loronix.html' title='Loronix'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-4101341266465484738</id><published>2008-09-05T19:29:00.001-03:00</published><updated>2008-09-05T19:39:23.259-03:00</updated><title type='text'>Eleições 2008</title><content type='html'>Apesar de ter lido um bocado no New York Times, na Newsweek, na Time e em alguns sites da internet sobre como  Obama era maravilhoso, eu não tinha ficado muito interessado nas eleições americanas, até essa semana. Quem deu o primeiro alarma de que a coisa ficaria interessante foi Olavo de Carvalho. Ele disse que a melhor coisa que McCain poderia fazer para mudar a maré da corrida presidencial seria indicar Sarah Palin como sua vice. Dito e feito. Por conta dessa mudança extraordinária que ninguém (fora o referido filósofo) teria previsto, acabei me interessando pela coisa toda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;O impacto da energia que a mulher levou para o &lt;i style=""&gt;ticket&lt;/i&gt; republicano foi espetacular. Tanto mais por motivo da maneira como se deu. Palin não foi falar diante de seu partido com o status de Verbo encarnado que toda a mídia norte-americana (com as honrosas exceções de sempre, aquelas em geral desconhecidas no Brasil) tentou conferir a Obama. Palin apareceu como uma mulher absolutamente simples, cujas preocupações são as mesmas dos americanos comuns, cuja história é a de uma pessoa comum que, diante das circunstâncias que se apresentaram em sua vida, teve coragem de alçar-se ao primeiro plano da política em seu estado. Foi assim que sua mensagem tornou-se tanto mais pungente, impressionou por não tentar impressionar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Assisti a convenção do &lt;i style=""&gt;Grand Old Party&lt;/i&gt; e fiquei bastante satisfeito com o que vi. Não se tratou de um espeáculo de fogos de artifício, nem de uma retórica lustrosa que não passasse de mera &lt;i style=""&gt;flatus vocis&lt;/i&gt;. A convenção se preocupou em apresentar tão somente a história e o caráter de seus candidatos, o que fez muito bem, e trouxe um entusiasmo para as fileiras republicanas que não se via ao longo de quase todo o tempo de campanha até agora. A figura de Palin falou fundo ao coração dos conservadores (não só às mulheres mais aos homens também, como bem apontou Chris Mathews ontem na C-SPAN e Ann Coulter hoje na Fox News), McCain fez um discurso simples e direto, de modo a marcar uma grande diferença entre si e Obama, a idéia de &lt;i style=""&gt;straight talk, &lt;/i&gt;opondo o estilo franco e direto ao sinuoso e floreado discurso usado pelo democrata para convencer os americanos a comprar castelos no ar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Curiosamente, fica a impressão de que a promessa de mudança na política americana é mais realizável por meio dos republicanos do que pelos democratas. O discurso de Obama fala sobre mudança, mas fala sobre mudança como algo abstrato, como se a mudança fosse um ideal a ser perseguido, como se ele trouxesse mudança e isso fosse uma coisa boa. Até aí vá lá, mas o problema do discurso vago sobre mudança é o mesmo do discurso petista da primeira campanha bem sucedida de Lula, simplesmente deixar que as pessoas colocassem na grande categoria de coisas a serem mudadas tudo aquilo que as incomoda, sem que isso implique da parte do candidato a mudar o que quer que seja em específico. Trata-se de um embuste completo. No mais, o programa de Obama não traz nenhuma mudança em relação àquilo que seu partido vem propondo há anos e anos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Já a chapa McCain/Palin mostra duas pessoas que ao longo de suas carreiras agiram por conta de seus princípios sem o menor problema em passar por cima de membros do próprio partido e sem muita preocupação pessoal com sua própria imagem. A figura de &lt;i style=""&gt;Mavericks&lt;/i&gt;, usada para descrevê-los, reflete esta postura. Eles são os candidatos mais independentes da corrida, e por tanto mais capazes de trazer à luz a tão esperada mudança.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Entre a velha empulhação democrata e essa estranha combinação de republicanos de um modo ou de outro à margem da chamada elite de Washington, creio que seria muito mais interessante ver os segundos chegarem ao poder. Certamente mais interessante do que ver no salão oval mais um homem da elite intelectual americana, esquerdista, rico, cuja única distinção de todos os outros democratas (presidentes ou candidatos) em um passado recente é a circunstância de ser mulato (porque até onde seu, filho de pai negro e mãe branca é mulato, não negro), e isso em si não vai fazer a mais remota diferença em sua política (afinal de contas, a vasta maioria dos brancos esquerdistas americanos já defende ação afirmativa, única política na qual poder-se-ia esperar que um presidente negro implementasse com mais afinco que um branco). A esse propósito vale lembrar que tão imbecil quanto não votar em alguém pelo fato de ser negro é votar em alguém principalmente por essa razão. Aliás, essa é a definição mesma de racismo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Continuamos a acompanhar com interesse o curso dos eventos. Sem mais para o momento, resta torcer por uma vitória republicana, mas sobre isso é muito cedo para falar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-4101341266465484738?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/4101341266465484738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=4101341266465484738' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/4101341266465484738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/4101341266465484738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2008/09/eleies-2008.html' title='Eleições 2008'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-3272354342270882614</id><published>2008-08-19T13:38:00.001-03:00</published><updated>2008-08-19T13:39:50.229-03:00</updated><title type='text'>Pensamentos Sobre o Tabagismo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Este texto foi escrito originalmente como um post num tópico sobre tabagismo numa comunidade do Orkut. Era mais curto e mal educado. Reformulei para colocar no blog, que afinal de contas é um blog de família. Desse modo, quem estiver reparando a falta das referências a sexo tântrico que constavam do original, bem como das expressões chulas, entenderá que no presente contexto estes elementos não fariam o menor sentido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante da crescente mobilização popular anti-tabagista promovida em diversos lugares no mundo, normalmente orquestrada com apoio institucional de governos e campanhas milionárias, envolvendo desde processos judiciais, filmes e programas de TV até aquelas manifestações do dia a dia feitas por particulares reprovando os fumantes por, ora, fumarem, achei por bem dedicar algumas linhas ao assunto. Trato aqui da argumentos mas também de minha experiência pessoal, que acho pertinente a fim de mostrar diversos aspectos do problema e a fim, também, de sair abertamente “do armário” em relação ao meu próprio hábito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo batista de criação, e tendo por pai um professor de educação física, tudo que ouvi sobre o tabaco fazia-me crer que fumar um cigarro era pior do que abraçar o satanás. É que crente em geral não se preocupa tanto com coisas como mentir um pouquinho, falar mal de alguém pelas costas (com as mais santas intenções), trapacear no imposto de renda, ou outras coisinhas assim, mas se você passar a mão na mulher do vizinho, der um “tapa no beiço” de vez em quando ou fumar o cigarro, ah... As portas do inferno se abrem diante de você, pérfido pecador! Assim tive todos os incentivos para não fumar (e igualmente não beber e não sair com a mulher de ninguém) - desde a ira relativamente contida do professor Gilberto até a fúria do Soberano, o Senhor - conforme o que me diziam. Levei muitos anos para descobrir que depois de fumar eu não houvera me tornado uma pessoa malvada. Ainda possuía muito amor e Jesus no coração (falo sério) e mais, percebia agora muito melhor como se formava o mecanismo do preconceito (sentido na pele), pois ao investigar o assunto, não vi nada no ato de fumar que contrariasse o cristianismo, mas pelo contrário, vi no fumante uma pessoa até mais tolerante na convivência com os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosamente, aquele entendimento de origem puritana – fumar seria coisa do diabo, bad, very bad - que acabou sendo reforçado pelas pesquisas daqueles mesmos cientistas do Reich alemão que usavam judeus como ratos de laboratório (a Alemanha nazista foi a primeira nação a combater abertamente o tabagismo por razões de saúde - estranha coincidência com nosso cenário político atual) é hoje, muitos anos passados, abraçado por pessoas adeptas da religião do saudável, do light, do bem estar, da harmonia; gente cuja perspectiva de felicidade, por tanto, está menos no céu do que nesta Terra - mais um padrão mental perigosíssimo - e está disposta a condenar não só ao inferno, mas a um confinamento domiciliar, às vezes nem sequer isso, todo aquele que incorre em um hábito que polua seus sonhos de um mundo perfeito. Essas pessoas confundem o hábito com o monge, ou melhor, o hábito de fumar (que consideram nojento) com a pessoa do fumante, que passam a considerar nojenta. Ora, uma pessoa nojenta deveria ficar mesmo em casa, trancafiada, pois sua visão causaria um dano estético irreparável no ambiente ao redor do não fumante, o cheiro do cigarro acabaria com o aroma do perfume delicioso do não fumante, e por aí vai...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse tipo de anti-tabagismo não é falso moralismo, é moralismo nenhum. Mais uma formidável ocasião na qual o psicológico atropela o lógico: considera-se imoral aquilo que é meramente contrário ao próprio gosto. Aquilo que incomoda o nariz passa a ser visto como falta de caráter, por como seria boa a pessoa que impõe tamanha pena sobre meu narizinho, acostumado com o ar puro das caminhadas sob o sol da manhã, ou o cheiro inebriante de incenso durante uma seção de Yoga, algo maravilhoso, cósmico, e o mais importante: oriental! Afinal aqueles orientais é que sabiam das coisas. Esse negócio de tradição ocidental de liberdade individual está estragando a cor da aura de muita gente... Assim, o sujeito não é só um fumante, é um canalha, e como toda a mídia passa a fazer coro com a opinião desses tipos, e tantos outros tenham achado por bem fazer coro com a opinião da mídia – afinal ninguém tem tempo para pensar quando se pode comprar as idéias numa banca de jornal (onde antes se podia comprar também cigarros) e o circo está montado: agora é só entregar os fumantes aos leões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com relação à concepção generalizada de que o cigarro deve ser banido por causa do dano provocado por fumo passivo, duas coisas podem ser ditas a respeito. A primeira é que ao contrário da crença popular, fumantes costumam ser pessoas educadas, fumam nas áreas para fumantes de restaurantes, não soltam baforadas nas caras dos bebês, se estão visitando alguém, perguntam antes se podem fumar no quintal ou na varanda, e por aí vai. Se alguém, no entanto, falta com a educação, a resposta mais simples é reclamar com a pessoa, não é chamar a polícia e aplicar uma multa! Nenhum ser humano normal precisa ser convencido pela lei a cumprir regras de boa educação (e sim, os fumantes são, para fins de direito, seres humanos normais). A segunda está publicada neste interessante artigo: http://www.data-yard.net/science/articles/lies.pdf o qual mostra o tipo de informação viciada que está alimentando o simulacro de moralismo dos anti-tabagistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa sociedade mudou. Antes era puritana porque condenava o adultério e o hábito de beber. Agora estamos achando normal cantar a mulher alheia e vinho faz bem à saúde, de modo que está permitido. Fumar, no entanto, o único hábito que não altera seu estado mental e não implica em qualquer imoralidade está ficando proibido. Ao mesmo tempo, outras drogas são liberadas e, para meu grande espanto, as cruzadas moralizantes ainda são feitas contra o cigarro! É uma atitude mais que contra producente, é cretinice mesmo. Um exemplo de vítima dessa atitude é o príncipe dos pregadores, o reformado Charles Haddon Spurgeon, que fez o seguinte pronunciamento numa das ocasiões em que confrontado acerca de seu hábito de fumar charutos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Well, dear friends, you know that some men can do to the glory of God what to other men would be sin. And notwithstanding what brother Pentecost has said, I intend to smoke a good cigar to the glory of God before I go to bed to-night.&lt;br /&gt;"If anybody can show me in the Bible the command, 'Thou shalt not smoke,' I am ready to keep it; but I haven't found it yet. I find ten commandments, and it's as much as I can do to keep them; and I've no desire to make them into eleven or twelve.&lt;br /&gt;"The fact is, I have been speaking to you about real sins, not about listening to mere quibbles and scruples. At the same time, I know that what a man believes to be sin becomes a sin to him, and he must give it up. 'Whatsoever is not of faith is sin' [Rom. 14:23], and that is the real point of what my brother Pentecost has been saying.&lt;br /&gt;"Why, a man may think it a sin to have his boots blacked. Well, then, let him give it up, and have them whitewashed. I wish to say that I'm not ashamed of anything whatever that I do, and I don't feel that smoking makes me ashamed, and therefore I mean to smoke to the glory of God."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In: Christian World, on September 25, 1874&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudando um pouco a atenção do argumento para o problema teológico, que muito me preocupa ultimamente, devo lembrar que os argumentos do tipo “templo do espírito”, recomendando cuidado com o corpo ,baseiam-se normalmente no texto de I Corínthios 6:19-20. Se alguém é imbecil o suficiente para retirar esse texto do contexto e aplica-lo ao tabagismo, eu até posso perdoar ( se bem que já fui chamado de burro por que sou fumante, porém ao menos ainda sei ler...), mas creio que exista uma certa má-fé por parte daqueles que, mesmo com as melhores intenções, ignoram que a passagem começa no verso 12, e trata sobre imoralidade sexual, não sobre cigarros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os fumantes, espremidos entre evangélicos e seculares preocupados com os “pecados” alheios, estão suportando um mau bocado. Como já disse, fui chamado de burro por gente, francamente, muito mais burra do que eu. Já vi gente fazer cara feia para o meu cigarro mesmo estando a uma distância enorme. Assim sendo, mesmo um fumante cuidadoso acaba tendo contato direto com diversas amostras da estupidez humana, não em si mesmo, mas nos outros. Estou cada vez mais convencido de que falta amor no mundo...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-3272354342270882614?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/3272354342270882614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=3272354342270882614' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/3272354342270882614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/3272354342270882614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2008/08/pensamentos-sobre-o-tabagismo.html' title='Pensamentos Sobre o Tabagismo'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-4997113176756483476</id><published>2008-08-18T12:25:00.001-03:00</published><updated>2008-08-20T21:46:39.344-03:00</updated><title type='text'>Louvorzão</title><content type='html'>Já existe um debate um bocado acalorado em andamento a respeito da maneira e conteúdo do louvor nas igrejas evangélicas. Diante da crescente massa de palpites dados a respeito, e do interesse que tenho pelo tema (enquanto freqüentador ocasional de cultos), achei por bem dar meus próprios pitacos a fim de tomar posição em relação ao problema que já causou não poucas dissensões nas igrejas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;A despeito do meu horror a dicotomias simplistas temos, grosso modo, dois pólos disputando o destino do “momento de louvor”. O primeiro deles busca uma liturgia tradicional, com os hinos consagrados nos cantores e hinários, normalmente o grupo é composto de irmãos mais velhos (sou um escritor antiquado, não acho que velho seja ofensa e jamais aderirei ao neologismo politicamente correto “melhor idade”), pastores comprometidos com a ortodoxia teológica e membros que, a meu exemplo, são jovens com alguma preocupação intelectual no que se refere ao conteúdo da mensagem proferida durante a liturgia em todas as suas formas. O segundo grupo costuma ser mais jovem, envolvido com as bandas que tocam na igreja, consumidores de música gospel e preocupados com uma efetiva transmissão de emoção no culto, bem como com o impacto da mensagem a ser proclamada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Primeiro um pouco de história. Entre os protestantes, os luteranos foram os primeiros a utilizar hinos que incorporavam o cancioneiro popular alemão da época de modo a produzir, em 1524 o Pequeno Livro de Canções Espirituais. Lutero mesmo foi responsável por algumas dessas composições, além de ter iniciado a tradição dos &lt;i style=""&gt;chorales &lt;/i&gt;cujo ápice da perfeição foi atingido por Johan Sebastian Bach. Bach, no entanto, não era bem visto pelos pietistas, que favoreciam uma música mais simples, era sim querido dos luteranos, entre os quais podia exercitar sua arte como mais gostava. Já anglicanos e reformados não compartilhavam o entusiasmo luterano por hinos de composição livre, acreditavam adequados somente os hinos contidos na Bíblia, os Salmos em particular. A idéia era de que seria imodesto pretender compor algo mais perfeito do que a Palavra já dispusera nas canções que contém. Ah, e sem instrumentos. Mais adiante na história, Calvino, entre outros, introduziu a paráfrase de Salmos para que a congregação cantasse. A idéia era que a congregação conseguisse também memorizar os hinos e assim ter algum proveito em sua educação teológica. Tal era o intento de John e Charles Wesley, cujas composições e adaptações ajudavam na compreensão da teologia envolvida nos temas cantados. Dessa maneira a Inglaterra abraçou os hinários. Nos Estados Unidos, embora os hinos tenham levado mais tempo para se desenvolverem, especialmente dada a ênfase puritana na simplicidade em tudo, foi estabelecida após a Guerra Civil uma tradição de &lt;i style=""&gt;spirituals&lt;/i&gt; e, durante o avivamento durante o século XIX, surge a música gospel, combustível dos &lt;i style=""&gt;revivals&lt;/i&gt; que varreram o país convertendo milhares. A notoriedade dessa música estava no impacto que ela trazia enquanto meio de evangelização (breve nota: foi o estilo musical que formou e marcou a carreira do rei do Rock and Roll).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Os mais recentes desenvolvimentos da música na adoração, com o advento do movimento carismático em especial, são o xis da questão. São a corrente abra;cada pelo segundo grupo mencinado na disputa pelo louvor. A música produzida nesse período e por esta corrente procura acima de tudo estimular a emoção e a imaginação do ouvinte, caracterizada por alguns como apelo ao lado feminino das pessoas, por outros como porta de entrada para alguma medida de êxtase místico espiritual. (Não disputo a validade de uma busca por tal sentimento, mas a maneira pela qual isso se dá é algo que tem um profundo impacto sobre a vida de uma congregação diante de Deus.) Quando se chega a esse ponto, já se pode imaginar, a razão saiu pela janela. Estaria o primado do pregador na cultura evangélica ameaçado? Por quê?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Fico matutando, em meio à disputa sobre o louvor na igreja, que se o principal objetivo é o cumprimento da grande comissão, e presumindo que estão em atrito dois grupos de cristãos sinceros, então só restariam duas questões a se resolver: a forma da mensagem e o conteúdo da mesma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;A forma da mensagem, no caso da pregação, favorece a persuasão racional. Trata-se da maneira mais fácil de provar por A mais B que Jesus ama o pecador, morreu por ele e que Deus irá chamar seus escolhidos para viver eternamente no céu. Falando desse jeito fica chato, embora preciso. Existe uma infinidade de nuances teológicas a ser explorada e a firmeza da fé de uma congregação, sua compreensão da consistência da fé professada – algo freqüentemente ignorado por uma geração que não viveu os dias em que se levava a fé a sério e em que os embates contra certos elementos nocivos dentro da igreja eram ferrenhos – depende em grande parte do que é exposto na pregação. Justamente por conta da forma expositiva, a mensagem pode ser analisada e inclusive criticada quando é o caso. Nossas defesas psicológicas estão normalmente em alerta quando lidamos com o discurso que declaradamente defende certas idéias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;A forma da música de louvor contemporânea, além da facilitar a memorização da mensagem, como já bem sabia o velho Lutero, pode ser usada para potencializar o efeito da mensagem. Isso ocorre por meio do apelo psicológico natural que o discurso em forma poética – embora isso seja muitas vezes feito com a poesia mais canhestra ultimamente – possui. É um bom meio de convencer. Acrescente-se a isso que no momento do louvor a congregação canta junta, o conforto e a afirmação encontradas nessa atividade (como bem explica a psicologia de massas) derrubam as defesas psicológicas que o indivíduo possui. O discurso em primeira pessoa, carregado de símbolos sentimentais (que renderam milhões a diversos cantores, bandas e duplas sertanejas) aplicado ao louvor, vira instrumento poderoso de evangelização, mas também pode servir como poderoso alienador das mentes dos que cantam sem refletir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Eis o ponto ao qual gostaríamos de chegar. A reflexão, o culto racional a Deus, é o que permite ao cristão conservar a fé intacta, sem se corromper. É um dos pilares da Reforma a reflexão séria a respeito da pessoa, do caráter, das obras e do plano de Deus. Como a breve exposição histórica mostra, grandes teólogos dedicaram sua atenção à construção de um hinário consistente com suas visões teológicas. Os efeitos do conteúdo sadio na forma musical foram vistos pelo mundo todo. Hoje, ao invés de servir como apoio à pregação, a música está em muitos lugares se substituindo a ela. Conforme já expusemos acima, o trabalho expositivo pode ser relevado com alguma facilidade, os efeitos do louvor são mais sutis, porém mais duradouros. É como o velho teste. Ninguém lembra na sexta-feira como foi o sermão de domingo, mas muitos sabem quais as músicas que foram apresentadas. Mais ainda, são capazes de repeti-las.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Agora, como se não bastasse isso tudo, um elemento explosivo foi jogado nesse coquetel evangélico. Um elemento externo ao contexto específico da igreja e que afeta a todos os cidadãos igualmente: a imbecilização geral da população. As novas gerações – a minha é uma grande vítima disso – estão recebendo uma educação que mais parece uma piada de mau gosto. Muita gente dentro das igrejas não gosta dos hinos antigos (aqueles que possuem relevância teológica) porque é burra demais para entender o que dizem. Preferem cânticos mais atuais e mais fáceis, limitados na linguagem e no escopo, um movimento indesejável de afastamento do divino e aproximação com o humano. Não quero dizer que dedico menos amor a pessoas burras, mas é que existe tal coisa como a ignorância nociva. Não são poucos os que possuem uma tendência a considerar tudo o que não entendem como algo alheio ao seu interesse, o que não passa de uma grande cretinice. A poesia fácil de entender elogia o horizonte intelectual do ouvinte e o acomoda em si, ao invés de lança-lo em busca de um conhecimento mais completo do Deus. O emotivismo exacerbado e o apelo à experiência pessoal fazem com que o louvor que deveria dirigir-se a Deus trate principalmente da experiência humana. Não é de se surpreender que este tipo de música acabe se afastando, em umas tantas ocasiões, da sã doutrina. Os esforços de um pregador em estabelecer uma fundação teológica sólida para a congregação é solapada pelo trabalho do grupo de louvor, a despeito de suas melhores intenções. As letras compostas com o ouvinte em mente, mais do que a Palavra, acabam fazendo, por vezes mais mal do que bem, gerando uma série de problemas dentro da igreja e contribuindo para a crescente confusão de um público que por si só já não é e não se quer esclarecido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Ainda resta um aspecto a ser esclarecido: e se o objetivo principal do louvor não for o cumprimento da grande comissão? A música na igreja possui também um outro papel não menos importante, qual seja a exaltação da glória de Deus. Nesse caso o argumento se complica. O caso é que a experiência musical é uma experiência bastante distinta da experiência humana do mundo. O caráter de contemplação pura da beleza de uma composição musical possui inúmeras semelhanças com a contemplação da glória de Deus. Em ambos os casos, nossa experiência destas realidades acaba em si mesma. Assim como a apreciação da música não serve em geral um propósito além de si, a contemplação da glória divina acaba onde começa, em Deus. Não é difícil imaginar a razão pela qual a música nos tenha sido dada, quando consideramos seu caráter quase extra-mundano (é claro que tenho agora em mente muito mais a música de alto nível). Nessa perspectiva de que a música é algo mais sublime do que normalmente cremos que ela seja, o papel do louvor afasta-se ainda mais da perspectiva meramente humana de causar emoções ou de ser facilmente assimilada pelo público. A música passa a cumprir um papel de adoração pura e simples, e uma música feita com o propósito de atender ao mínimo denominador comum humano (e assim ser assimilada e repetida pelo maior número possível de pessoas) é justamente a mais indigna de ser apresentada diante de Deus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;A verdadeira poesia, da mesma forma, presta-se a dizer - de maneira compacta e elegante, abrindo-se para uma pletora de significados - aquilo que a linguagem humana é incapaz de expressar corretamente, mas que é parte da nossa experiência. Não é à toa que a própria Bíblia é repleta de poesia. Dessa forma, nossas línguas e mentes imperfeitas podem transmitir um pouco da experiência da perfeição divina. Querer que a função da poesia seja meramente uma clareza didática e patética é aleijar o culto religioso de uma das formas mais apropriadas para louvar a Deus e contar quem Ele é. Que muita gente seja incapaz de apreciar, sequer no nível mais simples, a diferença entre a grande arte sacra e as coisas que se tem criado nas igrejas ultimamente é nada menos que um sinal dos tempos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Sou levado, por estas razões, a concluir que a barreira entre o secular e o sagrado deve ser mantida em alguma medida, a despeito do desejo mais ardente de converter milhões ou de entreter uma congregação, ou corremos o risco de abraçar o mundo perdendo a Deus no processo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-4997113176756483476?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/4997113176756483476/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=4997113176756483476' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/4997113176756483476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/4997113176756483476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2008/08/louvorzo.html' title='Louvorzão'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-8791274597214948891</id><published>2008-08-06T23:25:00.000-03:00</published><updated>2008-08-06T23:28:22.644-03:00</updated><title type='text'>De volta à carga</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal  {mso-style-parent:"";  margin:0pt;  margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:12.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1  {size:612.0pt 792.0pt;  margin:72.0pt 90.0pt 72.0pt 90.0pt;  mso-header-margin:36.0pt;  mso-footer-margin:36.0pt;  mso-paper-source:0;} div.Section1  {page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Table Normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0pt 5.4pt 0pt 5.4pt;  mso-para-margin:0pt;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Não escrevi aqui ao longo de um bom tempo. Isso acontece e quando em quando. Seria fácil demais empinar o narizinho e dizer que "O que não se pode falar, deve-se calar". A verdade é bem distante das sofisticadas tentativas de enfiar o mundo dentro de uma forma lógica - embora deva reconhecer que o conteúdo da citação é tão verdadeiro quanto evidente. O caso é que estive físicamente cansado demais para dedicar qualquer tempo a uma atividade que foi, durante um longo período, a forma mais rica de contato com o mundo que tive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte do problema se deve ao fato de que estive lutando com alguns volumes de filosofia que restam mal digeridos na cabeça, o que por algum tempo me pareceu mais interessante do que o prazer de dizer qualquer coisa, por mais importante que fosse. Não tenho, no entanto, coragem e nem vontade de abandonar esta página às moscas. Fui acordado do meu sono mental pelo anúncio do post abaixo, o lançamento da nova página do Olavo de Carvalho. Quem conhece a obra do filósofo e lê a minha modesta página sabe que ele em muito me inspira e - embora jamais o tenha conhecido - gostaria muito de pensar que sou de algum modo seu aluno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo elemento que me pôs novamente a escrever foi o efeito levemente anestésico do estudo, ainda que em seu princípio, de Ludwig Wittgenstein. A maneira pela qual ele dissolvia problemas filosóficos por meio de sua terapia, por estranho que pareça, aliviou um pouco o peso do torvelinho de leituras e acontecimentos políticos e sociais que estavam a pôr-me louco. A serenidade com a qual Wittgenstein coloca todo em volta de lado e vai tratar da forma de vida da linguagem ajudou em muito a necessária tarefa de assumir uma perspectiva diferente diante dos fatos, recompor as energias retornar revigorado ao ciberespaço. Quando tiver que cuidar das outras tantas formas de vida nas quais estou metido, aí a porca vai fumar, mas deixemos as agonias de lado. Se não escrever por prazer ou por necessidade, por que seria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como de boas intenções o inferno está cheio, já fomos logo reformulando o blog -  modestamente, como manda o bom conservadorismo - incluindo alguns links e excluindo outros, e tentaremos em breve ousar ainda mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou preparando uma provocaçãozinha sobre o culto em diversas igrejas agora que estou a uma distância segura para fazê-lo. Logo sai. Assim como outras coisas interessantes que nos ocorrerem no caminho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Pedidas as desculpas, estamos de volta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-8791274597214948891?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/8791274597214948891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=8791274597214948891' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/8791274597214948891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/8791274597214948891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2008/08/de-volta-carga.html' title='De volta à carga'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-5428448444690817573</id><published>2008-08-06T20:48:00.001-03:00</published><updated>2008-08-06T20:48:49.565-03:00</updated><title type='text'>Seminário de Filosofia</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;a target='_blank' href='http://www.seminariodefilosofia.org/'&gt;http://www.seminariodefilosofia.org/&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;É o novo site de Olavo de Carvalho. Um esforço de publicar a montanha de material que o filósofo produziu ao longo de duas décadas de atividade pedagógica. Já assinei e recomendo.&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-5428448444690817573?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/5428448444690817573/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=5428448444690817573' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/5428448444690817573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/5428448444690817573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2008/08/seminrio-de-filosofia.html' title='Seminário de Filosofia'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-3720451655167806331</id><published>2008-04-18T19:13:00.004-03:00</published><updated>2008-04-18T20:05:30.142-03:00</updated><title type='text'>Observações rasas</title><content type='html'>Às vezes a cabeça cansa de pensar tantas coisas sérias. Fico dando tratos à bola no tempo livre, tenho um bocado de idéias e depois acho por bem esquecê-las. Toda uma obra filosófico-teológica que se perde entre o primeiro bocejo e o primeiro cigarro com café. Talvez seja melhor assim, pois levar as idéias ao seu desenvolvimento completo daria mais trabalho do que me permite a capacidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As tardes de Dallas são curtas para tudo o que eu gostaria de fazer, mas sobra tempo suficiente para tudo que a preguiça me deixa realizar. Mesmo assim vamos levando. A despeito de todo o molho barbecue, do sotaque gozado e da indumentária caipira, o povo é bastante simpático. Não conheci ninguém muito profundo, mas talvez por isso eles sejam tão alegres. Com 250 canais de TV por 50 dólares ninguém precisa ser muito intelectual. Esta constatação me deixou um bocado solitário uns dias atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gosto de reclamar, mas não fosse pelas reclamações o mundo seria meio sem graça. Seria um poço de estoicismo que tornaria a vida mesma insuportável. Eu mesmo, que nunca fui de querer fazer grandes mudanças na vida e sempre suportei as inevitáveis com aquela cara de paciência bovina, ruminando os eventos que passavam por mim, acabei casando. Casar é a coisa mais perturbadora que existe. É introduzir na sua vida uma pessoa que está insatisfeita a maior parte do tempo. Foi a melhor coisa que fiz na vida. Agora sinto-me a salvo de minha própria inércia. A dinâmica funciona bem; há quem não concorde, mas para mim deu certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora posso reclamar à vontade, sem medo algum, pois no fim das contas, por mais que me achem um imbecil, há uma mulher que me desaprova por todas as razões erradas, mas me ama pelo que sou. Quero ver alguém arranjar um acordo melhor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui em Dallas as pessoas vão muito ao shopping. Há que nunca tenha visto o mar ao vivo, mas já foi ao shopping umas tantas vezes. Eu que nunca liguei muito para o mar acho que o shopping não é de todo mau. Ao menos não tem frango com farofa, só umas tantas bandejas na praça de alimentação. Em termos de entretenimento a cidade tem algo a oferecer. Eu é que nunca fui descobrir o que era. O que não me sai da cabeça é que Fort Worth, a outra ponta do "Metroplex" é uma cidade muito mais caipira e  ao mesmo tempo muito mais cosmopolita do que Dallas. Lá a vida cultural é mais interessante, e concomitantemente existe um inegável jeitão de interior (velho oeste, para ser mais exato). Paradoxo inegavelmente intrigante. Talvez por isso a cidade receba tantos turistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo mesmo preço de uma Pizza Hut você pode comprar uma pizza no Buca di Peppo. A pizza vem com pão e um pouco de pimenta para quem gosta. Massa fina, feita na hora, cheirosa e caprichada. Um delícia. Aqui você pode comer muito mal, mas também pode comer muito bem. É questão de escolha. Embora os EUA ofereçam muitas opções, acho que a cultura de junk food persiste por falta de bom gosto mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida adulta é cheia de pequenos aborrecimentos. A vida infantil só é aborrecida quando nos metemos a imitar os adultos. Todavia, a vida adulta possui uma série de refinamentos que a vida infantil não possui. A vida imaginada, rica, de um menino é substituída por um mundo bem mais pobre um possibilidades, menos imaginativo, porém mais rico em detalhes. O homem é mais capaz de perceber as muitas variações sobre o tema do trabalho, da vida familiar, do sexo oposto, da arte, da cozinha, do convívio social. O que gera angústia em muitos adultos é a incapacidade de superar as possibilidades infinitas da imaginação a fim de abraçar as sutilezas da maturidade. Vêem o mundo adulto do qual participam com os olhos de uma criança e o acham aborrecido. Nada mais natural. Poucos são capazes de empreender a tarefa intelectual de amadurecer. Se digo isso, é por que a vida toda lutei para sair dessa infantilidade ordinária na qual observava viverem os homens.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-3720451655167806331?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/3720451655167806331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=3720451655167806331' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/3720451655167806331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/3720451655167806331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2008/04/observaes-rasas.html' title='Observações rasas'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-7311136210377365079</id><published>2008-02-01T13:43:00.000-02:00</published><updated>2008-02-01T14:30:01.007-02:00</updated><title type='text'>Salvação e Juízo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando penso na ascensão da esquerda, em especial no caso da América Latina, que me toca mais profundamente por razões óbvias, fico um bocado aflito. As vozes que se levantam contra esse levante de loucos - cujos projetos diversos (alguns querem o igualitarismo da sociedade a todo custo, outros querem se perpetuar no poder por suas conveniências, outros ainda procuram exercer um autoritarismo atroz em qualquer esfera de influência que lhes seja confiada) passam todos pela destruição do pouco de civilização que conseguimos alcançar ao custo de muta luta, oração, estudo e trabalho - estão pregando, aparentemente, num deserto de mentes amortecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco consolo há para os que gostariam de ver sociedade e consciência harmonizando-se conforme uma ordem muito maior, a divina, pois todos os dias somos confrontados com o terrível som dos mortos e feridos pelas guerrilhas, pelos criminosos, pelos ditadores. Pouco consolo há porque estes três estão unidos e prontos para tomar de assalto o continente laboriosamente catequizado pelos jesuítas e evangelizado pelos missionários ao longo de séculos, destruindo a obra de salvar almas em prol da construção do paraíso terrestre agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, aqueles que pretendem entender o universo melhor que o criador nos verão mortos, se lhes aliviar as consciências, pois não suportam a verdade. Não suportam ser expostos aos próprios pecados e à própria insignificância. Nós, eleitos por Deus para herdarmos o mundo com Cristo, passamos por isso, e nos arrependemos, confrontamos nossa miséria, nossa degradação radical, nossa alma morta pelo pecado sob cujo signo nascemos. Somos, portanto, mais maduros, menos apressados em perturbar ainda mais a fúria do mundo criado e caído, lançado em confusão. Ao olharmos paro alto buscamos ali o bálsamo para estas feridas, a Palavra de Deus, as consolações do Espírito. Aí nos detemos, basta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes que procuram estabelecer seus reinos aqui são poderosos aos olhos dos homens. Nós nada faremos além do que nos manda o Senhor. Se falamos contra eles é para que, tendo sua insensatez exposta, se arrependam. Mas é necessário que falemos. Ao alçarmos nossas vozes contra o nefasto poderio desta esquerda latino-americana, ou mesmo de toda a esquerda, em sua revolta contra Deus, partilhada por todo bom revolucionário, não anunciamos nada novo. Anunciamos a transitoriedade dos projetos humanos, casas na areia, que caem como todos os impérios. Essa é a melhor visão da política a partir da teologia, a meu ver. Buscamos valores mais elevados, nada transitórios, e os buscamos fora de nós, para que não nos gloriemos. O resto está condenado ao pó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma me veio o consolo. Antes, no entanto, li esta palavra: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Poderá um trono corrupto estar em aliança contigo? Um trono que faz injustiças em nome da lei? Eles planejam contra a vida dos justos e condenam os inocentes à morte. Mas o Senhor é minha torre segura; o meu Deus é a rocha em que encontro refúgio. Deus fará cais sobre eles os seus crimes, e os destruirá por causa dos seus pecados; o Senhor, o nosso Deus, os detruirá!"&lt;/span&gt; (Sal. 94:20-23).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trono corrupto não possui aliança com Deus. Se o afirma, é mentiroso. As injustiças, as vemos todos os dias, sem cessar. Muitos são os que preferem comprometer os princípios em nome de seus objetivos, sacrificam tudo e todos em nome de suas revoluções e seus ideais. Somente em Cristo podemos viver por um ideal e não trair nossos princípios. Se a verdade ó só uma, se nossa meta é viver com Deus, os princípio, os mandamentos, a Graça justificadora, se confundem e não se contradizem, antes cooperam para nos levar ao objetivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já que cremos nesta verdade, e a examinamos de coração sincero, não somos confundidos pelas mentiras do Acusador, nem pelas mentiras daqueles que são da parte dele. Já é hora de deixarmos de comprar a paz perpétua e a felicidade futura daqueles que não podem oferecê-la. Quando fala-se do populismo ressurgente na AL é esse o problema que enfrentamos. As pessoas estão muito prontas a crer a todo custo, mas não conhecem aqueles em que crêem como nós conhecemos e buscamos a Deus. Serão desapontadas para crer no próximo salvador, sem ver que a salvação já chegou, uma única vez, e depois virá o juízo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-7311136210377365079?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/7311136210377365079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=7311136210377365079' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/7311136210377365079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/7311136210377365079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2008/02/salvao-e-juzo.html' title='Salvação e Juízo'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-170496269387641529</id><published>2008-01-25T18:41:00.000-02:00</published><updated>2008-01-25T19:15:59.895-02:00</updated><title type='text'>Desta vez, política e religião.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/R5pOoB0wpBI/AAAAAAAAACc/VDl5tJA4sAg/s1600-h/Hillary-God.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/R5pOoB0wpBI/AAAAAAAAACc/VDl5tJA4sAg/s400/Hillary-God.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5159522772697785362" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;David Horsey fez esse cartoon muito engraçado sobre a Hillary Clinton no Seattle Post-Inteligencer. Ela, assim como Obama, estão procurando amelhar os votos dos evangélicos aqui nos EUA. Só espero que os últimos tenham a sensatez de não acreditar no canto da sereia (a maioria não vai). Os Democratas sempre acabam agindo como os vermelhinhos que são, empurrando aborto, casamento gay e perseguição ao cristianismo para a população.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no Brasil, a extrema direita se espelha no Partido Democrata norte-americano. Ou eles são muito estúpidos, ou crêem piamente que o somos nós. O máximo direitismo permitido no Brasil se inspirando no esquerdismo atroz norte-americano é algo a se pensar. O fato de terem conseguido empurrar esta empulhação para o eleitorado mostra como o Brasil se situa em um universo paralelo, onde nada é igual ao resto do mundo. O Brasil é o mundo bizarro (alguém aí lia Super-Homem?), onde o certo é errado, o bom é mau. Sim, no Brasil o Lex Luthor é herói e o Super-Homem é vilão. Quer dizer... Tem gente aplaudindo o Lula de pé como se ele prestasse para alguma coisa, é óbvio que tem caroço nesse angu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao tema inicial, fico intrigado com o fato de o eleitorado "evangélico" não fazer como fazem nossos irmãos do norte, aceita o esquerdismo lulista como se isso não fosse em si a negação mesma do evangelho. Se o Brasil ainda é vítima do populismo messiânico e da propaganda de esquerda é porque não estamos conseguindo fazer a diferença que deveríamos (acreditar que vai aparecer o salvador da pátria não é compatível com a idéia de que o homem é pecador, caído, danado e ruim mesmo...). A maioria das igrejas inda não é capaz de tomar uma posição firme a respeito do futuro do país, como se o negócio fosse esperar o reino dos céus e deixar o Rabudo pondo fogo aqui na terra. A religião é uma força conservadora poderosa, mas quando as lideranças religiosas preferem se calar diante da ascenção esquerdista, vê-se que estão compactuando com o movimento que visa exterminá-los. Depois vão reclamar nos cultos da falta de ética, valores e não sei mais o que por parte do "mundo". Mas deixam o povo livre para eleger o anti-cristão, o abortista, o amigo do movimento gay... Não quero ouvir um a de reclamação quando tem pastor sendo preso em Cuba simplesmente por exercício regular da profissão por parte daqueles que nada fizeram diante da eleição do amigo de Fidel no Brasil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-170496269387641529?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/170496269387641529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=170496269387641529' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/170496269387641529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/170496269387641529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2008/01/desta-vez-pl.html' title='Desta vez, política e religião.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/R5pOoB0wpBI/AAAAAAAAACc/VDl5tJA4sAg/s72-c/Hillary-God.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-8326651313813473937</id><published>2007-11-27T15:42:00.001-02:00</published><updated>2007-11-28T20:02:36.015-02:00</updated><title type='text'>Lições de Minha Avó</title><content type='html'>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"&gt;                          &lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Hoje estive pensando em minha avó. Com toda sua simplicidade, ela descrevia, ao longo de nossas conversas longas e agradáveis, o que esperava encontrar quando chegasse ao céu. Minha infância foi povoada dessas imagens relatadas por minha avó. Eu ficava escutando, entre curioso e divertido, enquanto ela imaginava, ou talvez antevia, as pessoas que encontraria e a alegria imensa que sentiria ao lado de Deus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;Eu ficava intrigado e tentava entender como vovó conseguia passar cada dia, o dia todo, entretida com esta visão extraordinária. Em sua simplicidade o exemplo de minha avó foi marcante porque ela soube perseverar por anos a fio, lendo a Bíblia com atenção e refletindo sobre o que lia, imaginando e sonhando com as peregrinações do povo de Israel, muitas vezes associadas com as peregrinações dela própria pelo Brasil, de norte a sul buscando um lugar para descansar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;Quanto tempo levei para entender a alegria e o gozo que ela sentia nesses momentos. Quanto tempo levei para enxergar um pouco do que ela mesma me falava, antes de antever a felicidade que aguarda no céu aqueles que foram separados por Deus e salvos por meio do sacrifício de Cristo!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;A sabedoria verdadeira residia ali e eu não era capaz de reconhecê-la. Em ler a palavra de Deus, anunciá-la e esperar pela partida desse mundo. Aguardar uma existência muito mais perfeita ao lado do pai. A partir do momento em que comecei a enxergar estas coisas entendi a razão para a insistência de minha avó em falar a todos quantos queria bem sobre o céu que esperava. Uma vez que percebemos que esta vida não é nada perto do que Deus guarda para nós, queremos rever no céu todos aqueles que amamos nesta terra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;Eis onde está nossa esperança. Está onde não pode ser maculada pelo pecado, consumida pelo fogo da guerra ou devastada pelo gelo da indiferença humana. Tal intuição, longe de irracional ou emotiva, me veio após muito pensar. Não fui o primeiro nem serei o último a ficar perplexo diante desta maravilha da palavra de Deus, que se revela aos simples e também, embora ás vezes com mais dificuldade, aos orgulhosos estudiosos – ensinando a estes a humildade diante da contemplação da sabedoria divina. Foi dessa maneira que o apóstolo Paulo se viu diante da mensagem do Evangelho, sem se envergonhar, mas afirmando, do alto de todo o entendimento que reconhecidamente tinha: “porque &lt;u&gt;conheço&lt;/u&gt; (&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span  lang="PT-BR" style="font-family:Bwgrkl;"&gt;oi=da&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;) em quem tenho crido e estou &lt;u&gt;persuadido&lt;/u&gt; (&lt;/span&gt;&lt;span  lang="PT-BR" style="font-family:Bwgrkl;"&gt;pe,peismai&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;) que ele é poderoso para guardar meu depósito até aquele dia” (2Tim. 1:12).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;O texto revela duas coisas importantes: a persuasão da verdade do Evangelho, e a esperança da recompensa ”naquele dia”. Creio que é um pouco vazio ficar discorrendo somente sobre a primeira parte (como venho fazendo um pouco por gosto um pouco por afinidade com o assunto). Já afirmei de diversas formas que fui persuadido do simples mistério da piedade sobre o qual escreve o apóstolo Paulo: “D&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;eus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto pelos anjos, pregado entre as nações, crido no mundo, recebido na glória.” (1Tim. 3:16).&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt; O que não havia falado ainda era sobre o êxtase provocado pela esperança no futuro. Dessa maneira procuro corrigir-me e afirmar sem vergonha alguma que espero pela vida eterna após a morte, quando serei, com tantos outros, recebido na glória de Deus.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;A felicidade só existe realmente depois que conhecemos o amor de Deus. Esse é o único testemunho que posso dar. O que quer que possamos experimentar de bom neste mundo é uma mera sombra do pouco que hoje antevejo, do que minha avó me descrevia, da vida que povoa meus sonhos, da esperança que me sustenta a cada manhã e ao longo do dia até que este finde, da glória eterna, da companhia do Altíssimo e dos seus santos.&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="poweredbyperformancing"&gt;Powered by &lt;a href="http://scribefire.com/"&gt;ScribeFire&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-8326651313813473937?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/8326651313813473937/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=8326651313813473937' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/8326651313813473937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/8326651313813473937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2007/11/lies-de-minha-av.html' title='Lições de Minha Avó'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-8560505738770464408</id><published>2007-11-24T01:59:00.001-02:00</published><updated>2008-08-06T21:31:59.798-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Reinaldo Azevedo está em ótima forma neste artigo: http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2007/11/mdia-do-contragolpe.html&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mídia do Contragolpe. Até o título é bastante oportuno. Sofremos um golpe por parte da esquerda. Um golpe que substituiu inclusive nossas melhores esperanças de ter algo parecido ocom uma cultura no Brasil por um amontoado de ideologias em torno das quais "artistas" e "intelectuais" auto intitulados procuravam construir alguma coisa que fizesse vir logo o paraíso hipotético prometido pelo esquerdismo revolucionário, e que nunca veio. Agora, é chegado o momento de estabelecer uma contracultura conservadora (também uma contracultura cristã - sem nenhuma referência ao site defunto de Rob Schalpfer - é necessária, mas isso é outra história) a fim de estancar a decrepitude na qual fomos lançados de corpo e alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu ouço - como de fato ocorreu um pouco antes de sair do Brasil - um senhor que apoiava a Ditadura e furava greve com a cabeça erguida defender o Lula, começo a pensar que alguma coisa fizeram nesses trinta anos passados que não é normal por qualquer padrão que se tenha. Espero que possamos acabar com esse estado de coisas como se fez nos Estados Unidos: demonstrando uma gritante superioridade intelectual e de caráter. Nada menos que isso pode trazer ao Brasil um sopro fresco de velhas novidades que um dia trocamos pelos sonhos destes iluminados que agora nos afligem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitem o link, vale muito a pena.&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-8560505738770464408?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/8560505738770464408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=8560505738770464408' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/8560505738770464408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/8560505738770464408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2007/11/reinaldo-azevedo-est-em-tima-forma.html' title=''/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-1218054038006172047</id><published>2007-11-15T00:02:00.000-02:00</published><updated>2007-11-15T00:09:41.247-02:00</updated><title type='text'>Bach, O Quinto Evangelista</title><content type='html'>Existe um site da sociedade Bach do Brasil. Eu nem fazia idéia da existência mesma de uma sociedade Bach do Brasil em primeiro lugar, de modo que achei a descoberta toda maravilhosa. No site da sociedade consta um artigo que achei fantástico, de autoria de Celso Brandt. Não vou me adiantar e falar o que o próprio autor já deixa registrado no artigo, contento-me em recomendar e deixar o link aqui para quem quiser ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.bach-brasil.com/index.php?page=quintus"&gt;http://www.bach-brasil.com/index.php?page=quintus&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A apreciação da estreita ligação entre a arte superior de Bach e a Reforma Protestante é o que me cativou aqui. Confiram.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-1218054038006172047?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/1218054038006172047/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=1218054038006172047' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/1218054038006172047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/1218054038006172047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2007/11/bach-o-quinto-evangelista.html' title='Bach, O Quinto Evangelista'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-2656483938701289278</id><published>2007-11-13T18:02:00.000-02:00</published><updated>2007-12-05T17:59:44.484-02:00</updated><title type='text'>A Cuba de Barrueco</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/RzoDSjJxAQI/AAAAAAAAACI/qKb-1QW9Zv8/s1600-h/Manuelteaching.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/RzoDSjJxAQI/AAAAAAAAACI/qKb-1QW9Zv8/s400/Manuelteaching.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5132418342550831362" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Muitas vezes escrevo sobre filosofia ou política, algumas vezes sobre arte, principalmente sobre música. Sempre achei um exemplo acabado de cretinice, principalmente por parte dos artistas, misturar as duas coisas. Vou tentar escapar de minha censura auto imposta e me aventurar a fazer essa mistura, pois é necessário ressaltar os exemplos formidáveis de artistas que, sem sequer fazer propaganda política, e dizendo mais com sua postura do que com manifestos e coisas do gênero, são capazes de se insurgir contra o mal imposto a milhares de homens e mulheres por governos opressores.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Um dos artistas que mais amo e admiro é o violonista cubano Manuel Barrueco. Não falo apenas do artista celebrado nas salas de concerto do mundo todo, nem do professor dedicado do Peabody Insitute, parte da John Hopkins University, em Baltimore, Maryland. Falo de um artista com alma, que transparece não só nas interpretações musicais, mas na aguda consciência que parece muitas vezes esquecida, em relação ao sofrimento humano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;No documentário &lt;i style=""&gt;Manuel Barrueco, a Gift and a Life&lt;/i&gt;, ele reconta, entre outras coisas, a situação que o levou a aportar em Miami no ano de 1967. Barrueco se recorda que ainda novo, em Santiago de Cuba, via os revolucionários chegando pela rua, suas fardar verdes, as barbas, após a derrubada do governo cubano pelos guerrilheiros de Fidel, como se fossem anjos. Logo após ele conta como ficou desapontado, ao ver as liberdades de seu povo caindo uma por uma, e como ficava preocupado com sua mãe, que não se contentava em pensar ou falar somente coisas aprovadas pelo governo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;O artista (e aqui eu falo de artista em um sentido estrito, não dos tratantes que se auto intitulam artistas) passou pelo processo de esperar por cinco anos antes de ter sua saída de Cuba aprovada, junto com a família, e narra como se deu sua chegada aos Estados Unidos. Quando finalmente saiu, foi uma das experiências mais dolorosas de sua vida até hoje. É uma história comovente, na qual fica a profunda impressão de uma dor e uma tristeza pela necessidade de deixar a terra natal. Ele demonstra uma grande simpatia pelos refugiados cubanos que, desesperados, se lançam na água em botes precários para alcançar a liberdade. E leva este sentimento muito a sério.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Seus amigos ouviram dele em primeira mão o drama de não ter liberdade, não poder sequer deixar seu país, por pior que isso possa ser, para buscá-la. O problema político é tão grande para Barrueco que ele não vai visitar a irmã que não vê há anos por não se permitir ir a Cuba enquanto Fidel e seu regime se mantiverem na ilha.&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt; Um dos mais dolorosos desapontamentos que sofreu foi ver seu grande ídolo, o compositor Leo Brouwer, manifestar apoio ao governo cubano no episódio da execução das pessoas que tentaram seqüestrar um barco e fugir da ilha em abril de 2003.&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt; O grande amor por Cuba deste refugiado, que prosperou nos EUA por seu talento e trabalho, é realmente tocante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Tamanha integridade, quando seria mais fácil voltar e ser muito bem recebido em Cuba, seu testemunho do sofrimento causado pelos revolucionários que põe a causa acima das vidas alheias (poucas vezes das próprias, a menos que sejam inocentes úteis colaborando com o que nem bem conhecem) é algo a ser aspirado e imitado. Fico imaginando se ele talvez não volte por saber que a Cuba que encontrará não será a sua Cuba, aquela da qual tem saudade, e sim uma ilha desfigurada por tantos anos de  construção do "paraíso socialista".&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Quanto à arte de Barrueco, creio que haja pouco que eu possa acrescentar além do que os jornalistas, críticos, público e as próprias gravações já deixam claro. É um grande astro do violão erudito hoje, certamente o mais brilhante de sua geração (confesso isto apesar de todo o respeito e atenção que dedico a Sharon Isbin, David Tanenbaum, Eliot Fisk...), certamente um intérprete que não será esquecido nos anos por vir. Longe de ser um conservador na música como o era Segovia (bem, Segovia sempre me pareceu um conservador em praticamente tudo, um tipo bastante &lt;i style=""&gt;old fashioned&lt;/i&gt;, o que para mim nunca foi demérito) Barrueco procura fazer pontes entre a música erudita e as demais formas de expressão musical, tendo feito álbuns dos mais interessantes como &lt;i style=""&gt;Nylon and Steel &lt;/i&gt;(com Al Di Meola)&lt;i style=""&gt;, Sometime Ago&lt;/i&gt; e &lt;i style=""&gt;Manuel Barrueco Plays Beatles&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Muito embora prefira o Villa-Lobos dos irmãos Assad ao de Manuel Barrueco, tenho cá comigo que ele foi excepcionalmente feliz em todas as interpretações que escutei. Seu Bach soa como música feita diretamente para o céu, como, na minha opinião, Bach deve sempre soar. O álbum de Bach e deVisée é um dos álbuns que mais me marcaram (com a Partita no 2, BWV 1004 in D minor de Bach, a obra que me introduziu ao violão erudito) e sempre lhe serei grato por me ter proporcionado tão bons momentos na companhia de sua música.  Um aparte pessoal: lembro de ter gravado na TV e assistido com meu amigo Eduardo uma apresentação de Barrueco em que ele tocava o Concierto de Aranjuez e algumas coisas do Chick Corea. Assistimos a fita tantas vezes ao longo dos próximos meses que ela quase não resistiu. Passavamos horas contemplando o vídeo, os olhos fixos nas  mãos do violonista. Esse tipo de fascinação não é inédito em se tratando de um músico verdadeiramente extraordinário.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Longe de ter uma técnica calcada somente na velocidade, como acusa Luís Nassif (um homem que, a meu ver, entende tanto de música quanto Bob Esponja entende de Leibniz), Barrueco apresenta uma sensibilidade tão grande a ponto de fazer com que nos esqueçamos dele e sintamos, deliciados, música pura passando por dentro de nós. Sua sensibilidade é integral, artística e humana. Sua história é inspiradora. Por estas razões rendo minha homenagem ao grande artista Manuel Barrueco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-2656483938701289278?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/2656483938701289278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=2656483938701289278' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/2656483938701289278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/2656483938701289278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2007/11/cuba-de-barrueco.html' title='A Cuba de Barrueco'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/RzoDSjJxAQI/AAAAAAAAACI/qKb-1QW9Zv8/s72-c/Manuelteaching.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-5680833453201341143</id><published>2007-10-29T18:23:00.000-02:00</published><updated>2007-10-29T18:25:23.293-02:00</updated><title type='text'>E. V.</title><content type='html'>Tenho falado muito sobre Voegelin recentemente porque ele é o filósofo que tenho estudado com mais cuidado, e cuja obra estou fazendo todo o possível para digerir. Espero que não me achem muito chato por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ab.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiago&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-5680833453201341143?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/5680833453201341143/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=5680833453201341143' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/5680833453201341143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/5680833453201341143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2007/10/e-v.html' title='E. V.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-1694891375123568631</id><published>2007-10-29T18:13:00.001-02:00</published><updated>2007-10-29T18:13:42.679-02:00</updated><title type='text'>O abismo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Existe um abismo intransponível entre o ser humano e Deus. Isso foi percebido pelo primeiro quando se deu conta pela primeira vez que sua existência era finita, mas que outras coisas no mundo permaneciam inalteradas. Este insight fundamental deu origem às primeiras especulações a respeito da divindade e foi o fundamento sobre o qual a religião se estabeleceu. Tal é a interpretação que Eric Voegelin dá aos provaveis eventos, se não históricos, ao menos lógicos, na busca do homem pela ordem do ser.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;É importante colocar as coisas desde a origem em seu devido lugar. Algo importante que Voegelin esclarece é que especulação teológica é uma especulação sobre a realidade. Este dado fundamental deve ser considerado e me parece ter sido esquecido. O pensamento especulativo voltado para a natureza acabou por se afirmar com tal firmeza no pensamento ocidental que temos às vezes a impressão errada de que a teologia não diz respeito à realidade. A sanha desmistificadora de pretensos cientistas, aliada à confusão causada pelas seitas e pelos cultos que acabam por falsificar a verdadeira religião (um dado quase tão antigo quanto a religião em si, uma vez que a Bíblia já relata a existências de feiticeiros e divinadores que deveriam ser evitados) são fatores que nos atrapalham na tarefa de procurar uma compreensão abrangente da realidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Mesmo os cultos a divindades em forma de animais, divindades incorporadas em reis, deuses identificados com os astros, que muitas vezes são vistas em nossos dias como algo estranho, como uma espécie de crendice da infância da humanidade, são resultado da especulação teológica possível para aqueles que iniciaram tal atividade. Sua intenção era identificar aquilo que era perene, e separar do que era efêmero. Esta orientação da alma humana em relação ao eterno já é, mesmo nas suas formas mais antigas e pouco usuais para nós, um passo na “direção certa”, se o objetivo for um maior conhecimento a respeito da ordem do ser. Conforme a crítica corrosiva em relação à verossimilhança destas formas menos acabadas de especulação teológica foi colocando os velhos paradigmas em crise, o conhecimento mais perfeito do ser pode chegar à humanidade, com a revelação de Deus ao povo hebreu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;A especulação filosófica iniciou também a nossa conhecida ciência, ou, como já se chegou a dizer por um bom tempo, a filosofia natural. Tal especulação foi, assim como a teológica, uma tentativa de apreender a realidade, fosse a realidade da phisis, fose aquela que está além da phisis (metafísica). A atividade do folósofo também possui uma tônica: descobrir aquilo que é perene em meio a um mundo repleto de efemeridades. Descobrir os padrões e ciclos, as regularidades, as coisas que podemos saber ao certo sobre a natureza, sobre a alma, e assim por diante. O objetivo da especulação filosófica, a orientação em direção à sabedoria, acaba por ser identico ao impulso inicial da especulação teológica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Desse modo, a reflexão filosófica e a especulação teológica são, conforme a perspectiva aqui adotada, irmãs. Esta consciência tem um profundo impacto sobre a mente que a percebe, uma vez que acaba por alterar uma série de pressupostos feitos de péssima metafísica segundo os quais não poderíamos nos reaproximar de Deus sem antes relegar a razão para um distante segundo plano. O desvendamento da vida espirtual assim entendida acaba por revelar ao homem que antes de suspeitar a extensão toda da realidade (embora não seja possível conhecê-la por inteiro) ele era menos que homem, era uma espécie de deficiente espiritual. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Quanto ao abismo, ele não é exatamente intransponível, mas sua transposição é um mistério tão tremendo, obra da graça divina, que seria inútil um esforço aqui de tentar abraçar também esta questão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-1694891375123568631?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/1694891375123568631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=1694891375123568631' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/1694891375123568631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/1694891375123568631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2007/10/o-abismo.html' title='O abismo'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-2967647392688076173</id><published>2007-10-24T22:20:00.001-02:00</published><updated>2007-10-29T18:22:06.055-02:00</updated><title type='text'>Voegelin - Order and History vol I - Introdução</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Este texto é uma tentativa de colocar em ordem no pensamento as princiapis idéias contidas no começo do primeiro volume de Order And History, a monumental obra de Eric Voegelin. Essa tentativa de organizar as idéias expostas por Voegelin é de minha inteira responsabilidade, mas se for bem sucedida mais partes da leitura que estou fazendo serão &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;publicadas. Sigo a mesma ordem dos capítulos do livro, pois isto é na verdade uma leitura. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-size: 36pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;font-size:100%;" &gt;Introdução.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Para Voegelin, a realidade e abarcada em sua completude pelo &lt;b&gt;ser&lt;/b&gt; (being). O ser tem uma estrutura quaternária: Deus, homem, mundo (suponho que seja a chamada ecumene, mas não estou bem certo para afirmar) e sociedade. Os quatro elementos formam mais propriamente o que Voegelin chama de “&lt;b&gt;comunidade do ser&lt;/b&gt;”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Onde exatamente entra o homem nessa comunidade? A comunidade do ser é parte de nossa experiência na medida em que somos participantes dela. Experimentamos a comunidade por dentro, existimos nela, mas ao mesmo tempo temos consciencia disso. (Esta condição tipicamente humana é, alias um dos mais interessantes aspectos da antropologia filosófica e deve estar em mente ao longo de qualquer estudo de filosofia). O conceito chave aqui é participação. Para explicá-lo convém a metáfora de que o homem e um ator, e não apenas um expectador na comunidade do ser (esta idéia me lembrou imediatamente de Viktor Frankl, que disse a mesmíssima coisa em “Man’s search for meaning”). A &lt;b&gt;participação no ser&lt;/b&gt; é o que chamamos de &lt;b&gt;existência &lt;/b&gt;(lembrem-se aí que ser e existir são coisas distintas. Essência tem um carater mais perene do que a simples existência. Não sei bem quando essa lição foi esquecida, mas estudiosos de Santo Agostinho, por exemplo, sempre tiveram ocasião de lembrar que nunca era perguntado como se faz hoje, se Deus existe. Perguntava-se se Deus é). Mais exatamente o homem é uma parte do ser que consegue experimentar a si próprio como parte do ser, ademais, podendo usar a linguagem, o homem consegue chamar esta consciêcia que experimenta de “homem”. Assim, no ato da evocação, do chamamento do nome “homem” o homem constitui a si mesmo enquanto tal, e no entanto sai sabendo tanto quanto sabia na hora em que entrou, ou seja: nada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;O fato de que o homem é vitima de uma brutal ignorância sobre si mesmo que é chamado por Voegelin de “ansiedade da existência”. Embora o homem esteja numa situação em que é impossível ter conhecimento total do ser (porque o homem é parte do mesmo ser), é possível saber algo acerca da ordem &lt;b&gt;do ser&lt;/b&gt;. A fim de conhecer a ordem do ser, o homem recorre então aos símbolos como forma de se lançar para além do conhecido e do conhecível.&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;br /&gt;O processo de simbolizção possui alguns aspectos típicos que convém apontar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;1.&lt;br /&gt;Predominância da experiência de participação. A comunidade do ser é experimentada como algo muito próximo dos homens. Existem elementos da natureza, como plantas, animais, rochas, etc, imbuídos de vontade e sentimentos. Em muitos casos, esses elementos podem ser homens ou duses transformados. Não se vê fronteira rígida entre homem, deuses e natureza, todas as coisas podem se tornar todas as coisas (note-se aqui como a diferenciação nessa fase é pouco desenvolvida, o ser se apresenta ao homem como um todo bastante compacto).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;2. Preocupação com a permanência (&lt;i&gt;lasting&lt;/i&gt;) e a decadência (&lt;i&gt;passing&lt;/i&gt;). Esta preocupação vazada em termos genéricos é bem conhecida de nós; vida e morte, criação e destruição. É a consciência, nessa fase, de que algumas pessoas vivem mais que outras, que a sociedade sobrevive as pessoas, o mundo dura mais que as sociedades e os deuses estiveram presentes antes a criação do mundo e estarão presentes depois de seu fim. Aí já se pode enxergar uma hierarquia, um princípio de ordem entre os quatro componentes do ser.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Assim, na existência experimentamos a mortalidade, pois o ser dura enquanto nossa existência acaba. No ser, negativamente, experimentamos a imortalidade. A experiência do ser pode colocar o homem em harmonia com o ser. Harmonia, no entanto, é uma tradução pobre para &lt;i&gt;attunement&lt;/i&gt;, mas Voegelin define o termo no próprio livro: “estado da existência em que esta tende para aquilo que é permanente no ser...” (p.4). Sentimos que pertencemos ao ser ao qual retornaremos. Assim, muito mais que o medo da morte, ao perceber a finitude da existência, tememos perder nossa breve participação no ser. Esta é a faceta mais profunda da “ansiedade da existência” que Voegelin retrata.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;3. Criação de símbolos para explicar por analogia o desconhecido ou incognoscível para fazê-lo inteligível. A analogia pode acontecer de duas formas: comparando-se a sociedade ao cosmos &lt;b&gt;(&lt;i&gt;microcosmos&lt;/i&gt;) &lt;/b&gt;ou comparando a sociedade ao homem &lt;b&gt;(&lt;i&gt;macroanthropos&lt;/i&gt;).&lt;br /&gt; &lt;!--[if !supportLineBreakNewLine]--&gt;&lt;br /&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Estas formas aparecem cronologicamente nessa ordem. A primeira surge naturalmente, a segunda surge após a desintegração do império simbolizado como cosmion (microcosmos). O modelo para a simbolização da próxima forma será então a alma humana ordenada, orientada na direção de Deus, e nela se vê o padrão pelo qual ordenar a sociedade. Tal transição é o que Toynbee chama de &lt;b&gt;época de turbulência&lt;/b&gt; (&lt;i&gt;time of troubles&lt;/i&gt;). Assim, diante da crise, a sociedade cosmológica acaba por alterar a sua simbolização do ser, da ordem visível, imanente do cosmos para a ordem invisível, transcendente, do ser, experimentada nos movimentos da alma humana.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;4. O homem percebe que a sociedade é simbolizada por analogia, por causa da pluralidade de símbolos possíveis, nenhum deles, creio eu, exato em sua represntação, por força da relação mesma de analogia. Desse modo, os símbolos diversos convivem lado a lado e há ma tolerância grande entre as diversas sociedades e os símbolos que as representam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;O limite do simbolismo cosmológico é atingido em uma civilização quando a reflexão sobre os símbolos faz com que sejam julgados inadequados (falta-lhes verossimilhança, diria Xenóphanes). Os deuses começam a aparecer dentro de uma hierarquia, depois, vem a fase limite do &lt;b&gt;sumodeísmo &lt;/b&gt;na teologia. Deuses, posteriormente, passam a ser vistos não mais como fortes ou fracos, mas como verdadeiros ou falsos (a Bíblia, no Velho Testamento, tem várias passagens que mostram essa visão da teologia). Esse movimento indica uma aproximação cada vez maior do monoteísmo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;O que toma lugar então é chamado por Voegelin de “ênfase de diferenciação na área da ignorância essencial” e “conseqüente distinção entre a realidade imanente cognoscível e a realidade transcendente incognoscível”. (p.9). São estes os avanços conseguidos na superação do modelo cosmológico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Nesta fase de mudança, o homem deixa de procurar a ordem do ser na sociedade ou na natureza e começa a olhar para Deus em buscada ordem. É isto que se pode chamar de &lt;b&gt;Conversão&lt;/b&gt;. Não é algo que é causado pelo homem ou pela sociedade, mas algo que acontece com o homem ou a sociedade. Este evento é chamado de “&lt;b&gt;salto no ser&lt;/b&gt;” (&lt;i&gt;leap in being&lt;/i&gt;), conceito importante neste e em outros estudos de Voegelin. Nossa participação “mundana” no ser, seu aspecto imanente ligado à existência e cercado pela finitude não acaba com a conversão e o salto no ser. A &lt;b&gt;parceria&lt;/b&gt; (&lt;i&gt;partnership&lt;/i&gt;) com Deus deve andar lado a lado com a participação na velha existência. O homem deve andar a partir daí consciente de ambas a velha e a nova verdade sobre o ser.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-2967647392688076173?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/2967647392688076173/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=2967647392688076173' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/2967647392688076173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/2967647392688076173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2007/10/voegelin-order-and-history-vol-i.html' title='Voegelin - Order and History vol I - Introdução'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-663453310513913844</id><published>2007-09-10T19:52:00.000-03:00</published><updated>2007-09-10T19:57:34.021-03:00</updated><title type='text'>Escrevendo demais</title><content type='html'>Uma notinha personalíssima: estou me sentindo um bocado amuado aqui em Dallas, tenho passado muito tempo sozinho, não ando bem. Sempre que isso acontece me dá um surto e começo a escrever. A isso se deve a recente atividade no Folhas Dispersas e no Prudence Regained. Muito tempo livre e muita coisa para tirar do sistema.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-663453310513913844?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/663453310513913844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=663453310513913844' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/663453310513913844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/663453310513913844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2007/09/escrevendo-demais.html' title='Escrevendo demais'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-2528147659690031130</id><published>2007-09-10T17:32:00.000-03:00</published><updated>2007-09-10T19:50:53.401-03:00</updated><title type='text'>Taiguara e a Chicolatria</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/RuXJZ247UkI/AAAAAAAAACA/_Y5Bkle9GuY/s1600-h/taiguara.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/RuXJZ247UkI/AAAAAAAAACA/_Y5Bkle9GuY/s320/taiguara.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5108710798389891650" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/RuXJRm47UjI/AAAAAAAAAB4/9c9h8YzkqV4/s1600-h/chico_buarque_divulga_115.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/RuXJRm47UjI/AAAAAAAAAB4/9c9h8YzkqV4/s400/chico_buarque_divulga_115.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5108710656655970866" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou por esses tempos pensando um pouco num fenômeno cultural brasileiro que sempre me entrigou, o qual se resume no nome Chico Buarque de Holanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro problema relacionado ao fenômeno Chico é que quem quer que venha a tecer alguma crítica contra o trabalho do sujeito já precisa começar pedindo mil desculpas, fazendo mesuras e arriscando ser massacrado assim mesmo. Não pedirei desculpas, por tanto, e a crítica começa já por aí. O que é que existe de tão religioso na adoração ao Chico Buarque que não permite que o sujeito seja alvo de qualquer comentário, crítica, sugestão, adendo, aparte, nem uma olhadela meio torta? O cúmilo dos cúmulos foram aqueles sujeitos que, por ocasião do flagrante de adulterio envolvendo o músico em plena praia, disseram algo do tipo "Para o Chico eu liberava minha mulher..." Vai ser lambe saco assim no inferno. Esses sujeitos mereciam no mínimo um pedido de divórcio por parte das suas respectivas senhoras. O cara que diz uma coisa dessa está claramente acometido de uma doença que meu velho pai diagnosticava em muita gente, com altíssimo índice de acerto: tesão no cu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí tem a coisa de que o Chico entende o coração feminino como ninguém. Minha cara senhora, se o Chico entende bem o seu coração feminino a senhora deve trabalhar na zona, porque eu nunca vi um sujeito com uma produção tão grande sobre prostitutas quanto ele, com exceção talvez do Oscar Niemayer (por sinal, os dois são formados em arquitetura, comunistas declarados e unanimidades entre nossa esquerda chique). Se o seu coração foi desvendado pelo Chico Buarque, é por que talvez o grande antropólogo Nelson Rodrigues esteja certo sobre as mulheres, e talvez seja uma boa hora para a senhora mudar de profissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mais, se você é comunista, petista, socialista, meio lerdo das idéias ou simplesmente mau-caráter mesmo, é bem provável que tenha uma profunda admiração pelo Chico Buarque por sua emblemática luta contra a Ditadura, seu jeito de estar ao lado do povo, e toda aquela lenga lenga. Surpreendentemente, até entre os brasileiros mais conservadores existe um bom número de pessoas que acha que o Chico se salva, ele é comunista mas é um grande artista, e por aí vai. Se você se encontra em algum desses casos, abra um pouco os horizontes musicais, porque desde que o dito Chico estudava na FAU, existia na Maria Antônia um cara do Direito Mack (sou franciscano, meus colegas me desculpem, mas esse mackenzista de salva) chamado Taiguara que, segundo consta, foi muito mais comunista do que o Chico (amigo do Prestes, militante descarado, mas sem babaquice nas declarações), muito mais perseguido do que o Chico (umas 100 músicas censuradas, albums recolhidos, foi o primeiro artista da MPB a lançar disco no exterior e não aqui por causa da ditadura) e o mais importante: foi muito mais talentoso do que o Chico jamais vai ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei muito do Taiguara ao pensar nessa "chicolatria" brasileira porque sempre que eu ameaçava reclamar do Chico Buarque alguém me dizia, meio espumanodo de raiva, se eu conhecia artista melhor. Conheço muitos. Para mim o melhor músico mais ou menos popular em atividade no Brasil é o Elomar Figueira de Melo, sem favor nenhum, mas se eu citasse alguem de outro estilo, época ou orientação ideológica iam falar que persigo o cara porque fazia samba (mas eu gosto de samba...), por que era comunista (mas não precisava ser tão cretino), ou algo assim, todavia, pela proximidade entre um e outro, o Taiguara é um exemplo perfeito para esfregar na cara dos chicólartas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taigura escrevia músicas com um lirismo absoluto, uma sensibilidade imensa, um profundo otimismo em boa parte das canções e uma capacidade para apreender o belo, o bom, tanto na composição da música quanto na poesia. Já o Chico Buarque sempre teve um faro para o mesquinho, o baixo, o sujo. Ele pegava o popularesco, o cortiço, e dava uma roupagem poética para aquilo. Essa era sua poesia boa parte das vezes. Taiguara tinha, ao que me parece, mais alma, estava orientado (a despeito de sua ideologia) para coisas mais elevadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ironicamente, para mim, Taiguara gravou Chico Buarque, não sei em quantas, mas ao menos em uma ocasião. Foi uma coisa boa, porque ao contrário do Chico, Taiguara possuía uma voz extraordinária. Nem sei bem como descrever uma voz como a dele; talvez descreva como leve, límpida, clara e bem projetada, como um arauto anunciando uma boa notícia, um tanto risonha em certas ocasiões, e bem lírica, sussurrada e mansa em outras. O fato é que como intérprete e instrumentista, também, dez a zero para Taiguara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Diante desse exemplo paradigmático, sou obrigado a concordar com o Olavo de Carvalho quando diz que o brasileiro sempre escolhe para admirar e idolatrar aquilo que é de pior qualidade. Isto posto, há que se considerar que o aspecto ideológico da música não se salva em nenhum caso (embora eu ouça tanto o Chico Buarque quanto o Taiguara - agora já se sabe qual deles prefiro - e goste da música deles, afinal cresci ouvindo e continuo gostando). Posso inclusive dizer que o Cavaleiro da Esperança é uma música espetacular, tanto a melodia quanto o ritmo mostram a criatividade de Taiguara de forma exemplar, mas não tem levar a sério a louvação da figura mitologizada do Prestes. Do mesmo modo, quando Chico Buarque faz um fado como Tanto Mar (sou bisneto de português, fã da Dulce Pontes, da Amália Rodrigues...) acho que a música está super bem arranjada, a música realmente é cantável sem ser exagerada, está bonita, mas ficar homenagiando a Revolução dos Cravos, o golpe de misericórdia no Império Português, tornando o país uma aberração em plena Europa ocidental, é demais para quem não é um socialista irrecuperável como um Saramago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revisionismo historico já. No Brasil isso precisa ser feito em relação a nossa história recente, pois ela está sendo toda escrita pela esquerda champanhe (que é chique ou tenta - com variados graus de sucesso - fingir que é) representada pelo PT e petistas. Esta é minha pequena (quase marginal) contribuição.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-2528147659690031130?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/2528147659690031130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=2528147659690031130' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/2528147659690031130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/2528147659690031130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2007/09/taiguara-e-chicolatria.html' title='Taiguara e a Chicolatria'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/RuXJZ247UkI/AAAAAAAAACA/_Y5Bkle9GuY/s72-c/taiguara.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-6635626268754783948</id><published>2007-08-22T12:22:00.000-03:00</published><updated>2007-08-22T13:11:11.211-03:00</updated><title type='text'>Sobre o casamento</title><content type='html'>Faz uns poucos anos eu escrevi neste espaço sobre a sensação nova que era estar namorando. Desde entao passou muita água debaixo da ponte, me desencantei, mas acabei, pouco depois, por conhecer aquela que viria a prometer ser minha companheira pela aventura da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por conta disso vim parar em Dallas, como bem sabem meus amigos, e agora somos só os dois, como nos versos de Milton que tanto me tocaram quando li pela primeira vez:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"The world was all before them, where to choose&lt;br /&gt;&lt;a name="646"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Their place of rest, and Providence their guide.&lt;br /&gt;&lt;a name="647"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;They, hand in hand, with wandering steps and slow,&lt;br /&gt;&lt;a name="648"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Through Eden took their solitary way."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu achava que sabia o significado deles. Agora descobri qua não sabia nada. Os versos contam a queda do homem e a expulsão de Adão e Eva do paraíso. Com esta expulsão começa o relato bíblico da perigrinação do ser humano pelo mundo que "estava todo diante deles". O povo de Deus é um povo de peregrinos, e viver nesta terra, longe do Édem ou longe de Deus é peregrinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, Deus não nos colocou sozinhos nesta peregrinação. Adão e Eva tinham um no outro um companheiro de viagem que lhes deveria sustentar e cuidar. Mais do que isso, dividiam a vida um com o outro, conforme o mandamento divino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim fica estabelecida a beleza e o caráter divino desta solidão a dois, quando, deixando o seio familiar, vamos empreender algo completamente novo, mas tão antigo quanto o primeiro homem e a primeira mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta união é algo difícil de descrever. Precisa ser vivida. Somente ao entrar na dinâmica da entrega total ao outro, uma só carne, um só amor, é que podemos de fato compreender o casamento. Existem pessoas casadas ha anos que jamais compreenderam esta comunhão. Se esse laço for verdadeiro, será forte para que duas pessoas, "de mãos dadas, com passos vacilantes e devagar" enfrentem e reinem sobre o mundo todo diante de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É no casamento também que encontrei um lugar de descanso. Com a benção de Deus, por sua providência, pode o casal achar um no outro, apesar da natureza humana tão terrível, encontrar paz no colo da pessoa amada. Quando experimento esse laço vejo que nada pode ser mais importante preservar do que a união que coloca a nova família diante de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A experiência do casamento acontece no dia a dia, nos minutos em que esperamos pela amada, na hora de nos sentarmos à mesa e juntos contarmos como foi o dia, nas caminhadas, nos sorriros disfarçados que só nós sabemos o que significam. Eu costumava escrever muito sobre o amor em abstrato, construindo um amor em minha mente que por sua constituição assaz etérea não poderia achar meios de tocar o chão sem se desfazer. Creio que hoje, casado, encontrei algo ainda mais sublime e mais alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando encontrei uma mulher da qual percebi que não conseguia ficar por um dia sequer distante, quando percebi que ela me seria fiel e verdadeira sempre. Quando vi que não me escondia nada, e que eu já não tinha nada a esconder dela, eu a beijei, tomei sua mão, e vagarosamente iniciamos nossa peregrinação pelo desconhecido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-6635626268754783948?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/6635626268754783948/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=6635626268754783948' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/6635626268754783948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/6635626268754783948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2007/08/sobre-o-casamento.html' title='Sobre o casamento'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-631055772576988284</id><published>2007-06-01T14:35:00.000-03:00</published><updated>2007-06-01T14:46:39.085-03:00</updated><title type='text'>Uma nota (nem tão) curta sobre os Universais</title><content type='html'>O bispo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Edir&lt;/span&gt; Macedo, como se sabe, controla (para não dizer que é o dono) a rede &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Record&lt;/span&gt; de televisão. Nominalmente a TV é propriedade de sua Igreja Universal do Reino de Deus. Esta mesma TV começou agora uma campanha a favor (aberta e descaradamente) do aborto. Fiquei francamente enjoado. Por outro lado, fica mais que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;comprovado&lt;/span&gt; que o supra mencionado bispo está a serviço mesmo é de Satanás, para além de qualquer dúvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que o meio evangélico tenha a decência, ou melhor, higiene suficiente para riscar a Igreja Universal do mapa evangélico e assumir de uma vez que aquilo é uma seita com um guru facilmente identificável (o Sr. Macedo) e de modo a colocá-los num patamar ainda mais baixo do que adventistas e t&lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;estemunhas&lt;/span&gt; de &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;Jeová&lt;/span&gt;, em termos teológicos. Além de todos os erros teológicos graves, o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;abortismo&lt;/span&gt; é a gota. Estou certo de que essa gente não é honesta para com Deus e para com seus fiéis, mas ao contrário dos fiéis facilmente enganados, não posso crer que Deus será indulgente para com o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;aviltamento&lt;/span&gt; de Seu Nome.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-631055772576988284?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/631055772576988284/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=631055772576988284' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/631055772576988284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/631055772576988284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2007/06/uma-nota-nem-to-curta-sobre-os.html' title='Uma nota (nem tão) curta sobre os Universais'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-1263193236899199202</id><published>2007-05-25T14:40:00.000-03:00</published><updated>2007-05-25T14:43:20.940-03:00</updated><title type='text'>300</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/RlcgFxDT9mI/AAAAAAAAABM/m37B7lfa5OQ/s1600-h/300-movie-wb30.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5068555189067445858" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/RlcgFxDT9mI/AAAAAAAAABM/m37B7lfa5OQ/s400/300-movie-wb30.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Hoje, depois de muito tempo passando vontade, consegui assistir o filme 300, baseado na história em quadrinhos (que eu já houvera lido alguns anos atrás) de Frank Miller, artista realmente genial (sou daqueles que leva a nona arte tão a sério quanto todas as outras, e meu gosto por HQs será o mais próximo que jamais chegarei de gostar de qualquer obra de artes plásticas ou visuais de qualquer tipo) e fiquei impressionado com a magnitude da obra, a capacidade formidável que os realizadores tiveram para captar a tragédia e a glória do episódio. Senti-me grato por ter podido desfrutar de um verdadeiro épico moderno.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No filme, o problema que move o Rei Leônidas até seu destino glorioso (a morte, no caso) é a aproximação dos milhares e milhares de súditos-escravos do Imperador-deus dos persas, Xerxes. O que o impediu de resistir completamente às investidas do imperador foi a traição de alguns de seus próprios súditos, os quais buscaram antes o próprio bem, e não aquele de seu povo. Leônidas não hesitou antes de sacrificar sua vida a fim de proteger aqueles que o veriam morto antes de lutar pela própria liberdade. Provou, assim, ser acima de tudo um homem, superior aos animais, menos-que-homens que o traíram. No filme, a imagem é brutal e direta, a figura do traidor Ephialtes é monstruosa. Leônidas não mata o monstro, mas tenta entendê-lo e ajudá-lo, no que não é bem sucedido. Da mesma maneira o Rei houvera tentado ir à guerra a fim de salvar seu povo e foi impedido pelos sacerdotes e anciãos. A diferença entre Leônidas e todos eles é como aquela apontada por Platão no Górgias entre o filósofo e o sofista, ou o político esclarecido Calcicles, é uma diferença existencial. Aliás, estou me valendo aqui da análise feita por Eric Voegelin acerca do diálogo, e de acordo com ela o paralelo entre o filme e o diálogo platônico é impressionante.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Fica claro aqui que o rei de Esparta e o filósofo Sócrates partilham o mesmo problema. Lutam por um modo de vida só tolerável para homens de verdade, modo da honra para um, da justiça para o outro, direcionados por sua formação e maturidade para uma verdade existencial mais elevada do que as sociedades nas quais viviam (com as honrosas exceções de sempre, seus respectivos amigos e discípulos).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O paralelismo sugere que situações como essas possam aparecer mais de uma vez na vida das sociedades. Hoje, eis a razão principal de meu espanto em relação ao filme 300, perece-me que o mesmo problema se coloca. O oriente tenta subjugar o ocidente, destruir a liberdade que tão caro nos custou, substituí-la por sua tirania, fazendo-nos todos escravos. Para isso contam com os traidores que em nome da tolerância, do pluralismo, da “liberal guilt”, de acusações falsas e ignominiosas contra o ocidente, procuram tirar de cada um a própria vontade de resistir, assim como o político traidor que entregou os trezentos espartanos nas mãos de Xerxes por negar-lhes mais apoio das tropas de Esparta. A guerra do Iraque, a luta dos conservadores europeus contra a verdadeira invasão islâmica que tem assolado a Europa por causa de uma política de imigração irresponsável; estas batalhas estão sendo travadas dia a dia, e por meio delas ainda gozamos, aqui no Brasil e no resto do ocidente livre, de uma tranqüilidade que a muitos parece um sonho distante.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A esquerda e seus poderosos, seja nos governos, na imprensa que ela dominou assim como nas universidades, são os animais, os monstros que nos veriam escravizados de joelhos, de uma forma ou de outra (diante do islã radical ou do poder do partido comunista – ou seu equivalente politicamente correto), por nutrir um ódio comum aos valores, às tradições, às glórias, à coragem e à cultura dos homens do ocidente. Toda vez que nossos governos, parlamentares, jornalistas, intelectuais (já não sei bem se o termo é muito bom, a intelectualidade atual faz tudo menos levar a atividade intelectual a sério), procuram nos voltar contra aqueles que sozinhos, contra tudo e contra todos, procuram defender nosso mundo da destruição e do esquecimento, eles revelam sua face monstruosa, demonstram ser o tipo de homens que gerações mais corajosas e mais atentas do que a nossa teriam jurado destruir – e de fato entregado as vidas para fazê-lo.&lt;br /&gt;Neste momento aparece o filme 300, e se soubermos tirar dele as lições necessárias, não precisaremos assistir ao mesmo daqui a alguns anos com uma nostalgia impotente daquela coragem, daquele desinteresse pela própria vida diante da necessidade de lutar defendendo um mundo de ordem e liberdade para as gerações futuras.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-1263193236899199202?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/1263193236899199202/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=1263193236899199202' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/1263193236899199202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/1263193236899199202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2007/05/300.html' title='300'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/RlcgFxDT9mI/AAAAAAAAABM/m37B7lfa5OQ/s72-c/300-movie-wb30.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-8421489577669835746</id><published>2007-05-17T10:09:00.000-03:00</published><updated>2007-05-17T10:11:49.126-03:00</updated><title type='text'>Comunistas</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/RkxUKBDT9lI/AAAAAAAAABE/-mYN-F1bQ04/s1600-h/Communists.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5065516211942717010" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/RkxUKBDT9lI/AAAAAAAAABE/-mYN-F1bQ04/s400/Communists.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não sei quem é o autor desta preciosidade, mas o sujeito é bem eloquente. Quaisquer dúvidas, encontrei a charge nessa página aqui: &lt;a href="http://www.grupos.com.br/group/indymedia/"&gt;http://www.grupos.com.br/group/indymedia/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-8421489577669835746?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/8421489577669835746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=8421489577669835746' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/8421489577669835746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/8421489577669835746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2007/05/comunistas.html' title='Comunistas'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/RkxUKBDT9lI/AAAAAAAAABE/-mYN-F1bQ04/s72-c/Communists.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-5666786315528404479</id><published>2007-02-16T17:13:00.001-02:00</published><updated>2008-03-30T12:17:09.164-03:00</updated><title type='text'>Breve consideração sobre razão e fé.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/RdYFofnxBfI/AAAAAAAAAAY/nxh_IISr8tg/s1600-h/71887497.jpg"&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/RdYFofnxBfI/AAAAAAAAAAY/nxh_IISr8tg/s320/71887497.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5032215826874303986" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juan Donoso Cortés escreveu, em seu “Discurso académico sobre la Bíblia”, um trecho que considero belíssimo. Ele foi muito feliz ao proferir estas palavras e eu certamente fico contente ao repeti-las aqui:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Hay un libro, tesoro de un pueblo que es hoy fábula y ludibrio de la tierra, y que fue en tiempos pasados estrella del Oriente, adonde han ido a beber su divina inspiración todos los grandes poetas de las regiones occidentales del mundo y en el cual han aprendido el secreto de levantar los corazones y de arrebatar las almas con sobrehumanas y misteriosas armonías. Ese libro es la Biblia, el libro por excelencia.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O testemunho daqueles que foram inspirados por Deus e legaram ao mundo uma palavra tão excelente e tão proveitosa, cuja mensagem contém o próprio segredo da vida eterna, segredo este que é anunciado, estranha ironia, se nos apresenta de maneira por vezes misteriosa, por outras bem clara. Podemos ler “o livro por excelência” inúmeras vezes, e sempre estaremos diante de algo completamente novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em termos experienciais, creio que foi Eric Voegelin quem teve o insight fundamental a respeito da Bíblia, ao enquadrá-la na categoria de registro, em termos humanos (vale dizer: com símbolos humanos), da experiência da dimensão espiritual da realidade, conferindo ao cristianismo (tradição hebréia aliada à sabedoria grega que permeava a cultura no contexto neotestamentário) a posição de primazia entre todos os credos, por ter alcançado a maior diferenciação dos símbolos que representam a verdade existencial experimentada (Evangelho e Cultura, trad. Mendo Castro Henriques).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A experiência que levou à composição dos livros da Bíblia, embora tenha ocorrido a diversos homens ao longo de muitos anos, a força da revelação e inspiração divinas acabaram por inspirar centenas de gerações ao longo de muitos anos, na política, nas artes, somos constantemente inspirados e lembrados do que é a verdadeira grandeza de Deus, e somos encorajados a imitá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora este processo envolva a experiência, e esta tenha um poder muito grande sobre nossa maneira de enxergar a religião, não é, nem de longe, algo suficiente. Voegelin fala em duas etapas, a experiência e a simbolização. As simbolizações acontecem na história, isto é importante, especialmente para Voegelin, de modo que existem entre elas graus variados de diferenciação, como já mencionamos. Conforme uma visão mais adequada da realidade como um todo – ou seja, considerando a dimensão do espírito no todo da realidade. Dentro desta perspectiva, da simbolização e da diferenciação, a filosofia, o uso da razão, não é uma atividade superior à simbolização religiosa, como querem crer muitos filósofos desde o iluminismo até (e principalmente) hoje. A revelação lança bases por demais sólidas para não serem percebidas como essenciais para a vida e para o pensamento humano. A história não pode ser usada para justificar ou tentar compreender o processo pelo qual a Bíblia chegou a produzir tamanhas maravilhas dentro das sociedades e da cultura ocidental, mas é antes uma forma de compreender a ação soberana de Deus, o qual, justamente por meio de sua revelação, nos presenteou com a própria noção de história tal como a temos hoje!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta perspectiva constitui um argumento de peso para qualquer projeto de cosmovisão cristã, uma vez que reconhece que, ainda que a revelação e a sabedoria humana não sejam intercambiáveis, esta tem muito a aprender com aquela, especialmente se cremos que a palavra de Deus é, de fato o princípio da sabedoria. Corretamente nota Donoso Cortés no Ensayo sobre el catolicismo, el liberalismo y el socialismo: “La teología, por lo mismo que es la ciencia de Dios, es el océano que contiene y abarca todas las ciencias, así como Dios es el océano que contiene y abarca todas las cosas.” A partir daí, posso ver que de certo modo a pergunta fundamental sobre a relação entre religião (cristã) e filosofia vem sendo feita de forma incorreta. Não deveríamos perguntar se a filosofia pode ajudar a interpretar e entender a Bíblia (embora eu acredite que pode contribuir na interpretação bíblica, jamais como padrão externo, mas como um meio de aprimorar a capacidade de raciocínio do intérprete) mas sim como a Bíblia pode lançar luz sobre o caminho da filosofia, orientando-a pela senda da sabedoria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-5666786315528404479?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/5666786315528404479/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=5666786315528404479' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/5666786315528404479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/5666786315528404479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2007/02/pequena-considerao-sobre-razo-e-f.html' title='Breve consideração sobre razão e fé.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/RdYFofnxBfI/AAAAAAAAAAY/nxh_IISr8tg/s72-c/71887497.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-6607438461176230144</id><published>2007-02-01T18:30:00.000-02:00</published><updated>2007-02-01T19:03:40.470-02:00</updated><title type='text'>Sobre o violão, mas nem tanto.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/RcJVld_8tEI/AAAAAAAAAAM/mGKnL-mPtwI/s1600-h/71078817.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/RcJVld_8tEI/AAAAAAAAAAM/mGKnL-mPtwI/s320/71078817.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5026674236295263298" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ultimamente tenho me voltado para o universo do violão clássico mais uma vez. Não que tenha me afastado tanto, mas acabei ficando muito tempo sem tocar por conta de um pequeno acidente pelo qual passou o instrumento e minha concomitante incapacidade de financiar sua reforma. Isso agora pertence ao passado e estamos novamente juntos, o violão e eu, de modo a enxer a casa novamente de ruídos que tento fazer passar por música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou sendo duro comigo mesmo. Sou um bom apreciador de música, modéstia à parte, e por isso não posso escapar de duas descobertas: a primeira é que eu era um violonista mediano, mas tocava corretamente; a segunda é que agora, enferrujado, não fui capaz de tocar uma única peça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tragédia me atingiu de forma um pouco dura, mas não sem resistência da minha parte. Pus-me a estudar exercícios de técnica e vou voltar a exercitar a leitura em breve, e é aí que eu queria chegar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É deprimente a sensação de ser anlfabeto diante da partitura, ou de ler com grande dificuldade&lt;br /&gt;, como estou fazendo agora. Olhar os simbolos e ter apenas uma vaga lembrança do que significam, incapaz de corpo aos caracteres, corpo sonoro, concretizando as idéias. Nada mais trágico, acima de tudo, do que me ver incapaz de concretizar as idéias que leio ou que de um modo ou de outro concebo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, talvez pareça bobagem da minha parte, mas esta forma de confinar minha existência musical por esta deficiência (espero que temporária) causa uma angústia esquisita, misto de impaciência e impotência patética. Fico a pensar sobre o problema. Será que antes me preocupava não poder ler as tais notas? A faculdade que tinha foi adquirida já um pouco velho (em comparação, injusta para mim, é verdade, com instrumentistas de nível bom), e não me parece que tenha tido qualquer problema em viver sem ela. Mas não me veio sem esforço. Os momentos debruçados sobre as partituras, violão nas mãos ou em frente ao piano (mas isso é outra história) me sairam caros, especialmente depois que vi meus sonhos musicais darem lugar à promessa de uma carreira jurídica, apesar do prazer que proporcionaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, minha tristeza se dá por conta da perda, não da ignorância. Às vezes me incomodava ver que muitas pessoas passavam muito bem suas vidas sem pensar muito a respeito de nada menos imediato. É claro que me dirão que pensar todos pensamos, que sou intelectualista, mas então qual é o problema? Não creio que seja o único ser humano incomodado pela ignorância, própria ou alheia. Aliás, acho que não tenho mais tolerância para comigo mesmo do que demonstro para com os outros. Porém, existe algo que me diz que a ignorância é ruim e a sabedoria é excelente (a Bíblia certamente o diz, o que não tem exata relação com a intuição que tenho a respeito).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, a busca por conhecimento não parece ser algo com que todos concordam. A grande maioria das pessoas, se formos ver a fundo, preferirá a ignorância com felicidade do que a sabedoria sem ela, mas a idéia de viver no mundo sem pensar sobre ele me parece uma atitude tão genuinamente bovina... Atitude que explica muita coisa, como a tendência do vulgo para o pior, mas cuja raiz não se explica com facilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A presente digressão era a intenção nesse post. O meu incômodo não é o de um sábio, advirto. É de alguém que luta para vencer a própria ignorância. Mas então por que sinto falta da sabedoria que não tenho, se nunca senti falta de ler minhas partituras quando não sabia? O que gera tamanha curiosidade em relação ao mundo e às pessoas, se no fundo sou mesmo um pouco averso ao contato social e com a natureza?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei com algumas dúvidas e saí com mais um punhado delas. Então por que o exercício foi tão satisfatório?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-6607438461176230144?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/6607438461176230144/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=6607438461176230144' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/6607438461176230144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/6607438461176230144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2007/02/sobre-o-violo-mas-nem-tanto.html' title='Sobre o violão, mas nem tanto.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/RcJVld_8tEI/AAAAAAAAAAM/mGKnL-mPtwI/s72-c/71078817.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-117010186038641792</id><published>2007-01-29T18:17:00.000-02:00</published><updated>2008-01-10T13:27:30.610-02:00</updated><title type='text'>Cristianismo Radical</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;Quando me encontro debatendo religião, ou algum assunto relacionado, com alguém (assuntos relacionados é uma categoria bastante ampla se você adota uma cosmovisão cristã, pois a religião acaba permeando praticamente tudo o que você diz – ou antes, pensa), acabo me deparando com uma exclamação sincera e muito arguta que foi melhor formulada por um querido amigo, semana passada: “Tiago, você é muito dogmático!”. Bem, pensei um bocado a respeito e dei-me conta de que esse é justamente o ponto essencial do problema da postura das pessoas em relação à religião. Explico por que em seguida.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O primeiro dado que é importante perceber (sim, perceber um dado, não de forma rigorosa, mas sentindo através do contato social com as pessoas, esse tipo de experiência é possível para quem quer que se disponha a fazê-la) é o crescente afluxo de pessoas que busca o desenvolvimento de alguma espécie de espiritualidade. Há muitas no mercado. Há a cientologia, umas tantas seitas pseudo-evangélicas, rituais africanos, wicca, espiritismo, logosofia... e isso é só o que posso recordar no momento, porém o número é imenso e as opções crescem a cada dia. Até as empresas chamam palestrantes motivacionais para falar a respeito do tema (conforme nos lembrou o Pastor Leandro Peixoto duas semanas atrás) e a venda de livros a respeito de vidas passadas é recorde no Brasil, Paulo Coelho continua fazendo sucesso no mundo inteiro e isso não é tudo. Ann Coulter observa em seu último livro (o impagável &lt;i&gt;Godless&lt;/i&gt;, e não importa que pensem que ela exagera no tom, acerta na mosca no conteúdo) que o secularismo esquerdista assume cada vez mais o caráter de uma religião, talvez a mais poderosa opositora do cristianismo em muito tempo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Esta profusão de experiências de caráter espiritual demonstra que estamos buscando uma espiritualidade. Francis Schaeffer dizia que essa busca se deve ao fato de que fomos criados para andar com Deus, e que ao nos afastarmos, não nos damos conta, mas procuramos compensar a Sua falta. Sinto-me irresistivelmente tentado a concordar com ele. Porém, em algum lugar, erramos o alvo. Estamos diante de uma situação em que o politicamente correto e mais democrático modo de lidar ocom a religião é declarar que todas as manifestações auto-declaradas espirituais são iguais entre si, e a bem da verdade, estaríamos inclusive autorizados a criar nossa própria versão de espiritualidade, seja por uma série de circunstâncias que determinaram nossa formação, seja por algum tipo de raciocínio (o que pode afetar bastante o resultado, dependendo da capacidade de cada uma para tal atividade).&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Não é de bom tom afirmar que há uma verdade. O problema é que isso acaba desembocando no discurso de que existem várias verdades, o que representa uma desvirtuação aberrante do próprio conceito de verdade (e por mais que Bruno Latour e Bárbara Herrnstein Smith façam malabarismos filosóficos para defender uma verdade mais abrangente ou inclusiva, honestamente, não convencem qualquer praticante de um pensamento filosófico minimamente rigoroso). Diante desta máxima do politicamente correto, por mais infundada que seja, estamos nos tornando cada vez mais reféns da opinião.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;A opinião é uma das piores coisas que já ocorreu ao gênero humano cultivar, pois tendemos a acreditar que o mero fato de ter uma opinião, quer seja ela formada em cuca própria ou tomada de empréstimo, tendemos a nos apegar a ela como se fosse um filho querido, se bem que na maioria das vezes, filhos um tanto feiosos que as pessoas não costumam gestar por tempo suficiente. Diante disso, uma pessoa média (termo que uso para substituir a machista – e jurídica – expressão &lt;i&gt;bonus pater familias&lt;/i&gt;, a fim de não ofender ainda mais a audiência com meu conservadorismo retrógrado...) teria direito a uma opinião a respeito de como conduzir sua espiritualidade de modo a produzir uma noção tão única quanto seu próprio... nariz (teria usado outro termo, mas não ficaria bem para um “&lt;i&gt;born again christian”&lt;/i&gt; o emprego de tal calão). Esta singularidade de opinião, embora seja alardeada como uma grande conquista para a independência de pensamento, acaba tendo o efeito contrário, pois acaba levando milhares de pessoas a acreditarem em certas coisas bem parecidas - normalmente crenças dotadas de algum fundo ético socialmente aceitável ou então portadoras de uma estética peculiar nos procedimentos de seus seguidores que suscite algum interesse - afinal o efeito do comportamento de manada é poderoso e quanto mais permissiva, vaga e, sejamos honestos, vulgar (comum) a espiritualidade oferecida, mais popular, acessível e querida ela acaba se tornando (&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/%24cientology"&gt;a cientologia&lt;/a&gt; é um exemplo perfeito de despropósito pseudo-religioso. E quem também não se lembra dos diversos gurus dos anos setenta?).&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Embora grande parte destas opiniões e formas de “espiritualidade” não envolvam Xemu ou a Confederação Galáctica (suponho que tenham visto o link acima), existe sempre uma chance de que coisas deste tipo apareçam. Já o ateísmo ferrenho de muitas pessoas, escondido por trás de uma fachada “liberal”, acaba por servir de canal, inclusive, para um ódio anti-cristão. O cristianismo tem sido bastante combatido, isso não é segredo para ninguém, e é interessante notar que embora exista uma hostilidade natural do cristão com relação ao pecado (o que a maioria das pessoas considera práticas normais de vida como sexo inconseqüente, o uso patológico da mentira, homossexualismo, alcoolismo como requisito para diversão...) ela nem se compara com a fúria que um não cristão emprega ao descobrir que certas práticas tão queridas para ele são tidas como abomináveis por alguém. Ao ser confrontada com a realidade do pecado por meio da pregação do cristão, infelizmente a reação mais comum de uma pessoa média é dizer que não acha que seja o que faz é ruim porque ele acredita “que não tem nada de mais, que existe uma energia assim... uma força maior e coisa e tal, e que o cristianismo é limitado demais...” ou então que “não existe essa coisa de Deus e de Bíblia, e isso é coisa de pastor para explorar o povo” (veja como a revelação milenar inscrita na bíblia sucumbe diante da opinião mal cozida na cabeça do sujeito) E diante da eventual insistência do cristão em defender aquilo no que crê, o interpelado logo torce para que voltem o &lt;i&gt;&lt;span lang="LA"&gt;Colosseum&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; e seus leões.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Voltando ao problema pessoal que me pôs a escrever: por que me chamar de dogmático? Bem, na verdade creio que é porque eu sou, de certo modo, dogmático. Meu amigo me conhece bem e estava certíssimo. Mas sustento que tenho toda razão para ser dogmático, afinal, enquanto todos ao meu redor tem por uso começar as fases com &lt;i&gt;“Eu acho...”&lt;/i&gt;, eu prefiro começar com “&lt;i&gt;A Bíblia diz que...”&lt;/i&gt;. Essa diferença é essencial, pois é o que distingue o cristão e é o que empresta uma autoridade tremenda à sua opinião, desde que devidamente fundada na Bíblia bem interpretada. A livre consulta à Escritura é o que me ajuda a não ser, a rigor, dogmático; porém, hoje, o simples fato de seguir a Bíblia faz de mim um dogmático aos olhos do mundo. O fato de sustentar a verdade do evangelho, e sustentar – implicitamente – que existe tal coisa como a verdade causa todo o tipo de arrepios porque faço referência a um padrão fixo de valores e tenho uma visão de mundo determinada por uma verdade eterna.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;O cristianismo possui implicações éticas, mas também epistemológicas, científicas e psicológicas que são absolutamente chocantes para o mundo hoje tanto quanto o foram para aqueles que discutiram religião com os primeiros cristãos. É importante procurar entender que espiritualidade é coisa séria, não é algo que você pode adequar às circunstâncias ou trocar como quem muda uma peça de roupa íntima. É um compromisso que, levado a todas as suas conseqüências, muda a própria maneira como o mundo nos afeta – as relações, os fatos, as notícias – e somos de fato transformados. Não sou grande fã do perspectivismo, mas nesse caso a idéia se aplica bem, é como se já não víssemos o mesmo filme que as outras pessoas. Somos radicalmente alienados do nosso meio, transitamos por ele como estranhos, e sofremos com um certo estranhamento do mundo também. Este aspecto experiencial decorre dos pressupostos que descrevi acima.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Minha palavra para quem passa pelo que eu passo é que fique tranqüilo e aproveite. Se estão estranhando praticamente tudo que tem saído da sua boca ultimamente e suas participações em debates “espirituais” começam com citações bíblicas, esse radicalismo é o ponto ótimo de sua existência cristã. Aqueles que estranham o que digo deverão saber que o único meio de participar da compreensão da realidade do Espírito (de Deus) é assumir essa perspectiva nova e abandonar para sempre seu velho modo de pensar, seja ele qual for, por algo mais perfeito. Se soei um pouco dogmático (ou até pior), consegui o efeito desejado.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-117010186038641792?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/117010186038641792/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=117010186038641792' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/117010186038641792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/117010186038641792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2007/01/cristianismo-radical.html' title='Cristianismo Radical'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-116896496283598438</id><published>2007-01-16T14:29:00.000-02:00</published><updated>2007-01-16T14:29:22.846-02:00</updated><title type='text'>O Amor em Vista</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Faz muito tempo que não me deixava encantar por poesia dessa maneira, de modo que faço questão de publicar esta aqui. É importante dividir estas coisas, que mais é multiplicá-las do que dividí-las, afinal idéias não se gastam assim tão fácil só porque as pensamos. O autor eu não conhecia, cheguei a ela por acaso, mas vejam se não é uma beleza...&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;(fonte: http://users.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/v282.txt)&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;pre&gt;&lt;big&gt;O AMOR EM VISITA&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;u&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Herberto Helder&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/u&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra&lt;br&gt;&lt;/br&gt;e seu arbusto de sangue. Com ela&lt;br&gt;&lt;/br&gt;encantarei a noite.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Dai-me uma folha viva de erva, uma mulher. &lt;br&gt;&lt;/br&gt;Seus ombros beijarei, a pedra pequena&lt;br&gt;&lt;/br&gt;do sorriso de um momento.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Mulher quase incriada, mas com a gravidade&lt;br&gt;&lt;/br&gt;de dois seios, com o peso lúbrico e triste&lt;br&gt;&lt;/br&gt;da boca. Seus ombros beijarei.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Cantar? Longamente cantar,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Uma mulher com quem beber e morrer.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Quando fora se abrir o instinto da noite e uma ave&lt;br&gt;&lt;/br&gt;o atravessar trespassada por um grito marítimo&lt;br&gt;&lt;/br&gt;e o pão for invadido pelas ondas,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;seu corpo arderá mansamente sob os meus olhos palpitantes&lt;br&gt;&lt;/br&gt;ele - imagem inacessível e casta de um certo pensamento&lt;br&gt;&lt;/br&gt;de alegria e de impudor.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Seu corpo arderá para mim&lt;br&gt;&lt;/br&gt;sobre um lençol mordido por flores com água.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Ah! em cada mulher existe uma morte silenciosa;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;e enquanto o dorso imagina, sob nossos dedos,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;os bordões da melodia,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;a morte sobe pelos dedos, navega o sangue,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;desfaz-se em embriaguez dentro do coração faminto.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;- Ó cabra no vento e na urze, mulher nua sob&lt;br&gt;&lt;/br&gt;as mãos, mulher de ventre escarlate onde o sal põe o espírito,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;mulher de pés no branco, transportadora&lt;br&gt;&lt;/br&gt;da morte e da alegria.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Dai-me uma mulher tão nova como a resina&lt;br&gt;&lt;/br&gt;e o cheiro da terra.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Com uma flecha em meu flanco, cantarei. &lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;E enquanto manar de minha carne uma videira de sangue,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;cantarei seu sorriso ardendo,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;suas mamas de pura substância,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;a curva quente dos cabelos.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Beberei sua boca, para depois cantar a morte&lt;br&gt;&lt;/br&gt;e a alegria da morte. &lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Dai-me um torso dobrado pela música, um ligeiro&lt;br&gt;&lt;/br&gt;pescoço de planta,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;onde uma chama comece a florir o espírito.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;À tona da sua face se moverão as águas,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;dentro da sua face estará a pedra da noite.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;- Então cantarei a exaltante alegria da morte. &lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Nem sempre me incendeiam o acordar das ervas e a estrela&lt;br&gt;&lt;/br&gt;despenhada de sua órbita viva. &lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;- Porém, tu sempre me incendeias.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Esqueço o arbusto impregnado de silêncio diurno, a noite&lt;br&gt;&lt;/br&gt;imagem pungente&lt;br&gt;&lt;/br&gt;com seu deus esmagado e ascendido.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;- Porém, não te esquecem meus corações de sal e de brandura. &lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Entontece meu hálito com a sombra,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;tua boca penetra a minha voz como a espada&lt;br&gt;&lt;/br&gt;se perde no arco.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;E quando gela a mãe em sua distância amarga, a lua&lt;br&gt;&lt;/br&gt;estiola, a paisagem regressa ao ventre, o tempo&lt;br&gt;&lt;/br&gt;se desfibra - invento para ti a música, a loucura&lt;br&gt;&lt;/br&gt;e o mar.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Toco o peso da tua vida: a carne que fulge, o sorriso,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;a inspiração.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;E eu sei que cercaste os pensamentos com mesa e harpa.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Vou para ti com a beleza oculta,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;o corpo iluminado pelas luzes longas.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Digo: eu sou a beleza, seu rosto e seu durar. Teus olhos&lt;br&gt;&lt;/br&gt;transfiguram-se, tuas mãos descobrem&lt;br&gt;&lt;/br&gt;a sombra da minha face. Agarro tua cabeça&lt;br&gt;&lt;/br&gt;áspera e luminosa, e digo: ouves, meu amor?, eu sou&lt;br&gt;&lt;/br&gt;aquilo que se espera para as coisas, para o tempo -&lt;br&gt;&lt;/br&gt;eu sou a beleza.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Inteira, tua vida o deseja. Para mim se erguem&lt;br&gt;&lt;/br&gt;teus olhos de longe. Tu própria me duras em minha velada beleza.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Então sento-me à tua mesa. Porque é de ti&lt;br&gt;&lt;/br&gt;que me vem o fogo.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Não há gesto ou verdade onde não dormissem&lt;br&gt;&lt;/br&gt;tua noite e loucura,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;não há vindima ou água&lt;br&gt;&lt;/br&gt;em que não estivesses pousando o silêncio criador.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Digo: olha, é o mar e a ilha dos mitos&lt;br&gt;&lt;/br&gt;originais.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Tu dás-me a tua mesa, descerras na vastidão da terra&lt;br&gt;&lt;/br&gt;a carne transcendente. E em ti&lt;br&gt;&lt;/br&gt;principiam o mar e o mundo.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Minha memória perde em sua espuma&lt;br&gt;&lt;/br&gt;o sinal e a vinha.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Plantas, bichos, águas cresceram como religião&lt;br&gt;&lt;/br&gt;sobre a vida - e eu nisso demorei&lt;br&gt;&lt;/br&gt;meu frágil instante. Porém&lt;br&gt;&lt;/br&gt;teu silêncio de fogo e leite repõe&lt;br&gt;&lt;/br&gt;a força maternal, e tudo circula entre teu sopro&lt;br&gt;&lt;/br&gt;e teu amor. As coisas nascem de ti&lt;br&gt;&lt;/br&gt;como as luas nascem dos campos fecundos,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;os instantes começam da tua oferenda&lt;br&gt;&lt;/br&gt;como as guitarras tiram seu início da música nocturna.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Mais inocente que as árvores, mais vasta&lt;br&gt;&lt;/br&gt;que a pedra e a morte,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;a carne cresce em seu espírito cego e abstracto,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;tinge a aurora pobre,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;insiste de violência a imobilidade aquática.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;E os astros quebram-se em luz sobre&lt;br&gt;&lt;/br&gt;as casas, a cidade arrebata-se,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;os bichos erguem seus olhos dementes,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;arde a madeira - para que tudo cante&lt;br&gt;&lt;/br&gt;pelo teu poder fechado.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Com minha face cheia de teu espanto e beleza,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;eu sei quanto és o íntimo pudor&lt;br&gt;&lt;/br&gt;e a água inicial de outros sentidos. &lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Começa o tempo onde a mulher começa,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;é sua carne que do minuto obscuro e morto&lt;br&gt;&lt;/br&gt;se devolve à luz.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Na morte referve o vinho, e a promessa tinge as pálpebras&lt;br&gt;&lt;/br&gt;com uma imagem.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Espero o tempo com a face espantada junto ao teu peito&lt;br&gt;&lt;/br&gt;de sal e de silêncio, concebo para minha serenidade&lt;br&gt;&lt;/br&gt;uma ideia de pedra e de brancura.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;És tu que me aceitas em teu sorriso, que ouves,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;que te alimentas de desejos puros.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;E une-se ao vento o espírito, rarefaz-se a auréola,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;a sombra canta baixo.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Começa o tempo onde a boca se desfaz na lua,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;onde a beleza que transportas como um peso árduo&lt;br&gt;&lt;/br&gt;se quebra em glória junto ao meu flanco&lt;br&gt;&lt;/br&gt;martirizado e vivo.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;- Para consagração da noite erguerei um violino,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;beijarei tuas mãos fecundas, e à madrugada&lt;br&gt;&lt;/br&gt;darei minha voz confundida com a tua. &lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Oh teoria de instintos, dom de inocência,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;taça para beber junto à perturbada intimidade&lt;br&gt;&lt;/br&gt;em que me acolhes. &lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Começa o tempo na insuportável ternura&lt;br&gt;&lt;/br&gt;com que te adivinho, o tempo onde&lt;br&gt;&lt;/br&gt;a vária dor envolve o barro e a estrela, onde&lt;br&gt;&lt;/br&gt;o encanto liga a ave ao trevo. E em sua medida&lt;br&gt;&lt;/br&gt;ingénua e cara, o que pressente o coração&lt;br&gt;&lt;/br&gt;engasta seu contorno de lume ao longe.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Bom será o tempo, bom será o espírito,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;boa será nossa carne presa e morosa.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;- Começa o tempo onde se une a vida&lt;br&gt;&lt;/br&gt;à nossa vida breve.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Estás profundamente na pedra e a pedra em mim, ó urna&lt;br&gt;&lt;/br&gt;salina, imagem fechada em sua força e pungência.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;E o que se perde de ti, como espírito de música estiolado&lt;br&gt;&lt;/br&gt;em torno das violas, a morte que não beijo,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;a erva incendiada que se derrama na íntima noite&lt;br&gt;&lt;/br&gt;- o que se perde de ti, minha voz o renova&lt;br&gt;&lt;/br&gt;num estilo de prata viva.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Quando o fruto empolga um instante a eternidade&lt;br&gt;&lt;/br&gt;inteira, eu estou no fruto como sol&lt;br&gt;&lt;/br&gt;e desfeita pedra, e tu és o silêncio, a cerrada&lt;br&gt;&lt;/br&gt;matriz de sumo e vivo gosto.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;- E as aves morrem para nós, os luminosos cálices&lt;br&gt;&lt;/br&gt;das nuvens florescem, a resina tinge&lt;br&gt;&lt;/br&gt;a estrela, o aroma distancia o barro vermelho da manhã.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;E estás em mim como a flor na ideia&lt;br&gt;&lt;/br&gt;e o livro no espaço triste.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Se te apreendessem minhas mãos, forma do vento&lt;br&gt;&lt;/br&gt;na cevada pura, de ti viriam cheias&lt;br&gt;&lt;/br&gt;minhas mãos sem nada. Se uma vida dormisses&lt;br&gt;&lt;/br&gt;em minha espuma,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;que frescura indecisa ficaria no meu sorriso?&lt;br&gt;&lt;/br&gt;- No entanto és tu que te moverás na matéria&lt;br&gt;&lt;/br&gt;da minha boca, e serás uma árvore&lt;br&gt;&lt;/br&gt;dormindo e acordando onde existe o meu sangue. &lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Beijar teus olhos será morrer pela esperança.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Ver no aro de fogo de uma entrega&lt;br&gt;&lt;/br&gt;tua carne de vinho roçada pelo espírito de Deus&lt;br&gt;&lt;/br&gt;será criar-te para luz dos meus pulsos e instante&lt;br&gt;&lt;/br&gt;do meu perpétuo instante.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;- Eu devo rasgar minha face para que a tua face&lt;br&gt;&lt;/br&gt;se encha de um minuto sobrenatural,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;devo murmurar cada coisa do mundo&lt;br&gt;&lt;/br&gt;até que sejas o incêndio da minha voz.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;As águas que um dia nasceram onde marcaste o peso&lt;br&gt;&lt;/br&gt;jovem da carne aspiram longamente&lt;br&gt;&lt;/br&gt;a nossa vida. As sombras que rodeiam&lt;br&gt;&lt;/br&gt;o êxtase, os bichos que levam ao fim do instinto&lt;br&gt;&lt;/br&gt;seu bárbaro fulgor, o rosto divino&lt;br&gt;&lt;/br&gt;impresso no lodo, a casa morta, a montanha&lt;br&gt;&lt;/br&gt;inspirada, o mar, os centauros do crepúsculo&lt;br&gt;&lt;/br&gt;- aspiram longamente a nossa vida.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Por isso é que estamos morrendo na boca&lt;br&gt;&lt;/br&gt;um do outro. Por isso é que&lt;br&gt;&lt;/br&gt;nos desfazemos no arco do verão, no pensamento&lt;br&gt;&lt;/br&gt;da brisa, no sorriso, no peixe,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;no cubo, no linho, no mosto aberto&lt;br&gt;&lt;/br&gt;- no amor mais terrível do que a vida.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Beijo o degrau e o espaço. O meu desejo traz&lt;br&gt;&lt;/br&gt;o perfume da tua noite.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Murmuro os teus cabelos e o teu ventre, ó mais nua&lt;br&gt;&lt;/br&gt;e branca das mulheres. Correm em mim o lacre&lt;br&gt;&lt;/br&gt;e a cânfora, descubro tuas mãos, ergue-se tua boca&lt;br&gt;&lt;/br&gt;ao círculo de meu ardente pensamento.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Onde está o mar? Aves bêbedas e puras que voam&lt;br&gt;&lt;/br&gt;sobre o teu sorriso imenso.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Em cada espasmo eu morrerei contigo. &lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;E peço ao vento: traz do espaço a luz inocente&lt;br&gt;&lt;/br&gt;das urzes, um silêncio, uma palavra;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;traz da montanha um pássaro de resina, uma lua&lt;br&gt;&lt;/br&gt;vermelha.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Oh amados cavalos com flor de giesta nos olhos novos,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;casa de madeira do planalto,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;rios imaginados,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;espadas, danças, superstições, cânticos, coisas&lt;br&gt;&lt;/br&gt;maravilhosas da noite. Ó meu amor,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;em cada espasmo eu morrerei contigo.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;De meu recente coração a vida inteira sobe,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;o povo renasce,&lt;br&gt;&lt;/br&gt;o tempo ganha a alma. Meu desejo devora&lt;br&gt;&lt;/br&gt;a flor do vinho, envolve tuas ancas com uma espuma&lt;br&gt;&lt;/br&gt;de crepúsculos e crateras. &lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Ó pensada corola de linho, mulher que a fome&lt;br&gt;&lt;/br&gt;encanta pela noite equilibrada, imponderável -&lt;br&gt;&lt;/br&gt;em cada espasmo eu morrerei contigo. &lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;E à alegria diurna descerro as mãos. Perde-se&lt;br&gt;&lt;/br&gt;entre a nuvem e o arbusto o cheiro acre e puro&lt;br&gt;&lt;/br&gt;da tua entrega. Bichos inclinam-se&lt;br&gt;&lt;/br&gt;para dentro do sono, levantam-se rosas respirando&lt;br&gt;&lt;/br&gt;contra o ar. Tua voz canta&lt;br&gt;&lt;/br&gt;o horto e a água - e eu caminho pelas ruas frias com&lt;br&gt;&lt;/br&gt;o lento desejo do teu corpo.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Beijarei em ti a vida enorme, e em cada espasmo&lt;br&gt;&lt;/br&gt;eu morrerei contigo.&lt;/big&gt;&lt;/pre&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;p class='poweredbyperformancing'&gt;powered by &lt;a href='http://performancing.com/firefox'&gt;performancing firefox&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-116896496283598438?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/116896496283598438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=116896496283598438' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/116896496283598438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/116896496283598438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2007/01/o-amor-em-vista.html' title='O Amor em Vista'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-116715107984112895</id><published>2006-12-26T14:37:00.000-02:00</published><updated>2006-12-26T14:37:59.843-02:00</updated><title type='text'>Sobre viver e escrever</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Sempre achei que a vida nos inspirasse a escrever. Agora fico pensando se não é o contrário. Se o escritor procura expressar algum tipo de verdade (imagino que deva ser este o seu papel, caso contrário seu trabalho é mero passa tempo inútil) a vida deveria ser o substrato mais rico do qual poderia destilar as idéias.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;As premências da vida mesma, no entanto, obrigam o escritor, o qual não é nunca puro expectador, nem puro criador &lt;i&gt;ex nihilo&lt;/i&gt;, devendo antes tirar de si ao menos aquilo que imagina. O papel ativo na vida, a interação com o que acontece ao seu redor, é atividade que, no entanto, parece mais atrapalhar do que ajudar. As procupações mundanas fazem muito por nos retirar daquela postura, ainda que imperfeita, de observador.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;A mim parece bastante ingrata a tarefa de observar os homens e ao mesmo tempo ser um deles. Qualquer coisa de ruim que disser a respeito de alguém, ou da humanidade em geral, vai carregar alguma medida de hipocrisia. Não bastasse isso, ainda nos batemos com preocupações cotidianas que nos impedem de refletir o suficiente e se dão algum sentido da realidade é para nos afastar da tarefa de narrá-la.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;Contudo o mundo apresenta coisas bem mais interessantes do que nossos problemas mesquinhos. Existem dramas, tragédias e farsas acontecendo nesse exato instante. Espero poder encontrar em mim capacidade de coletar alguma coisa e dar a forma escrita no melhor de minha habilidade. Por enquanto convém a ocupação com coisas menos elevadas. Pena. A tensão entre a vida olhando do alto e a vida entre os homens (a qual nunca recebeu de mim muito valor) é algo trágica e algo cômica.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;p class='poweredbyperformancing'&gt;powered by &lt;a href='http://performancing.com/firefox'&gt;performancing firefox&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-116715107984112895?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/116715107984112895/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=116715107984112895' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/116715107984112895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/116715107984112895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2006/12/sobre-viver-e-escrever.html' title='Sobre viver e escrever'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-116602729550624190</id><published>2006-12-13T14:28:00.000-02:00</published><updated>2006-12-13T14:28:15.513-02:00</updated><title type='text'>O Islã e o Ocidente</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Ótimo o artigo de Bruce Thornton, lembrando algumas coisas importantes sobre as relações entre o Islã e o ocidente. Já passou da hora de percebermos o perigo representado pela postura acanhada do ocidente em relação aos radicais muçulmanos. Abaixo o politicamente correto, a questão é mais séria de que a possível ofensa a um grupo, é um embate pela sobrevivência de nossa civilização. Eis o link:&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;http://www.victorhanson.com/articles/thornton120706.html&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;"Blood was always on our hands: we were licensed to it. Wounding and killing seemed ephemeral pains, so very brief and sore was life with us... We lived for the day and died for it."&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;T.E. Lawrence - The Seven Pillars of Wisdom.&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br&gt;&lt;/br&gt;&lt;p class='poweredbyperformancing'&gt;powered by &lt;a href='http://performancing.com/firefox'&gt;performancing firefox&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-116602729550624190?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/116602729550624190/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=116602729550624190' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/116602729550624190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/116602729550624190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2006/12/o-isl-e-o-ocidente.html' title='O Islã e o Ocidente'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-116316823970460274</id><published>2006-11-10T12:17:00.000-02:00</published><updated>2006-11-10T12:17:19.746-02:00</updated><title type='text'>Politicagens</title><content type='html'>É bastante natural que passada a empolgação das eleições sigamos nossas vidas mais ou menos como de antes. Sem mudanças qualitativas na vida política brasileira, permanecendo Lula enrolado ciumentamente em sua faixa presidencial, é importante entender por que haverá mudanças sim, mas de natureza diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mudanças que se poderá esperar no segundo mandato que, na prática, já começou são quantitativas. Os graves crimes que se vem cometendo, os abusos contra a imprensa, o empobrecimento da maioria dos setores sociais do país, as negociações nefandas (nefandas é termo que emprego no sentido mais preciso: coisas que não podem sequer ser ditas, o que, diante da mordaça que se pretende impor à imprensa, não deixa de ser irônico) com outros "líderes" da américa latina, e a arrogância de quem foi confirmado em toda a sua esplendorosa corrupção, podridão, seu ridículo, por aclamação popular, democraticamente, por um povo que vê em sua situação algo a aspirar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Santo Agostinho pergunta, "quando um povo for de costumes moderados e dignos, guardião diligente da utilidade pública, a ponto de cada um preferir o bem comum ao seu interesse particular, não seria justo para dito povo poder promulgar uma lei que lhe permitisse nomear para si magistrados encarregados de administrar seus negócios, isto é, os negócios públicos?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Doutor da Igreja continua: "Contudo, no caso de esse mesmo povo ir caindo aos poucos, depravando-se, e caso ponha o seu interesse particular acima do interesse público, e vier a vender o seu sufrágio livre, por dinheiro? Além do mais, corrompidos por aqueles que que ambicionam as honras, confiar o governo a homens malvados e criminosos, não seria justo - caso ainda se encontrasse um só homem de bem, revestido de influência excepcional - que esse homem tirasse do povo a faculdade de poder distribuir as honras, para depositar a decisão nas mãos de alguns poucos cidadãos honestos ou mesmo de um só que fosse?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agostinho conclui que, conforme sejam as circunstâncias, as leis temporais podem ser mudadas sem que com isso se cometa injustiça. A democracia não é mais justa que a ditadura, se os grupos "democráticos" se valem de recursos ilícitos para dobrar a vontade do povo de modo que lhes entreguem voluntariamente o poder, contrariando o interesse da nação, de nada vale dizer-se democrático. Se a imprensa está controlada de tal forma a defender um único movimento político, como acontece com a esquerda brasileira, se os pobres se vendem por uma bolsa família enquanto os ricos se vendem por lucros de juros altos, como os banqueiros, ou em troca de um mensalão, como nossos deputados, a democracia, nesse caso, não é em nada melhor do que a ditadura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A solução autoritária seria a "salvação" do povo. Não creio. Se a doença está no povo mesmo, se são os brasileiros que vendem sua devoção em troca de lisonjas, se vivemos imersos em uma grande alucinação e mandamos nas urnas a mansagem de que a equerda pode cometer qualquer crime e receberá aplausos em retorno, atraímos sobre nós a sorte que recebemos - a saber: a miséria, o desemprego, o cinismo presidencial - e a indignação que muitos fingem e exibem diante de todos não corresponde a um sentimento real de arrependimento por ter apoiado este governo, de nada vale esperar a solução &lt;i&gt;Deus ex machina&lt;/i&gt;, os bons aqui não tem tido qualquer chance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso povo é o povo do Coriolanus de Shakespeare, com as exceções que conhecemos. Um povo que é levado por belos discursos, que só se sente bem quando está descontente mas não age a fim de sanar os males, sua indignação é superficial e vazia, sua vontade é corrupta. Ou, citando Lawrence da Arábia (o filme): "&lt;i&gt;A little people, a silly people, greedy, barbarous and cruel.&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="poweredbyperformancing"&gt;powered by &lt;a href="http://performancing.com/firefox"&gt;performancing firefox&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-116316823970460274?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/116316823970460274/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=116316823970460274' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/116316823970460274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/116316823970460274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2006/11/politicagens.html' title='Politicagens'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-115673618117540444</id><published>2006-08-28T00:25:00.000-03:00</published><updated>2006-08-28T00:36:21.186-03:00</updated><title type='text'>O Amor das Pequenas Coisas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/5653/617/1600/30birth.jpg"&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/blogger/5653/617/320/30birth.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;div align="justify"&gt;Às vezes acho que me esqueci do amor. Tanto tempo já faz que não me sinto contundido por sua pungência que é certamente lícito pensar que o esqueci. Isto não poderia estar mais longe da verdade. O afeto sincero, os olhares de cumplicidade, os sorrisos sem maior razão do que o simples fato de ter ao lado o ser amado, dão testemunho da minha profissão, de que mantive a promessa de acreditar que alguma felicidade me aguarda entre o bem querer e o ser querido.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Percebo que falo menos sobre o sentimento, e entendo, no entanto, que parei de teorizar sobre aquilo que a prática aperfeiçoou e fez manifesto em cada gesto de ternura do qual não me embriago desesperado, mas antes recebo de coração aberto.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Pareço menos inspirado, mas a inspiração é uma qualidade injustamente distribuída, enquanto o amor se dá a quem quiser recebê-lo. Posso entrever a paz que repousa após o ato de procurar amorosamente a mulher que se quer bem e entender que ali está um porto seguro em meio a tantas dúvidas que estão tão em moda entre os intelectuais. Os sentimentos simples são mais aptos à vocação de quem procura a verdade, e não a dúvida, e a pretensa erudição não vale um olhar sequer da mulher que se ama.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Já não é preciso tantas linhas para falar. Há certas coisas que se mostra cada dia, com prazer imenso, e talvez seja preciso diminuí-las para dizê-las. No mais, já existem palavras demais causando antes confusão do que concórdia. Que o amor não seja maculado por palavras demais, nem medo demais. Que brilhe ainda mais um pouco nas pequenas coisas, como um segredo contado a quem consiga parar e escutar com o mesmo cuidado necessário para amar alguém.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-115673618117540444?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/115673618117540444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=115673618117540444' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/115673618117540444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/115673618117540444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2006/08/o-amor-das-pequenas-coisas.html' title='O Amor das Pequenas Coisas'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-115455402059812373</id><published>2006-08-02T18:24:00.000-03:00</published><updated>2006-08-02T18:27:00.613-03:00</updated><title type='text'>Citação provocativa.</title><content type='html'>"Os marxistas inteligentes são patifes. Os marxistas honestos são burros. E os inteligentes honestos nunca são marxistas."&lt;br /&gt;(J.O. Meira Penna)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-115455402059812373?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/115455402059812373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=115455402059812373' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/115455402059812373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/115455402059812373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2006/08/citao-provocativa.html' title='Citação provocativa.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-115411766960193924</id><published>2006-07-28T16:57:00.000-03:00</published><updated>2006-07-28T17:14:29.656-03:00</updated><title type='text'>A Excomunhão de Espinosa</title><content type='html'>Recebi um gentil e-mail de Brunilda, a qual me conclamava a continuar a postar alguns escritos neste espaço. Passada a natural lisonja que sente um escrevinhador amador nesses momentos, pus-me a escrever. Embora tenha composto o texto no dia em que recebi o e-mail, acabei achando-o incompleto e deixei o pobre engavetado. Muitos afazeres acadêmicaos acabaram por me desviar a atenção, não só do blog como de minha vida social, durante mais ou menos um mês, de sorte que só agora acheio ocasião para trazer à luz o bebê que jazia em minha pasta de originais. Meu agradecimentos a Brunilda e meu pedido de desculpas pela indelicadeza de escrever e não publicar. Dado que não respondi seu e-mail espero ompensar fazendo público o meu obrigado.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; &lt;strong&gt;A excomunhão de Espinosa e a liberdade fundamental.&lt;/strong&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Pareceu-me estranho, ao ler Francis Schaeffer, que o grande teólogo fizesse certas críticas à modernidade, em especial no campo da filosofia, enquanto elogiava o pensamento da reforma em muitas frentes e deixasse de lado a doutrina de Baruch de Espinosa. O judeu apóstata que transitava em meio a protestantes calvinistas e judeus refugiados na Holanda lançou as bases do pensamento “do desespero”, para usar a terminologia de Schaeffer, muito antes de Hegel e Kierkgaard. Se não influenciou diretamente o pensamento moderno (falo em modernidade no sentido dado por Schaeffer), certamente foi lido por filósofos de grande renome, os quais levaram a termo pensamentos semelhantes sobre Deus e sobre o homem, com as piores conclusões.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Por que o trabalho de Espinosa foi proibido na Holanda? O que explica o fato de os reformadores holandeses tão afeitos à liberdade e contrários à repressão demonstrarem tamanho horror ao pensamento do filósofo? Espinosa foi, também, excomungado pelos judeus de sua comunidade e é preciso entender a razão disso a fim de não cair no velho truque de apelar para a intolerância religiosa como explicação geral para os males do mundo (e não falta nunca quem esteja disposto a fazê-lo).&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Em primeiro lugar, a fim de preparar o que segue, devo dizer que admiro bastante a filosofia de Espinosa. Muito embora discorde plenamente de suas teses centrais, como discordo das de Schopenhauer – o qual, aliás, foi seu leitor – por razões semelhantes, ele foi incrivelmente perspicaz em relação aos homens. Sua cosmovisão, incapaz de prover uma base suficiente para explicar o mundo apropriadamente, é amplamente superada pelo olhar do filósofo em relação ao homem, na medida em que consegue perceber a natureza humana e dar conta de grande parte dela de maneira sistemática e detalhista no terceiro livro da Ética e em outros lugares na sua obra. Apesar de perceber as profundas vicissitudes do homem, Espinosa não se inclui entre os filósofos do desespero diretamente porque nunca deixou de ser movido por um otimismo humanista na “evolução” do homem (o termo é anacrônico, mas ajuda) através do conhecimento da natureza.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O primeiro livro da Ética fala de Deus. Deus é a causa de si mesmo, desdobrando-se articuladamente em modos e atributos que são compõe o mundo em suas subseqüentes especificações. É o que se costuma chamar Deus sive natura. Este é o primeiro problema do pensamento de Espinosa, e vai viciar os seus posteriores desenvolvimentos em grande medida. Se Deus é idêntico ao mundo, se somos modos da substância infinita, um problema lógico se apresenta: dizer que tudo é Deus é o mesmo que dizer que nada é Deus.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O Tratado Teológico Político analisa a Escritura Sagrada conforme esta premissa de que Deus e a natureza ou o mundo são a mesma coisa. Desse modo, a Bíblia é interpretada conforme os padrões da filosofia natural. Tudo o que, no texto, contradiz as leis científicas é tido como metáfora, e a profecia é interpretada como resultado da imaginação dos profetas. Esse pensamento é exatamente o mesmo do liberalismo teológico de nossos tempos e da busca pelo Jesus histórico. Como dizia Schaeffer, é impossível separar o aspecto sobrenatural da narrativa bíblica sob pena de perder de vista o objeto de estudo. A história bíblica e o sobrenatural são indissociáveis.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O humanismo de Espinosa é resultado do esvaziamento de Deus. A identificação do criador com a criatura pode ser realizada no intuito de elevar a criatura, mas como resultado depara-se com o rebaixamento do criador e com a subseqüente perda de valor da criatura. Quando Marx, por exemplo, fala da reificação do homem, faz uma análise profundamente cristã do problema, rejeitando, no entanto a solução lógica que seria reestabelecer o criador que dá valor ao ser humano. Essa análise do problema do valor do ser humano sem a resposta adequada desemboca no totalitarismo socialista, a mera substituição do tirano.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A Bíblia revela um Deus todo-poderoso com uma ressalva: Ele é fiel a si mesmo. Se fiel a si mesmo, podemos confiar (e Deus se mostra ao homem, dando prova disso) na sua palavra. A palavra de Deus, a promessa de Deus, é nosso escudo contra a arbitrariedade do poder infinito Dele, bem como do arbítrio (muito pior) do homem, seja o tirano, o aristocrata ou o povo reunido em assembléia. Nossa razão, dada por Deus, bem como a Bíblia, apontam para um princípio de não contradição d’Ele; esse princípio significa que Deus não agirá contra sua própria vontade conforme revelada na sua palavra.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Ora, a experiência mostra que o homem tem para o próprio homem o valor de coisa. A crítica marxista da reificação do homem é mais velha do que si própria e é uma percepção da natureza maligna do ser humano. Espinosa já mostra que amamos ou odiamos os outros conforme sua capacidade de nos causar alegria ou tristeza. Esse homem inconstante não pode ser a medida, o padrão, que confere valor ao próprio homem. A ética que tem o homem como valor absoluto não serve de nada. O próprio Espinosa não consegue escapar dessa premissa e começa seu livro falando de Deus em primeiro lugar, apesar de defender uma idéia de Deus absolutamente vazia, e por isso mesmo herética.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A questão da liberdade, que é uma tônica na Ética de Espinosa (parte V), esbarra em uma questão fundamental: a liberdade sem um sentido é absolutamente nula. A liberdade serve para que possamos perseguir um fim sem sermos impedidos. Se não há o que buscar a liberdade só serve para o exercício ou a expressão de nossa natureza má. O caos é a liberdade sem sentido, a ordem é a liberdade orientada para um fim bom. Liberdade como valor isolado não serve para nada. A falta de Deus ou sua substituição por motivos, símbolos ou causas meramente humanas tornam a liberdade o princípio da tirania.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A fé na evolução humana por meio da difusão do conhecimento adequado da natureza e da alegria é ingênua se confrontada pela experiência e pela Escritura; ambas retratam um homem caído, separado de Deus, mau. A Bíblia revela não só a queda do homem como também a sua meta: a religação (religião) com Deus. O verdadeiro sentido da vida humana aponta para o Deus transcendente da Bíblia, não para a natureza (podemos igualmente lembrar do bom selvagem de Rousseau, a noção de homem “naturalmente” bom e que viverá bem se voltar à vida antes da cultura, mas este é outro autor que merece a atenção que o tempo não permite dar).&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A excomunhão de Espinosa nos ensina em primeiro lugar que não se excomunga ninguém por motivos políticos e sim teológicos. Espinosa não foi excomungado por defender a liberdade humana, o que fez defendendo um individualismo radical mesmo para os dias de hoje, mas por defender uma idéia imanentista e vazia de Deus, contrária à experiência religiosa verdadeira. A segunda observação é que devemos entender quão grande é a falácia de que o homem se basta, uma vez que a rebelião do homem contra Deus, reeditada pelos liberais iluministas e pelos filósofos de influência scchopenhaueriana (incluindo o próprio) tem resultados práticos desastrosos.&lt;br/&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-115411766960193924?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/115411766960193924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=115411766960193924' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/115411766960193924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/115411766960193924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2006/07/excomunho-de-espinosa.html' title='A Excomunhão de Espinosa'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-114904930087386902</id><published>2006-05-31T01:16:00.000-03:00</published><updated>2006-05-31T01:21:40.873-03:00</updated><title type='text'>Virtue found</title><content type='html'>Obrigado a todos vocês que me ajudaram nas  buscas pela amiga Virtue. Ela foi encontrada, passa bem, e criou um maravilhoso blog com links dos mais proveitosos. O endereço pode ser encontrado em minha recém inaugurada sessão de links, a qual certamente não será atualizada tão cedo, de modo que recomendo uma visita ao blog de minha amiga. No mais, agradeço a compreensão e em breve seguiremos com nossa programação normal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-114904930087386902?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/114904930087386902/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=114904930087386902' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/114904930087386902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/114904930087386902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2006/05/virtue-found.html' title='Virtue found'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-114830951473381330</id><published>2006-05-22T11:50:00.000-03:00</published><updated>2006-05-23T01:20:37.520-03:00</updated><title type='text'>Sobre os últimos acontecimentos</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;i style=""&gt;“ Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.” (João 4:24)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;i style=""&gt;“O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida.” (João 6:63)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;i style=""&gt;Ruagh&lt;/i&gt; é o espírito, o sopro da vida, o fôlego, a sede da vontade, o vento que percorre a Terra toda e por tudo passa, o hálito, a própria capacidade intelectual humana. Esta palavra condensa nossa capacidade mesma de, desde já, participar do divino, transcendendo a matéria e experimentando a algo mais próximo da totalidade do mundo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Vivemos tempos em que o vento quase não sopra mais, já não carrega para longe o fedor dos corpos podres que nos cercam. Enquanto estamos acossados pela premência de lidar com os efeitos psicologicamente devastadores do medo, resignados com nosso papel de expectadores e vítimas do drama que se desenrola nas mais diversas regiões da nação em suas diferentes formas, somos incapazes de identificar o mal e dar-lhe um nome.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;O pensamento cientificista de nosso tempo, essa fé no deus ciência, nada mais é que a perversão da porção humana que participa no divino por sua capacidade intelectual, e nos imbui de um impulso classificatório que leva logo a apontar os problemas como econômicos, sociais, políticos, educacionais e assim por diante. Acreditamos, à maneira gnóstica, que tais frentes podem ser atacadas e corrigidas de modo a resolver as causas do mal no mundo em sua diversidade e instituir finalmente uma paz social reinante. Ao estudar nossas dificuldades conforme os parâmetros da ciência, acreditamos que temos o poder de mudar a realidade automaticamente, como se fôssemos imperadores na ilha de Próspero e fizéssemos prodígios com uma simples varinha. A verdade é que esse orgulho nos torna piores do que Calibã, pois ao contrário do monstro, permanecemos iguais apesar da experiência sofrida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;O padecimento do espírito é o fruto direto da sua negação. Quanto mais falhamos em reconhecer a hierarquia das causas e conseqüências, bem como sua sede primeira como sendo metafísica e não material, estaremos fazendo eloqüentes discursos sobre o vazio (embora isso seja talvez injustiçar o vazio, tema de grande e rico debate científico ao longo da Idade Média). O espírito cobra a atenção que lhe é devida quando a atomização dos problemas que nos aterrorizam acaba por deixar escapar a única coisa que perpassa a sociedade cindida, o único elemento de transcendentalidade que poderá restaurar algum sentido de ordem no mundo. Primeiro o espírito deve ser atendido, só então as demais estruturas, produtos do espírito que nos anima, serão transformadas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;A negação da metafísica (nome pelo qual os filósofos acharam por bem chamar o domínio do espiritual, fazendo uma aproximação talvez um tanto grosseira) é a negação do transcedental, e nos reduz a meros animais. Não é de surpreender, por tanto, que atos animalescos sejam cometidos por muitos em tempos de crise. Por causa dessa limitação imposta aos homens pelos homens, de não mais acreditar no espírito divino e na porção humana que dele participa, os horizontes das pessoas tornam-se tão claustrofóbicos que as lançam no mesmo desespero que agora se experimenta. E o desespero só conhece uma saída, ele clama por sangue, clama pela morte de si ou do outro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Somente se acreditamos na transcendência podemos acreditar na medida única que perpassa todos os homens. Somente com essa medida podemos entender que há o certo e o errado. Somente assim podemos acreditar no pecado. A partir do momento em que o homem não mais é capaz de pecar, em que a moral é relativizada por ser exclusivamente imanente, questão de convicção pessoal, as pessoas são lançadas em uma espécie de psicopatia somente mitigada por uma vaga lembrança do espírito perdido na modernidade. Se não podemos pecar, não podemos nos arrepender e nem nos redimir. Se não existe redenção, a dimensão teleológica da existência nos falta e nos tornamos aleijados espirituais, sem rumo, sem objetivos últimos. É por isso que, ao ver os últimos acontecimentos, é fácil pensar nas pessoas como se fossem animais. De certo modo o são. De certo modo, por outro lado, somos nós os animais ao não ver nos outros uma essência de homens, ou por acreditar que estão além de redenção.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Diante deste descaminho quase absoluto do mundo só resta uma saída: a redescoberta do mal e a redescoberta de Deus. Falo da redescoberta do mal porque enxergamos o mal por uma lente distorcida. Kant estava correto em acreditar ser impossível fundar uma moral alheia à religião. O fato de não identificarmos o mal e a morte com o pecado nos impossibilita o acesso a Deus por meio da redenção que ele graciosamente oferece. É imperativo que redescubramos o estatuto verdadeiro do mal no mundo. Depois disso, precisamos redescobrir o estatuto do mal &lt;st1:personname productid="em n￳s. Nosso" st="on"&gt;em nós. Nosso&lt;/st1:personname&gt; coração pecaminoso, nossa própria crueldade. Depois de vermos o mal em nós, devemos nos arrepender. Por fim, e somente após ter feito tudo isso, iremos encontrar o mal nos outros e, amorosamente, falar-lhes sobre a redenção. Este é o princípio da solução das mazelas do mundo hoje. Qualquer explicação menos abrangente deixará o mais importante e fundamental de fora.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-114830951473381330?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/114830951473381330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=114830951473381330' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/114830951473381330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/114830951473381330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2006/05/sobre-os-ltimos-acontecimentos.html' title='Sobre os últimos acontecimentos'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-114588965411373766</id><published>2006-04-24T11:36:00.000-03:00</published><updated>2006-04-24T11:40:56.360-03:00</updated><title type='text'>Virtue, where art thou?</title><content type='html'>Querida Virtue,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebi seu coment e, embora possa dar alguns bons palpites acerca da sua identidade, não consegui uma indicação clara de qual fosse, nem de como entrar em contato por outro meio que não meu próprio blog. Quanto ao Orkut, veremos, veremos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um beijo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiago&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. Aos demais leitores adianto que apagarei este recado tão logo fizer contato com esta amiga que procuro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-114588965411373766?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/114588965411373766/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=114588965411373766' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/114588965411373766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/114588965411373766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2006/04/virtue-where-art-thou.html' title='Virtue, where art thou?'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-114503142831308634</id><published>2006-04-14T12:13:00.000-03:00</published><updated>2006-04-14T13:17:08.373-03:00</updated><title type='text'>Se um rapaz cabisbaixo...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    Um rapaz que anda cabisbaixo numa rua escura não tem nome. Não precisa de um. Sua função na ordem do universo é meramente ser um rapaz cabisbaixo cuja circunstância é andar por uma rua escura. Se lhe damos assim sem mais nem menos um nome, torna-se uma pessoa. Esse giro ontológico causa toda a espécie de problemas que eventualmente culminam na criação de um ou mais livros nos quais se desenrolam ações internas e externas devido à interação do rapaz com as circunstâncias nas quais está inserido. Procaria-se algum motivo para que estivese na rua, para que saísse da rua escura, dar-se-lhe-ia pensamentos sobre sua vida imaginada ou vivida, conforme o contexto no qual encontramos o rapaz (em um conto, por exemplo, ou no mundo real) e ele então colocaria o observador e fiel depositário do olhar sobre sua caminhada pela rua escura na difícil tarefa de revelar uma miríade de detalhes que o tornassem interessante ou ao menos um pouco mais humano. Tudo isso é necessidade, como dizia, gerada pelo ato simples de nomeá-lo.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    Claro, um rapaz que precise ser nomeado não é um rapaz real. Um rapaz cabisbaixo de verdade possui um nome, e sem dúvida deve fazer bom uso dele a fim de "funcionar" no nosso mundo atual. É comum hoje, em relação aos rapazes cabisbaixos reais, o giro ontológico contrário. Um problema comum no estado moderno é justamente o fato de que está-se excluindo progressivamente o espaço para que rapazes cabisbaixos tenham nomes ou mesmo pensamentos. Isso seria acabar com a isonomia com a qual a burocracia democraticamente trata a todos. Trata mal, é verdade, mas é obrigada por lei a tratar igualmente mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Então, prosseguindo, o rapaz, ironicamente fadado a andar pela rua escura, cabisbaixo, tem em sua breve existência (que já conta de cinco minutos completos) uma série de problemas filosóficos, gramaticais e políticos com os quais deverá se haver um dia, caso venha a fazer perguntas bastante apropriadas a um rapaz inteligente que por um acaso venha a deparar-se com um volume de filosofia ou teologia, e poderia então revoltar-se contra aquele que lhe conferiu essa existência não empírica de ente puramente intelectual. Supondo que o faça, ficaríamos bastante surpresos com tamanha ingratidão, em especial considerando que o criamos faz pouco mais de seis minutos, agora.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;    Seria, no entanto, muita arrogância esperar qualquer espécie de reconhecimento por parte do rapaz que anda cabisbaixo pela rua. Ou não? Se, dentro de nossas possibilidades, fomos benevolentes o suficiente para conceder-lhe existência, o rapaz poderia estar um pouco mais feliz. Todavia, poder-se-ia argumentar que o rapaz anda cabisbaixo porque, conforme o criamos, não poderia andar de outra maneira. É bem verdade que não conseguiríamos, dentro de nossas capacidades, fazê-lo dotado de alguma espécie de autonomima. Seria necessário um ente bem mais capaz do que eu para fazer um rapaz cabisbaixo que pudesse olhar dos confins de nossa mente para nós mesmos e erquer os punhos revoltado por estar naquela rua escura. Desse modo, qualquer revolta, além de inútil, seria uma impossibilidade.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;    Somos tentados a nos perguntar, após esta breve investigação, se não seria essa a principal diferença entre o rapaz cabisbaixo real e o imaginado. Falo do rapaz real porque é possível que enconremos em algum lugar no mundo um rapaz que atenda a essas condições tão simples que possamos chamá-lo, num sentido figurado, a tomar parte em nosso exercício. O rapaz real poderia então erguer os punhos em revolta contra sua circuntância. Ele possui um nome, e possui pensamentos que muitas vezes escapam a qualquer controle, inclusive o seu próprio. Ele existe independente de nossa vontade, tomamo-lo como um rapaz dado na realidade empírica. Este rapaz está andando em um mundo dotado de um senso de história não-cíclico, afinal o futuro não aconteceu, e o passado já está além de nossa esfera de ação. A ação e o pensamento acontecem no presente do rapaz que caminha cabisbaixo. Tudo que lhe é dado é dado agora. Seria então possível que seu futuro fosse determinado ou sequer conhecido?&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;    Para que um futuro seja conhecido existem duas condições. A primeira é a observação da repetição de um evento. A segunda é a capacidade de produzí-lo. Se alguém for poderoso o suficiente para garantir que um evento se produzirá no futuro, poderá ser um cientista. Se essa pessoa pode produzir todos os eventos que de fato ocorrem no universo, essa pessoa é necessariamente Deus. Isso deixa pouco espaço para o indeterminado. O espaço de ação que teríamos seria muito pequeno, se houvesse algum. Seríamos ontologicamente iguais ao rapaz cabisbaixo imaginado. No entanto, cremos que não é assim. Somos livres para realizar ao menos uma grande escolha dentro dessa ordem de coisas. Nossos atos de volição não são determinados por nada além de nossa própria capacidade de imaginar, de modo que a natureza não pode refrear o gênio humano com sua necessidade absoluta. Desafiamos o meramente orgânico a todo o tempo, e isso constitui a prova mesma da liberdade da qual fomos dotados para que fôssemos muito mais interessantes do que meros rapazes imaginados para investigações hipotéticas numa tarde de sexta-feira. Podemos acreditar nesse Deus ou não. Podemos acreditar Nele e ainda permanecer insubmissos, levados pela idéia de falsa liberdade que e aquela de agir conforme nossa própria vontade, ou poderíamos aceitar um conhecimento de ordem superior ao nosso, tomando parte da mente de Deus por meio da realização da vontade Dele. Embora Ele seja condição de nossa existência, quer o neguemos ou não, não somos condição da existência Dele. É por isso que nosso conhecimento de Deus não ocorre da forma tradicional, relação sujeito-objeto. Para explicar nosso conhecimento de Deus é necessário que concebamos uma relação diferente de conhecimento, porque Deus não se poderia jamais colocar como objeto de investigação das criaturas Suas. Podemos interpelar a vontade de Deus, conforme revelada, mas não podemos interpelar sua pessoa, como fazemos a um objeto de estudo.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;    O fato de nos perguntarmos sobre nossa existência mostra como fomos trazidos a ela por uma pessoa muito superior a nós. Jamais poderíamos conceder a liberdade de fazer tais indagações a algu que criássemos, somente poderíamos colocar em sua boca nossas próprias dúvidas a esse respeito.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-114503142831308634?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/114503142831308634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=114503142831308634' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/114503142831308634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/114503142831308634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2006/04/se-um-rapaz-cabisbaixo.html' title='Se um rapaz cabisbaixo...'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-114463614154447692</id><published>2006-04-09T23:13:00.000-03:00</published><updated>2006-04-09T23:29:01.576-03:00</updated><title type='text'>Frase divertida.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Achei essa frase genial citada por Roberto Campos. Parece bastante apropriada para o cenário brasileiro. Aproveitanto o ensejo, faço votos para que todos votemos nulo nessa eleição, porque se não estamos arrependidos pelo congresso que elegemos (e aquela quadrilha que se apossou do executivo em nome dos trabalhadores), perdemos o direito de esperar que nosso voto ofereça qualquer coisa melhor do que uma desculpa para faltar ao trabalho... Lá vai ela:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;"É verdade que há vários              idiotas no Congresso. Mas os idiotas constituem boa parte da população              e merecem estar bem representados".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Hubert Humphrey, vice-presidente dos Estados Unidos na administração              Lindon Johnson.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;In: http://www.clicrbs.com.br/clicrbs/especiais/diversos/roberto_campos.htm&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;no texto Leis da Política&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei do PT porque na campanha do Excelentíssimo Degustador de "Aguardente de Cana-de-Açúcar produzida no Brasil" (nossos negociadores têm tentado desesperadamente fazer esse nome substituir o escrito "Rum" nos rótulos de cachaça dos EUA) que nos olha do alto do planalto como um pai amoroso, falava-se muito que a esperança venceu o medo. Qualquer bom leitor de Thomas Hobbes veria nessa campanha que emprestou seu slogan da teoria política do filósofo inglês uma espécie de propensão a, chegando-se ao poder, acabar com as facções e instituir o grande Leviatã petista. Todavia, o caldo entornou. Eles agora contarão com os idiotas da população a quem tem representado como seria de se esperar para mais uma vez levá-los à seca e ensolarada Brasília. Acho que vamos precisar engolir muita cachaça para digerir outros quatro longos anos de Lula.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-114463614154447692?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/114463614154447692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=114463614154447692' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/114463614154447692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/114463614154447692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2006/04/frase-divertida.html' title='Frase divertida.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-114406623711696227</id><published>2006-04-03T08:59:00.000-03:00</published><updated>2006-05-31T01:26:11.983-03:00</updated><title type='text'>No Reply</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa música é uma das minhas favoritas. Está aqui porque é apropriado que esteja. No mais, como disse o filósofo, "Sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se calar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Reply - Yoko Kanno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Like the perfect ending,&lt;br /&gt;It won't be long,&lt;br /&gt;Till everything I've ruined has seen me gone,&lt;br /&gt;In time, I pray you'll forgive,&lt;br /&gt;Now you know the man I am,&lt;br /&gt;Can you forgive me?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I fall,&lt;br /&gt;Like the sands of time,&lt;br /&gt;Like some broken rhyme,&lt;br /&gt;At feet no longer there.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;If only I could call the rain to melt and wash away the pain you feel&lt;br /&gt;I would&lt;br /&gt;You gave yourself to me and showed me what the truth could be&lt;br /&gt;For that, I say thank you&lt;br /&gt;This was my life&lt;br /&gt;It never made much sense to me...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;With every lie that I lived,&lt;br /&gt;Part of me would fade,&lt;br /&gt;Into this empty shadow I've become,&lt;br /&gt;And now I feel so numb,&lt;br /&gt;I no longer know myself,&lt;br /&gt;But I still know you.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I call,&lt;br /&gt;And there is no reply,&lt;br /&gt;Like some phantom cry,&lt;br /&gt;On ears too far away,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I close my eyes and watch as my life passes by,&lt;br /&gt;The only thing I see is you,&lt;br /&gt;For all the times you walked the line for me and standing by my side,&lt;br /&gt;I say thank you,&lt;br /&gt;Here lies my life,&lt;br /&gt;It never felt that real to me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;You'll always mean so much to me,&lt;br /&gt;And there's no reply,&lt;br /&gt;And there's no reply,&lt;br /&gt;You'll never know how much you meant to me,&lt;br /&gt;And there's no reply,&lt;br /&gt;And there's no reply,&lt;br /&gt;You'll never know how much you meant to me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;If only I could call the rain to melt and wash away the pain you feel.&lt;br /&gt;I would.&lt;br /&gt;You gave yourself to me and showed me what the truth could be.&lt;br /&gt;For that, I say thank you.&lt;br /&gt;This was my life.&lt;br /&gt;It never made much sense to me...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I close my eyes and watch as my life passes by,&lt;br /&gt;The only thing I see is you,&lt;br /&gt;For all the times you walked the line for me and standing by my side,&lt;br /&gt;I say thank you,&lt;br /&gt;You in my life,&lt;br /&gt;It all meant so much more to be."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certas coisas não tem remédio. Mesmo assim, seria apropriado reconhecer com honestidade o que ficou. Fica o meu muito obrigado, de coração. Fica minha sincera desiderata, de felicidade, de amor, de que sorriso algum seja jamais manchado de uma mágoa qualquer. O travor da amargura na boca pode às vezes nos impedir de apreciar os sabores mais sutis e maravilhosos da vida. Não convém ficar demais assim. Comvém esperar (e receber) mais vida, mais amor, mais felicidade e quem sabe um pouco de paz.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-114406623711696227?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/114406623711696227/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=114406623711696227' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/114406623711696227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/114406623711696227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2006/04/no-reply.html' title='No Reply'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-113856572706539840</id><published>2006-01-29T18:12:00.000-02:00</published><updated>2006-01-29T18:37:19.363-02:00</updated><title type='text'>Acreditar no Amor</title><content type='html'>Eu ainda acredito no amor. E ainda espero que, apesar das circunstâncias difíceis que nos cercam todos, o amor ainda acredite em mim. Não parece razoável crer que ainda haja uma afeição tão pura que possa resistir a toda a corrupção tão fácil, tão atraente, que cerca a existência de cada um nesses tempos tão terríveis, mas ainda deve existir uma última resistência: loucos que, como eu, ainda acreditam no amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  O amor às vezes é caprichoso e demora a se mostrar. Alguns já estão tão cansados de ser enganados por pseudo-amores, amores grávidos sempre da mesma desilusão, que não podem suportar a idéia de amar de novo. Isso é um crime horrendo. É o aborto do amor verdadeiro e, embora eu entenda melhor do que ninguém a dor que leva as pessoas a cometê-lo, é necessário  parar de sufocar aquilo que há de mais belo por causa do medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Eu ainda acredito no amor, mas isso exige coragem. Muitas vezes me encontro absolutamente cansado, pronto para desistir de lutar, desejoso de que o amor acabe e a vida possa seguir sem mais perturbações do coração. Nessas horas me lembro, ao contemplar o mundo feio e vazio do desamor, como o amor é belo, como traz à luz o que há de mais encantador, mais puro e mais duradouro dentro de cada um. O amor é a preservação da vida, não da própria, mas da vida de quem se ama. É pensar no outro antes de si, e assim, quando amamos e somos amados, nos esquecemos de nós e ainda sim somos felizes, porque há alguém olhando por nós, fazendo uma prece singela e silenciosa por nossa felicidade. Sem amor nosso egoísmo nos leva a erguer reclamações vazias aos céus reclamando mais e mais para satisfação do próprio desejo, e não há nisso nada de agradável aos ouvidos de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Ainda acredito no amor, porque a alternativa é ainda pior do que sofrer por amor. A morte do amor é o fim da esperança, pois se não amamos não há o que esperar além da morte que chega apesar de tudo. Por isso tenho esperança, e se espero, é prova de que acredito no amor. O amor já me desapontou, mas se eu desanimasse, seria muito mais infeliz por saber que cada tristeza seria o fim. Se desanimamos no amor, pomos ao fim de cada riso, de cada beijo, de cada olhar, um ponto final. Após o ponto, não resta nada. Após o amor, no entanto, resta a verdadeira sabedoria, aquela de não ter vivido em vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Ainda acredito no amor, pois sei que o amor é perene para aqueles dispostos a assumí-lo. Acredito que podemos superar a dor, que é passageira, para enfim descansar nos braços de alguém que nos queira bem. Mas só se pudermos desistir de tudo, e tudo entregar. Se não tivermos mais apego à nossa mesquinha liberdade, à independência que não passa de um apelido para a solidão, se ousarmos acreditar, seremos capazes de qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Ainda existem aqueles que acreditam no amor, mesmo que agora estejam entre as lágrimas. Mesmo o amor passado, que choramos por muito tempo, não foi vivido em vão. Ele nos mostrou que existe em nós ainda alguma fibra para resistir as investidas do mundo inteiro, e encontrar um canto escondido dentro da alma que ainda é capaz de se deixar tocar pela beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Acreditar no amor é ter fidelidade a si próprio. Negar o amor é trair a si e a quem se ama. Acredito no amor e não vou desistir de amar porque na noite mais solitária, na angústia mais negra, na dor mais intensa, a lembrança do amor me valerá; e quando for feliz, serei muito mais feliz do que jamais poderia esperar. E nada no mundo traz uma felicidade mais luminosa e intoxicante, mais terna e libertadora, do que o amor&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-113856572706539840?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/113856572706539840/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=113856572706539840' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/113856572706539840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/113856572706539840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2006/01/acreditar-no-amor.html' title='Acreditar no Amor'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-113751981196493955</id><published>2006-01-17T15:13:00.000-02:00</published><updated>2006-01-17T15:43:32.003-02:00</updated><title type='text'>Silêncio</title><content type='html'>Existe algo reconfortante no silêncio. A total ausência de choro, riso, vozes, barulhos incidentais. Tanta gente se preocupa em fazer trilhas sonoras sentimentais da vida, e esquece que em algum momento houve um princípio em silêncio. Antes do primevo vagido, havia uma existência privada de expressão, havia um universo de sensações veladas cuja experiência era exclusivamente pessoal, e por isso o que havia de mais autêntico antes de chegarem as hipocrisias do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pense, mas não fale; fale, mas não escreva; escreva, mas não assine. Se fosse capaz de observar essas regras não teria sido mais feliz, mas teria sido menos triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reconfortante eu dizia, porque o silêncio não traz notícias ruins, não traz ventos de mudança, não traz contradições, não faz confusão, não se perde pelas palavras, não gera desacordo. Um mundo de silêncio seria impossível para qualquer um de nós, mas justamente por isso o silêncio é tão precioso nesse mundo em que somos tão apegados ao barulho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas mais belas que sentimos talvez não possam ser ditas. Seria diminuí-las e humilhá-las. Seria submetê-las à compreensão e à interpretação de alguém que desconhece a maneira pela qual elas foram compostas, que não nos sabe por inteiro e jamais poderia apreciar, por meio de meras palavras, a maravilha do sentimento em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas coisas simplesmente não merecem ser ditas. Sobre certas coisas a observação do silêncio é a única resposta inteligente. Guardar para si o que há de pior e também o que há de mais sincero pode não ser recomendado pelo terapêuta, mas nos permite controlar o que esperamos que se pense de nós, porque ninguém é realmente capaz de aceitar o outro tão completamente. Somos juízes impiedosos dos outros, e ao julgá-los aprendemos que há muito sobre nós mesmos que convém calar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém mais experiente do que eu já disse que jamais devia um homem dizer "eu te amo". Seria expor-se demais e ninguém, por mais que ame, deveria se colocar à mercê de outra pessoa tão facilmente. Afinal não se sabe ao certo qual a real capacidade da amada para a crueldade. E nem, quando ferido o orgulho, a sua própria capacidade para ser cruel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem coisas que não convém dizer a nós mesmos. Quem saberia dizer que monstro abrigamos debaixo da casca da nossa pele? Quem saberia se não é, pelo contrário, um santo que, liberto, nos obrigaria a tomar sobre nós mesmos dores muito piores do que queremos suportar? Viver pela metade é o desejo que aflora nos depressivos, não viver é o que querem os suicidas. Não falar é o hábito dos tímidos, que são muito cuidadosos em preservar suas personalidades ao invés de aniquilá-la. Nesse sentido, os extrovertidos se assemelham muito mais aos suicidas. Qual é a diferença entre se diluir em meio à massa humana que nos cerca e deixar simplesmente de existir? Convém viver calado, pois assim se salva a distinção entre os próprios pecados e os pecados dos outros. Seria muito cruel ser vítima de ambos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver é perigoso demais. Melhor é observar, diligentemente, o silêncio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-113751981196493955?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/113751981196493955/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=113751981196493955' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/113751981196493955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/113751981196493955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2006/01/silncio.html' title='Silêncio'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-113227456029220468</id><published>2005-11-17T20:47:00.000-02:00</published><updated>2005-11-17T22:42:43.036-02:00</updated><title type='text'>Problemas e mais problemas..</title><content type='html'>Refletindo um pouco a respeito de minhas deficiências intelectuais percebi que faltam em mim conecimentos maiores a respeito de duas áreas de maior importância para quem se proponha a trilhar um caminho na filosofia. Essa concientização poderia se aplicar aos meus interesses específicos mas, se por um lado vejo que muitos outros como eu padecem do mesmo problema, isso pode ser projudicial para a o avanço da filosofia como tal. Se eu estiver correto, isso explica porque hoje em dia muitos autores gostam de passar psicologismos por filosofia sem a menor dor na conciência, conforme diagnostica, por exemplo, Bryan Magee. Peço perdão pelo emprego de uma linguagem nada formal em boa parte do texto, mas a escrita é comandada mais pelo meu humor do que pelo propósito do projeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lendo um pouco da matéria um sujeito moderadamente educado vai inevitavelmente descobrir que a filosofia deve se reportar essencialmente a problemas filosóficos. Em termos claros, o grande barato da filosofia passa longe do ideal do sábio que a tudo responde e consiste na capacidade de olhar para o mundo e propor as perguntas certas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As perguntas, é claro, podem ter o mais variado conteúdo, desde que (veja que esta é a regra para a grande filsofia) sejam perguntas sobre o mundo. O filósofo de fato, vá aí listando os figurões cuja leitura realmente vale a pena, interpela o mundo para tentar compreendê-lo. Só depois vai interpelar os outros figurões a respeito de suas dúvidas e por fim, se a coisa ficar muito complicada, escarafunchar os escritos dos comentadores mais destacados. No fundo, grande parte do que se escreve sobre filosofia não é filosofia e nem muito menos é interessante. Seguindo essa ordem (com a insistência quase didática sobre o mundo, que sacrifica o estilo que porventura houvesse nesse escrito).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que quando escrevo sobre qualquer coisa parto de necessidades estritamente pessoais, são meus problemas e isso me torna a pessoa mais indicada para pensar sobre este conjunto específico de problemas e como seus elementos se relacionam; a partir daí a coisa toda ganha algum fôlego e tem alguma chance de virar filosofia se eu teiver a sorte, a habilidade e a dedicação de ficar bom na atividade. Mas esse parágrafo é uma nota de rodapé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria mesmo chegar no começo da filosofia. A disciplina era ligada ao estudo da natureza justamente porque a filosofia e as ciências naturais tem um objeto em comum, a realidade. Isso quer dizer que existe a realidade, e por isso insisto que uma filosofia que negue a realidade por obra de algum idealismo ou solipsismo deve tratar-se de uma não filosofia. A origem comum das ciências naturais e da filosofia vai ainda mais fundo: os grandes problemas que ambas tratam são os mesmos. O que constitui a realidade, do que é feita a matéria, qual é o limite do universo, o que é possível conhecer, e muitas outras perguntas que não me ocorrem no momento mas que seguem o exemplo das precedentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe um outro lado da filosofia que não diz respeito às ciências naturais: o da a ética e da moral. A filosofia moral e ética (não me detenho com calma no vespeiro que é a distinção entre as duas, se de fato existe), é a que concerne a ação humana. Os problemas desta disciplina não dizem respeito ao mundo diretamente mas sim de uma certa atitude dos homem com relação ao mundo. É de natureza bastante diversa da filosofia natural por dizer respeito mais diretamente ao homem. Nesse campo os valores entram em cena e as perguntas com as quais Sócrates chocou o mundo da filosofia de tal forma que acharam mais fácil convidá-lo a suicidar-se (e é bem sabido que o filósofo aceitou a sugestão): o que é a justiça, o que é o bem, e outras dúvidas do gênero. A natureza mais sutil da matéria em relação a solidez física do objeto dos estudos da natureza é que acabou culminado num danoso relativismo que assombra nossa sociedade milhares de anos após o começo do pensamento filosófico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes dois aspectos da ativdade filosófica estão ligados constitutivamente à disciplina, e infelizmente são negligenciados por uma parte significativa dos estudantes de filosofia. Nesse ponto é que meu problema pessoal aparece: não possuo uma formação satisfatória nas duas disciplinas que me habilitariam a fazer perguntas mais pertinentes a respeito destes dois aspectos da filosofia, a saber, a física e a teologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A teologia é o estudo da mais maravilhosa empresa intelectual de explicação do universo em cada pormenor. Partindo, mais uma vez, do ponto de vista pessoal, falo do cristianismo. A busca por Deus revela uma formidável sensibilidade para questões de cunho moral. Essa sensibilidade é tão grande que, ao considerarmos o fracasso das sucessivas tentativas filosóficas de fundamentar a moral sem apelar para a religião, não pode mesmo ter sido obra humana. A partir da teologia pode-se formular todo o tipo de pergunta sobre o homem no seu íntimo mais escondido e, com alguma atenção, receber respostas bastante satisfatórias. As respostas interessam aos crentes. As perguntas respondidas interessam a todas as pessoas, ou ao menos deveriam interessar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A física marca a filosofia porque os problemas que ela encontra vão parar, mais cedo ou mais tarde, nas mãos dos filósofos. Com os problemas da física é que a grande filosofia foi construída e com as revoluções na física é que surgiram as revoluções filosóficas verdadeiramente dignas de nota (exemplos gritantes deste fato são as filosofias de Aristóteles e de Kant).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por essas razões é que me parece que uma carência de conhecimento nesses campos seja uma grande pedra no caminho da compreensão da filosofia a partir de problemas reais e atuais, conforme creio ser o modo correto de entender a matéria. O problema de se ignorar estas fontes de problemas filosóficos é que corta-se a raiz que alimenta a filosofia e de modo a torná-la estéril.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-113227456029220468?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/113227456029220468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=113227456029220468' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/113227456029220468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/113227456029220468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2005/11/problemas-e-mais-problemas.html' title='Problemas e mais problemas..'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-113145700925240774</id><published>2005-11-08T10:58:00.000-02:00</published><updated>2005-11-08T11:36:49.286-02:00</updated><title type='text'>Schopenhauer e o Cristianismo</title><content type='html'>Minhas incursões pela filosofia do sexo e da morte de Schopenhauer tem sido uma influência grande demais no que escrevo para não começar a incomodar. Todavia é irresistível a tentação de escrever desse modo, uma vez que é uma filosofia que atiça a paixão, fala à sensibilidade, parece ter a dor como tema central, e é no mais bastante intensa em repercussões artísticas de valor indiscutível, a exemplo de Machado de Assis e Richard Wagner e suas respectivas obras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa filosofia é uma filosofia da morte. A negação e única saída para o sofrimento é o fim da vontade de viver. As consequências dessa busca são irremediavelmente a morte ou a mortificação do corpo, que é uma morte em vida. É uma filosofia que nega o mundo para salvá-lo. É paradoxal e contraditória em um único ponto, que é justamente o seu ponto central, sua ética e ao mesmo tempo sua escatologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O impulso sexual que deriva da afirmação da vontade de viver e que tantas mudanças causou enquanto idéia no mundo, via Freud (o qual não deixa de dar a Schopenhauer o devido crédito), se faz sentir na minha própria carne, sem apêlo e sem perdão. Se me inclino a ele, nos termos desta filosofia, o faço porque negá-lo seria uma mortificação e eu, sem me importar com o alegado caráter ilusório da vida, quero mais vida a todo o instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas essa filosofia não esgota o mundo. Não existe nada pior do que começar a explicar seu pensamento com base numa obra filosófica isolada, muito menos uma de consequências tão devastadoras quanto esta. Procuro, nos momentos em que não estou chafurdando nas torrentes irresistíveis da vontade da carne, nesse infindável ato de Tristão e Isolda que é o mundo por elas compreendido, procuro aproximar-me do conhecimento de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É justamente esse que me parece mais fugidio. O conhecimento está escrito e é fácilmente encontrado em diversas línguas na Bíblia Sagrada. No entanto, embora expresso e público, o conhecimento de Deus é elusivo porque é o único que não exige somente dotação intelectual, mas um ato (voltando ao discurso que ha pouco criticava) de vontade que por sua vez exige a negação da vontade mesma, dessa vez não para a morte, mas para a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Cristo o fiel nega a própria vontade e mortifica-a para que a vontade de Cristo se realize nele. Como disse o apóstolo Paulo, não importa que eu viva, mas que Cristo vive em mim. Essa submissão à vontade de Deus, infinitamente maior do que a nossa, é uma negação da liberdade de realizar a vontade para poder ganhar a liberdade das cadeias da própria vontade conforme a entendemos já à luz da Bíblia enquanto vontade da carne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A filosofia de Schopenhauer, ao negar a Cristo e a Deus categoricamente, nasce já uma filosofia limitada a entender o homem enquanto pecador e perdido e o mundo como o reino do maligno. Tanto que para Schopenhauer o nascimento e transformação dos santos é incompreensível. Não admira que não pudesse entender o que torna um homem santo, uma vez que jamais deixou de entender o homem como limitado à determinação da vontade carnal e assim o entendeu de forma tão extrema que a elevou a idéia constitutiva e ordenadora do mundo todo. Essa posição, vista da concepção mais ampla que é fornecida pelas escrituras e pela fé, parece agora risível, uma vez que o mundo só é sofrimento e vontade quando se é escravo do pecado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa compreensão resta pensar no problema fundamental que é escolher entre o sofrimento Schopenhaueriano e a morte e renascimento em Cristo. Por mais torturante que seja o sofrimento constante, a escolha por Cristo é mais difícil porque não partimos dela, devemos buscá-la, e mais, buscá-la de coração, e ainda, buscá-la enquanto é tempo. Qualquer pessoa tão determinada, dado que esteja consciente das implicações de sua escolha, possui dentro de si um poder imenso. Espero que eu encontre as forças de empreender a busca, não pela compreensão destas coisas, mas pela vontade de abraçá-las por inteiro, conforme o caminho que resolva tomar por fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-113145700925240774?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/113145700925240774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=113145700925240774' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/113145700925240774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/113145700925240774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2005/11/schopenhauer-e-o-cristianismo.html' title='Schopenhauer e o Cristianismo'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-113061965745620778</id><published>2005-10-29T18:31:00.000-02:00</published><updated>2005-10-29T19:00:57.513-02:00</updated><title type='text'>O Fim das Coisas</title><content type='html'>Sábio é aquele que consegue olhar sempre antes para o fim de todas as coisas. Não importa o momento. O momento é insignificante diante do final triste da maioria das coisas belas que vivemos. As únicas coisas belas que perduram são as obras de arte, mas uma grande parte das melhores fala justamente da dor humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dor possui um caráter mais perene. Ela se revela diante do sofrimento alheio e do próprio, e se o mundo está repleto de sofrimento, a alegria é ilusão. Estou me sentindo terrivelmente schopenhaueriano hoje, e é bem certo que este é o preço que pago por tentar conhecer melhor o mundo, bem como pelo erro de achar que, tendo-o conhecido, existe para mim alguma chance de ser feliz nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascemos da dor de nossas mães, a morte da própria carne provoca dor, o meio do percurso, a vida, é um exercício no qual alguns tentam esquecer a dor do nascimento, mas só porque não percebem que ao final lhes aguarda a dor da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha maior dor, dado que nunca fui materialmente privado de nada que realmente necessitasse, é a solidão. É também meu maior medo. É esse medo que representa para mim a porta da entrada do mal. O medo da solidão subjuga a vontade e nos leva a nos rebaixarmos diante de qualquer desmando para conseguir uma migalha de atenção. Se a conseguimos, temos a ilusão de que passou o perigo. Ledo engano. É o engano de não olhar para o fim de todas as coisas. No fim, não somos interessantes, nem necessários, nem muito menos queridos. A única coisa que podemos fazer é implorar, não mais pela companhia que alivie a solidão, mas pelo esquecimento que nos oblitera e nossa solidão conosco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa filosofia da morte expressa em linhas toscas é uma expressão direta de um desejo de morte. Nada mais acertado. Que vale seguir se a estrada acaba de forma igual para todos os homens, para todas as tragédias. A morte é a morte. É sempre igual a si mesma em seus efeitos últimos para a ordem do universo. A morte aviltada do bandido, a morte gloriosa do herói, a morte piedosa do mártir, a morte ignominiosa do tirano deposto, são importantes somente para os vivos, os iludidos pela idéia de que o fim que alguém procura ou que lhe é imposto serve para o mal ou para o bem. No fim, convivemos não com a glória ou desgraça da morte, mas com a dor experimentada em vida, e isso é que levamos até o momento do alívio final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha dor de solidão, minha morte em vida, arranja sempre um jeito de me pegar. É que cometo o crime de ser honesto comigo mesmo no fim das contas. Quem sabe se pudesse me enganar por mais tempo eu fosse mais feliz, mas não é essa minha vocação, nem o auto-engano, nem a felicidade. Estou mais uma vez sentado só, ruminando uma maneira de aniquilar a esperança que já tanto me iludiu, procurando uma maneira de ter a coragem de abraçar de vez a solidão e, quem sabe sofrer um pouco menos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-113061965745620778?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/113061965745620778/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=113061965745620778' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/113061965745620778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/113061965745620778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2005/10/o-fim-das-coisas.html' title='O Fim das Coisas'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-112481437254311564</id><published>2005-08-23T13:19:00.000-03:00</published><updated>2005-08-23T13:26:12.553-03:00</updated><title type='text'>A Woman's Question</title><content type='html'>Ao ler alguns poemas enquanto matava uma hora vazia da tarde, antes de voltar a estudar, fui surpreendido por um em particular. Li o texto, que fala justamente da dúvida de uma mulher em relação à natureza do amor de seu noivo. Lembrei que algum tempo atrás escrevi um pouco a esse mesmo respeito. Interessante notar que meu problema é mais antigo e afeta muito mais gente do que eu imaginava, afinal, para ter ido parar numa antologia de verso elizabetano o dito cujo deve ter feito algum sucesso. É um poema bonito, então achei por bem trancrevê-lo aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Woman’s Question &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Adelaide Anne Procter (1825–64) &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;BEFORE I trust my fate to thee,  &lt;br /&gt;  Or place my hand in thine,  &lt;br /&gt;Before I let thy future give  &lt;br /&gt;  Color and form to mine,  &lt;br /&gt;Before I peril all for thee, question thy soul to-night for me. &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;I break all slighter bonds, nor feel  &lt;br /&gt;  A shadow of regret:  &lt;br /&gt;Is there one link within the Past  &lt;br /&gt;  That holds thy spirit yet?  &lt;br /&gt;Or is thy faith as clear and free as that which I can pledge to thee?   &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Does there within thy dimmest dreams  &lt;br /&gt;  A possible future shine,  &lt;br /&gt;Wherein thy life could henceforth breathe,  &lt;br /&gt;  Untouch’d, unshar’d by mine?  &lt;br /&gt;If so, at any pain or cost, O, tell me before all is lost.  &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Look deeper still. If thou canst feel,  &lt;br /&gt;  Within thy inmost soul,  &lt;br /&gt;That thou hast kept a portion back,  &lt;br /&gt;  While I have stak’d the whole;  &lt;br /&gt;Let no false pity spare the blow, but in true mercy tell me so. &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Is there within thy heart a need  &lt;br /&gt;  That mine cannot fulfil?  &lt;br /&gt;One chord that any other hand  &lt;br /&gt;  Could better wake or still?  &lt;br /&gt;Speak now—lest at some future day my whole life wither and decay.   &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Lives there within thy nature hid  &lt;br /&gt;  The demon-spirit Change,  &lt;br /&gt;Shedding a passing glory still  &lt;br /&gt;  On all things new and strange?  &lt;br /&gt;It may not be thy fault alone—but shield my heart against thy own. &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Couldst thou withdraw thy hand one day  &lt;br /&gt;  And answer to my claim,  &lt;br /&gt;That Fate, and that to-day’s mistake—  &lt;br /&gt;  Not thou—had been to blame?  &lt;br /&gt;Some soothe their conscience thus; but thou wilt surely warn and save me now.         &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Nay, answer not,—I dare not hear,  &lt;br /&gt;  The words would come too late;  &lt;br /&gt;Yet I would spare thee all remorse,  &lt;br /&gt;  So, comfort thee, my fate—  &lt;br /&gt;Whatever on my heart may fall—remember, I would risk it all!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-112481437254311564?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/112481437254311564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=112481437254311564' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/112481437254311564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/112481437254311564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2005/08/womans-question.html' title='A Woman&apos;s Question'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-112454971582114572</id><published>2005-08-20T11:33:00.000-03:00</published><updated>2005-08-20T11:55:15.846-03:00</updated><title type='text'>Les sons et les parfums tournent dans l'air du soir</title><content type='html'>Lá estava eu a ouvir Debussy, na monotonia solitária, e quero dizer absolutamente solitária, quase solipsista e angustiada, quando comecei a escutar as primeiras notas de seu quarto prelúdio para piano. A epígrafe da peça, seu título, é um verso desse poema de Baudelaire que agora publico. O post leva o nome do prelúdio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora estou ouvindo o oitavo prelúdio, ainda do primeiro livro. Gostaria de conseguir um dia traduzir em palavras "La Fille aux Cheveux de Lin". Por enquanto basta dizer que me inspira aquela tristeza serena na qual fui, por costume, me viciando. Nada melhor, dentro deste espírito, do que as palavras do poeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Harmonie du Soir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voici venir les temps où vibrant sur sa tige&lt;br /&gt;Chaque fleur s'évapore ainsi qu'un encensoir;&lt;br /&gt;Les sons et les parfums tournent dans l'air du soir;&lt;br /&gt;Valse mélancolique et langoureux vertige!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chaque fleur s'évapore ainsi qu'un encensoir;&lt;br /&gt;Le violon frémit comme un coeur qu'on afflige;&lt;br /&gt;Valse mélancolique et langoureux vertige!&lt;br /&gt;Le ciel est triste et beau comme un grand reposoir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Le violon frémit comme un coeur qu'on afflige,&lt;br /&gt;Un coeur tendre, qui hait le néant vaste et noir!&lt;br /&gt;Le ciel est triste et beau comme un grand reposoir;&lt;br /&gt;Le soleil s'est noyé dans son sang qui se fige.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Un coeur tendre, qui hait le néant vaste et noir,&lt;br /&gt;Du passé lumineux recueille tout vestige!&lt;br /&gt;Le soleil s'est noyé dans son sang qui se fige...&lt;br /&gt;Ton souvenir en moi luit comme un ostensoir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baudelaire - Les Fleurs du Mal&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-112454971582114572?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/112454971582114572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=112454971582114572' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/112454971582114572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/112454971582114572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2005/08/les-sons-et-les-parfums-tournent-dans.html' title='Les sons et les parfums tournent dans l&apos;air du soir'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-112450917873431447</id><published>2005-08-19T23:35:00.000-03:00</published><updated>2005-08-22T16:42:25.980-03:00</updated><title type='text'>Salmo 32, 1-6</title><content type='html'>Enquanto estava refletindo a respeito das coisas que me incomodavam em mim mesmo, percebia sempre que ficava um bocado angustiado por não ver exatamente como sair das "enrascadas" nas quais minha própria personalidade me metia. Acho que ainda sou meu pior inimigo, de uma forma ou de outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passando os olhos pela Bíblia um pouco a esmo e pensando nesses problemas fui então convidado a pousar os olhos no texto que transcrevo, o qual possui por referência o título do post, na versão NVI:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"'Como é feliz aquele que tem suas transgressões perdoadas e seus pecados apagados! &lt;br /&gt;Como é feliz aquele a quem o Senhor não atribui culpa e em quem não há hipocrisia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto eu mantinha escondidos os meus pecados, o meu corpo definhava de tanto gemer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois dia e noite a tua mão pesava sobre mim; minhas forças foram-se esgotando como em tempo de seca.           [Pausa]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então reconheci diante de ti o meu pecado e não encobri as minhas culpas. Eu disse:Confessarei as minhas transgressões ao Senhor,e tu perdoaste a culpa do meu pecado.       [Pausa]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, que todos os que são fiéis orem a ti enquanto podes ser encontrado; quando as muitas águas se levantarem, elas não os atingirão."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui refletindo sobre estas palavras sem muita pressa nem muito método, mas o que me ocorreu de interessante citar a respeito do texto é que ele traduz a necessidade que um homem tem de ser fiel a Deus em primeiro lugar e depois a si mesmo conforme seu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É grande a quantidade de pessoas que praticam as mais diversas formas de auto engano, tentando encontrar no esquecimento ou em alguma teoria qualquer a saída para evitar lidar com as próprias falhas. Partindo do pressuposto de que não conhecemos ninguém tão bem quanto nós mesmos acredito ser absolutamente horrível o processo de olhar para dentro de si e encontrar alguém completamente diferente da auto-imagem que nos esforçamos por projetar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O verso três diz: "Enquanto eu mantinha escondidos os meus pecados, o meu corpo definhava de tanto gemer." Esse padecimento de que fala o salmista é obviamente fruto da incapacidade de reconhecer o pecado como tal ou de admitir-se como autor ou, ciente de ambas as situações, de confessá-lo. Estes três processos são essenciais para que se possa lidar com a culpa. Curioso notar que foram escritos a bem mais de dois mil anos antes de qualquer psicologismo. A relação do homem para expiar a culpa aqui só é possível depois de ter sido esta admitida e por fim submetida à apreciação de Deus, que é o único capaz de perdoar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus é o único que pode perdoar porque ele é que sabe exatamente o que se passa no coração humano. Não há, por tanto, uma necessidade externa de se confessar o pecado a Deus, que o conhece e que é descrito alhures como misericordioso. O valor da confissão é duplo: a admissão da culpa que possibilita sua expiação e o relacionamento com Aquele que é maior, de maior autoridade, pois em muitos casos o indivíduo que consegue chegar a ser de fato sincero consigo mesmo não é capaz de perdoar a si próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O salmista, ao estruturar o salmo, já oferece a motivação moral para que a pessoa passe pelo processo de expiação da culpa: a oposição do homem feliz, aquele cujas transgressões foram perdoadas, e o homem infeliz, cuja mão divina faz gemer por conta da culpa que tenta ocultar em seu coração. O sofrimento aqui é físico, não é a angústia metafísica ou existencial. A alma chora e o corpo padece diretamente. Deve-se acabar com o sofrimento admitindo e confessando o pecado. O homem hipócrita é infeliz, pois tem consciência da mentira embora fique claro que não a tolera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta temática é central nos evangelhos mas evidentemente foi herdada de fontes mais antigas. O perdão é a via de acesso para a graça que traz felicidade. Na verdade, o perdão constitui em si a graça, por ser imerecido pelo transgressor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de uma jornada de auto conhecimento tão profunda e radical que não só nos insta a reconhecer os traços de nosso caráter e o teor de nossas ações como também a ter a coragem de admitir como maus segundo algum padrão, o bíblico nesse caso particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta para a questão levantada de qual seria o padrão a ser seguido está no verso que não citei aqui, o oito: "Eu o instruirei e o ensinarei no caminho que você deve seguir; eu o aconselharei e cuidarei de você."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O reconhecimento da transgressão passa pelo conhecimento do Bem. O bom proceder é antes conhecimento e depois prática. Não é apriorístico, é dado, e, todavia, intuitivo. É intuitivo na medida em que as verdades conhecidas precisam ser apropriadas pelo sujeito cognoscente e tornadas suas próprias para que possam ser intuídas de forma direta, sem que o mínimo proceder, o dia a dia, a vida prática, não exija considerações morais e operações mentais de julgamento moral mais complexas que inviabilizariam a vida. Daí o texto também dos Salmos cuja referência me escapa: "Escondi a tua palavra no meu coração, para não pecar contra ti." Conhecer, assumir e agir. É assim que a proposição de dever se torna prática necessária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo este esquema, podemos esperar o perdão e livrar-nos da culpa, para entrar no reino da felicidade e da bem aventurança. Pergunto, no entanto, se me basta formular esta reflexão para que possa viver de forma completa por ela. Seria eu de fato forte o suficiente para me livrar de qualquer traço de hipocrisia? Poderia encara meu rosto no espelho da verdade, que não hesita em revelar a feiúra que escondo do mundo? A decisão de dar esse passo é que pode indicar seu verdadeiro valor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-112450917873431447?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/112450917873431447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=112450917873431447' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/112450917873431447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/112450917873431447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2005/08/salmo-32-1-6.html' title='Salmo 32, 1-6'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-112252249716760067</id><published>2005-07-28T00:23:00.000-03:00</published><updated>2005-07-28T00:48:17.173-03:00</updated><title type='text'>Da dúvida</title><content type='html'>O que fazer quando o coração duvida e o espírito falha? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para as questões do mundo físico me parece que só a dúvida aprimora a ciência e a técnica. Parece também que para as questões do espírito o sentido é inverso, a dúvida é um mal que nos tira do caminho a ser trilhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes, não só nas questões religiosas como nas relações interpessoais, duvidar é um pecado. É um sinal de fraqueza pessoal que é projetada como crença na fraqueza do outro em manter a sua palavra. A dúvida é, de certa forma, uma maneira de ser cruel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo a esse respeito não para repreender aos outros, e sim para repreender a mim. Aponto o defeito que identifico em mim porque me incomoda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A insegurança, a fraqueza, o medo de perder o bem que nos é entregue e a ingratidão de achar que alguém vá necessáriamente tirar o que nos deu são os ingredientes que ensejam o surgimento da dúvida. Seja a palavra dada, seja o amor, seja lá o que for, se formos apegados demais, corremos o risco de nos pegar enfraquecidos, duvidar e até mesmo perder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perder porque a dúvida se volta contra outra pessoa. Porque a dúvida se dá ao duvidar de alguém. Não advogo que tenhamos uma fé cega em tudo e em todos, mas uma pessoa, para poder viver minimamente bem deve confiar em alguém ou em algo fora dela mesma. Nenhum homem é uma ilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando meu medo é maior do que eu, quando estou cansado ou triste, sucumbo e duvido, pergunto de forma insultosa a mim mesmo o que vai acontecer, e sempre imagino o pior. Essa é a razão pela qual finalmente formulei breve e racionalmente esses pensamentos, para identificar o mal e controlá-lo, barrar o apego, enfrentar o medo. Espero que mais esse mal, trazido à luz, desapareça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-112252249716760067?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/112252249716760067/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=112252249716760067' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/112252249716760067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/112252249716760067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2005/07/da-dvida.html' title='Da dúvida'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-112217974317482111</id><published>2005-07-24T01:16:00.000-03:00</published><updated>2005-07-28T11:59:33.830-03:00</updated><title type='text'>A Costela</title><content type='html'>Como alguns podem ter notado, desde que descobri, a pouco mais de quatro meses, que é possível que alguma pessoa além de mim mesmo se interesse por mim, tornei-me um romântico nojento. Esse texto é mais um da série, espero que faça algum sentido, se não fizer, removo o post. É que fica mais fácil julgar o raio do texto depois de publicado. Dedico, é claro, à minha namorada, cuja ausência me levou a falar sobre o amor mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí vai:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            A Costela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando nos relacionamos com outras pessoas romanticamente, e é bastante comum que isso aconteça hoje em dia, nos relacionamos porque obviamente procuramos na tal pessoa algo que nos falta. Gosto de pensar que os homens andam sempre à caça daquela costela que lhe tiraram nos últimos dias da criação e que para reavê-la acabam por ter de levar uma mulher inteira. Essa não deixa de ser uma perspectiva interessante, e é sempre mais fácil entender as coisas por meio das histórias que aprendemos desde a infância (alguém poderia dizer que tem a ver com o papel do mito na sociedade, algo no estilo de Joseph Campbell, mas eu prefiro chamar de histórias, como algo que aconteceu muito tempo atrás). È também mais verdadeiro e cheio de sentido, não externo, mas interno; faz mais sentido para mim, e isso importa muito, já que posso relegar para momentos menos íntimos do que este, o cuidado com a objetividade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Pois saí eu à caça de minha costela perdida, tendo por questão de honra a tarefa de recupera-la, mesmo que estivesse irremediavelmente ligada a uma mulher inteira. A busca pela mulher que caminha por aí com a nossa costela é algo que pode levar a vida toda. Fazendo um estudo de biografia comparada, a minha com a dos outros, e percebendo o quanto os homens são estúpidos, fico mais e mais surpreso ao notar que menos e menos gente se sente preparada para sair em busca da tal costela, meio que numa tentativa de adiar o resto de suas vidas.&lt;br /&gt;        &lt;br /&gt;        Os métodos para empreender a grande busca são os mais diversos. Ao longo da história, homens já se insinuaram para mulheres nas mais diversas situações, com resultados discutíveis e variados graus de sucesso a depender do homem e do método empregado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Nunca fui um predador da noite, do tipo que saía a procurar vítimas entre as nada inocentes mulheres que estivessem por aí e em função de algum motivo me chamassem a atenção, no entanto parece ser isso que todo mundo está fazendo. Engraçado notar que a maioria das pessoas não é muito seletiva, em especial se estiver com os sentidos entorpecidos por uma razão ou por outra. Eu tentava, na verdade, iniciar uma conversação com uma garota que me chamasse a atenção. Pode parecer uma bobagem, mas é que em certo ponto da vida (alguns chegam nesse ponto mais cedo do que outros) você se cansa de se divertir com as mulheres erradas e começa a procurar por alguém com quem conversar e em última intância, tomar o café da manhã e ler o jornal, ou alguma coisa assim.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; O curioso é que justamente quando você não tem a menor intenção de fazê-lo você se apaixona. Não sou um desses chatos que fica enaltecendo o verdadeiro amor e falando que a paixão é passageira. Paixão, normalmente, é uma tremenda viagem. Você perde noção de certo e errado, esquece que um dia teve um cérebro, acredita que vai amar para sempre e que o mundo acaba amanhã. É gostoso, não faz mal se administrada em pequenas doses e ainda por cima há uma boa chance de se conseguir alguma diversão no processo. Você, nesse momento, não imagina, mas podem acontecer duas coisas: você pode estar certo ou pode estar redondamente enganado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Em primeiro lugar, existe sim a possibilidade de você ter encontrado o amor da sua vida e ainda por cima estar apaixonado por ela. A expressão é batida, é brega, mas faz o serviço. Uma hipótese rara o bastante, admito, mas há precedentes. Não se sabe bem ao certo o porquê, mas certas pessoas acham umas nas outras o suficiente para que queiram passar o resto da vida juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        A maioria dos jovens não está calejada o bastante para reconhecer isso. Eu mesmo muitas vezes fico pensando se minha capacidade de julgamento é tão boa assim (no fundo acredito que sim, minha capacidade de julgamento é tão boa quanto imagino, mas já vi gente mais inteligente se enganar). O jovem sensualista ao extremo não consegue reconhecer ou, quando reconhece, dar o valor devido à gema rara que surge diante de si. Alguns mais velhos tem o mesmo problema, mas deve ser uma daquelas conseqüências do amadurecimento tardio que tem se tornado tão comum. O grande interesse, no geral, acaba sendo justamente a rotatividade de prazeres; a insatisfação constante nos impele de pessoa em pessoa, usando e sendo usados (sim, já escutei essa pelo menos uma vez, tive de concordar com a autora da frase) de modo que conhecer a pessoa que te completa pode ser um desperdício se você não está pronto. Pouca gente consegue ser otimista a ponto de encontrar o ser amado e ficar a seu lado como seria melhor.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; A coisa ruim que pode acontecer é estarmos enganados. Toda a empolgação da paixão pode ter sido fundada sobre o nada. Acabada a mágica que nos fazia pensar que a história chegara ao fim e a busca estava completa, ficamos nós, parados, levando chuva no rosto numa estação de trem vazia com uma expressão estúpida, como o herói de Casablanca. Como dizia o poeta “quando o amor acaba, fica a realidade” (não me recordo quem é o autor da frase, mas serão bem vindos esclarecimentos a respeito).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Muita gente tem dificuldade em admitir que as coisas podem dar errado quando estão apaixonadas. Esse é outro problema comum.  O casal pode ser completamente incompatível, não ter nada que os ligue a não ser aquela química fugaz, ou o medo da solidão, ou ainda alguma outra coisa mais sutil do que minha cabeça possa expressar em palavras. O que fazer? Os amigos provavelmente já sabiam, alguém pode ter tentado avisar, quem sabe? O momento em que a paixão acaba é aquele em que nasce a tristeza, a dor, a desilusão. Esses males do amor que nasce morto são as principais razões que qualquer um tem para não tentar de novo. Não os culpo, nos dias de hoje ninguém realmente precisa de mais estresse emocional.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; O que resta a ponderar é a questão: por que continuar procurando a tal costela se tudo pode dar errado e tudo o que pode dar errado muito provavelmente vai dar errado. Enquanto olho para a vida agora, estou plenamente consciente disso tudo. Sei que posso estar enganado, como de fato estive todas as vezes até agora. Não obstante, há algo de diferente sobre a vida vivida e a vida contada, parece que há algo de novo que a experiência vivida na hora em que acontece faz aflorar e que não me deixa desesperar. Eu posso até me condenar por talvez ter duvidado, mas continuo insistindo, por fim, na crença de que há amor e de que as coisas podem, inclusive, dar certo. Munido desse otimismo vacilante, procuro entender como pessoas tão diferentes podem acabar unidas pelas circunstâncias e quem sabe encontrar uma na outra o que estiveram procurando. Descubro que não há nenhum bom motivo para isso, mas que o fato de estarem juntos é a única e suficiente prova de que o amor, esse amor sim realista, ciente de sua posição frágil num mundo que tenta os amantes a todo o instante, ou que os encoraja a desistir pode ter de fato acontecido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso dizer que, salvo engano, estou reintegrado na posse de minha costela perdida. O que espero é pouco e ao mesmo tempo muito, jamais voltar a perde-la. Se o amor é um sentimento, basta que se sinta para que ele exista. Se o que sentimos é amor, basta que o tempo prove. O que o futuro reserva eu não sei, mas vou apostar no amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-112217974317482111?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/112217974317482111/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=112217974317482111' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/112217974317482111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/112217974317482111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2005/07/costela.html' title='A Costela'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-111659963129595615</id><published>2005-05-20T11:13:00.000-03:00</published><updated>2005-05-20T11:33:51.300-03:00</updated><title type='text'>Despedida</title><content type='html'>Tenho a meu lado, no leito,&lt;br /&gt;a morte, que me vigia.&lt;br /&gt;Pois de tanto amar a vida,&lt;br /&gt;por ela fui desprezado;&lt;br /&gt;e tenho a morte ao meu lado&lt;br /&gt;a despeito da porfia&lt;br /&gt;de fugir ao meu destino&lt;br /&gt;de ser por ela encontrado.&lt;br /&gt;A morte já me sabia&lt;br /&gt;a morte já me esperava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a vida foi vazia,&lt;br /&gt;se o sentido foi disperso,&lt;br /&gt;se só deixei o meu verso&lt;br /&gt;testemunha da passagem&lt;br /&gt;pela vida que me enjeita,&lt;br /&gt;já não cabe discutir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não importa que a viagem&lt;br /&gt;seja feita de repente,&lt;br /&gt;a minha filosofia&lt;br /&gt;é morrer serenamente,&lt;br /&gt;sem ninguém me ver partir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou certo desse tanto:&lt;br /&gt;de que ao longo dessa sina&lt;br /&gt;de ter vivido e morrido&lt;br /&gt;(sina de todo rebento&lt;br /&gt;desde cada nascimento)&lt;br /&gt;eu amei, chorei um dia,&lt;br /&gt;e creio que fui amado&lt;br /&gt;ao menos por um momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então vou sem sofrimento,&lt;br /&gt;sem pesares me disperso.&lt;br /&gt;Minha despedida em verso&lt;br /&gt;é fruto de uma ironia:&lt;br /&gt;que tanto amasse a poesia&lt;br /&gt;e só prosa me aprouvesse&lt;br /&gt;na minha biografia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-111659963129595615?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/111659963129595615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=111659963129595615' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/111659963129595615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/111659963129595615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2005/05/despedida.html' title='Despedida'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-111500515915229721</id><published>2005-05-02T00:36:00.000-03:00</published><updated>2005-05-02T00:39:19.156-03:00</updated><title type='text'>Amar</title><content type='html'>Amar é um exercício de paciência. Nada tem a ver com a busca incessante do prazer e da satisfação do desejo. A satisfação do desejo nada tem de perene, pois este muda mais rápido que as estações. O desejo é egoísta e individualista. O amor se dá, antes de mais nada, em relação ao outro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Enquanto na paixão, e para isso basta verificar o significado da própria palavra, sofremos a ação do desejo pelo outro, o ato de amar é uma atuação positiva da vontade direcionada para o outro. O objeto de desejo é mero objeto. É um meio pelo qual nosso desejo atua à nossa revelia e nos lança por impulso a fim de satisfazer-se, sendo a satisfação o fim último do desejo, e a natureza do desejo não se satisfazer. O ser amado é fim do amor. O amor tende para o ser amado e nele repousa, tendo chegado ao seu lugar natural, no qual permanecerá enquanto resistir as perturbações irreverentes da paixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amar é querer o ser amado como é. Sem tentar adapta-lo aos desígnios dos próprios caprichos. O ser amado não é o espelho das nossas preferências, antes é o próprio padrão pelo qual medimos o que de mais nobres devemos aspirar. A pessoa a quem queremos pertencer. É por isso que muitas pessoas, ao ver mudar o que tanto amavam em relação ao parceiro, ficam desapontados; afinal, quando, desavisados, mudamos algo essencial em nosso ser, podemos estar pisando numa das inúmeras coisas que serviam para sustentar aquele amor feito tanto das qualidades quanto dos defeitos que todos carregamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor reside nas pequenas coisas. A contemplação do ser amado nos dá a perspectiva extraordinária do infinitamente pequeno. As milhares de idiossincrasias que não conseguimos perceber em nós mesmos são as características mais marcantes que nos dão a certeza de estar na presença do ser amado. As coisas mais irritantes podem às vezes ser aquelas das quais mais sentiríamos, como muitas vezes sentimos, falta. São as coisas que amamos odiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor reside no perdão. Porque o perdão é a antítese do orgulho que nos isola do ser amado, nos torna uma ilha que, conquanto não sinta dor, não ama. O perdão nos permite enxergar além da dor, ao invés de esquece-la e viver para sempre com uma ponta de mágoa. O orgulho pode ser pisado, mas nem sempre precisamos nos apoiar nele se tivermos esperança o bastante para nos reerguer a partir dos cacos do orgulho e pela dor superada tornarmo-nos dignos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amar é ter esperança. Esperança é a certeza do advento do incerto, é a contradição que nos ergue quando tudo mais nos abandona, até mesmo o nosso amor. A esperança não morre porque para que morra, é necessário que morramos; se tivermos esperança vivemos, se não tivermos, vá estávamos mortos. Esperamos o melhor, esperamos que nosso amor seja correspondido da mesma forma perene e profunda que o entregamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entregamos o amor perene e profundamente porque amar é como descobrir em nós um rio subterrâneo que jazia insuspeito metros abaixo das camadas de cinismo, desilusão e desejo que maculam a capacidade de cada alma de realizar sua própria essência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amar é uma prática temerária, pois envolve a entrega total a um reino onde a incerteza impera. O medo que nos preserva deve ser abandonado, a dúvida deve ser calada, o orgulho sufocado e as lágrimas, ora, estas devem ser nossas companheiras mais presentes e abundantes, porque amar é também chorar. Seja de alegria, seja de tristeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amar é ser infeliz. Ser infeliz é a única coisa que podemos esperar, e não há melhor maneira de sê-lo do que amar. A dor é companheira constante do amante e sem ela, só resta a ilusão. Algumas pessoas, no entanto, afortunadas almas cujo tempo de esperar com dor no torvelinho de suas contradições interiores tenha passado enfim, são capazes de encontrar algo além da sina que nos cabe a todos. Descobrem o que ninguém pode ensinar e conseguem amar em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor em paz é silêncio. Maravilhoso, aveludado silêncio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-111500515915229721?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/111500515915229721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=111500515915229721' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/111500515915229721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/111500515915229721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2005/05/amar.html' title='Amar'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-111500624156273628</id><published>2005-05-01T16:11:00.000-03:00</published><updated>2005-05-02T00:57:21.563-03:00</updated><title type='text'>Vigília</title><content type='html'>Os dias mais negros da vida são sempre precedidos por momentos de alegria e despreocupação. É daí que vem a recomendação bíblica: sede sóbreos e vigiai. O estado de vigília é condição para sobreviver, seja no mundo dos vivos, da luz e do dia, seja no mundo sutil no qual a alma habita lado a lado com os mistérios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje o mundo dá suas voltas conectado por cabos, circundado por satélites, iluminado, ponta a ponta, pelo conhecimento humano e pelas obras homens. Nossas mãos dão nova forma a variados cantos da terra, e cada vez mais, enquanto nos fascinamos com as obras de nossas mãos, enquanto cada vez mais aspiramos tomar o trono de Deus e anunciamos sua morte ou negamos que sequer tenha tido existência, deixamos para trás a beleza e a importância dos mundos sutis. O nosso tempo padece e os problemas que se tenta combater não passam de sintomas. O espírito humano é que está doente, cego pelo poder das mãos, obscurecido pela técnica e em busca de absolvição fácil por seus vícios mais profundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o sinal mais claro de que estamos lançados nas mãos do determinismo sinistro da escravidão pelo desejo seja o extremo relativismo moral, religioso, ético e filosófico reinante. Não é possível dizer em voz alta que existe um bem e um mal, um certo e um errado, um justo e um injusto, a despeito das opiniões humanas que só fazem mudar sem ser chamado de fundamentalista, ou de intolerante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso estar enganado, mas costumava-se ter aspirações mais altas do que a mera vontade de ser tolerante e políticamente correto. Os princípios perenes são ridicularizados por nossa geração corrupta para que possamos conviver com nossa própria corrupção. É um processo de aniquilação da consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa corrupção é uma doença espiritual. E nesse tempo em que a doença é mais grave, tanto mais os sintomas dos quais o mundo padece são diagnosticados a partir da negação do espírito que é deixado para sofrer ainda mais. Esquecemos do tempo em que podíamos transitar por entre nossas consciências perguntando o que era certo e tínhamos a liberdade de fazer o errado. Hoje em dia não há pecado, tudo o que você tiver vontade de fazer é certo. E depois todos se espantam com a fragilidade dos sistemas de argumentação moral e com as barbaridades cometidas sem motivo aparente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse mundo precisa de Deus desesperadamente e só faz negá-lo. O homem precisa salvar a sua alma para só então encontrar paz e graça. A alternativa é ser escravo do desejo, é negar a própria liberdade sem nem ao menos admitir que há escolha. Não vigiamos mais. Agimos como se não houvesse amanhã, nem juízo. Que Deus tenha piedade de nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-111500624156273628?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/111500624156273628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=111500624156273628' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/111500624156273628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/111500624156273628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2005/05/viglia.html' title='Vigília'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-111462643214294802</id><published>2005-04-27T14:37:00.000-03:00</published><updated>2005-04-27T15:27:12.150-03:00</updated><title type='text'>Namorando</title><content type='html'>Meu mais profundo pesar acabou. Eu passei um bom tempo me lamentando da solidão, fazendo poemas em homenagem à tristeza, chutando lata na rua, cantando canções de desamor. Enfim tenho uma namorada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, este não é um post do tipo querido diário, mesmo porque, uma vez que sei de de vez em quando meu blog é lido por amigos fiéis, perdi o direito de escrever as coisas chatas da minha vida comum e por outro lado os mesmos amigos leitores provavelmente já sabem o que aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interessante é a maneira como essa circunstância afetou minha percepção daqs coisas. Em primeiro lugar, afetou minha percepção dos casaizinhos. Eu sempre odiei casaizinhos. Gente que anda sorrindo, de mão dada, suspirando e olhando um para a cara do outro, para mim, pode ser qualquer coisa menos normal. Hoje me vejo parado feito um poste olhando por dez minutos para a cara da minha supra mencionada namorada enquanto ela come um hamburguer e toma guaraná. Embora não tenha mudado de opinião a respeito da minha própria atitude, não só ela parece inevitável como também natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar, a vida de solteiro. A vida de solteiro era meu castelo, meu forte livre da ingerência de qualquer coisa que fosse diversa da minha vontade em seu estado mais puro, a liberdade individual de ficar com quem fosse e fazer o que fosse tão logo viesse a oportunidade (o que normalmente se traduzia em encher a cara e torcer para não ter do que me arrepender no dia seguinte). Jamais pensei que me fosse encontrar na posição de precisar resistir a um impulso por qualquer razão que não meu senso de boas maneiras; agora, aparentemente, desenvolvi uma consciência. Para aqueles de vocês que ainda não descobriram, consciência é aquela coisa pentelha que obriga o indivíduo a fazer o que é certo, sem relativismo (pois o relativismo é somente uma forma de auto engano) sob pena de te deixar com um baita sentimento de culpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terceiro ponto é que vejo me tornar um daqueles cretinos que começa a "fazer" casaizinhos em todo o lugar, montando na cabeça quem combina com quem e discutindo as conclusões com minha cara metade. É fato notório que os animais da espécie casalzinho, tão logo se apercebam de sua condição como tais, começam a tentar reproduzir nos outros os efeitos de sua condição, engrossar suas fileiras e perpetuar todas as idiossincrasias que aos poucos se desenvolvem, especificam e se apoderam dos enamorados. Então fico eu pensando em como melhor juntar aquele amiogo e aquela amiga, nutrindo a idéia de que estou prestando algum serviço aos dois. Não me ocorre nesses momentos que dois maiores de idade responsáveis e dotados de intelecto, polegares opositores e faculdade de comunicação possam prescindir de minha ajuda para encontrar alguém que melhor lhes sirva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem prejuízo de posteriores retificações que só me serão permitidas conforme aumente minha experiência no assunto, decidi ser no melhor interesse de minha sanidade e quiçá no da sanidade de outros fazer um exame crítico de minha condição particular em seu caráter geral para fins de registro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num apólogo final, convém lembrar que sou um romântico posando de cético. Por pior que possa vir a ser, um relacionamento é algo não só salutar como necesário para a maioria das pessoas. Há quem diga que é o melhor jeito de passar o resto da vida. Pensando em retrospecto, é certamente melhor do que estar sozinho, e embora eu venha aqui zombar do meu próprio contentamento, estou contente assim mesmo. As razões que me levam a experimentar esse delicioso torpor mental serão expostas em breve, mesmo porque, se minha namorada ler isso, o que é bem provável, pode vir a querer satisfações a respeito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-111462643214294802?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/111462643214294802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=111462643214294802' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/111462643214294802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/111462643214294802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2005/04/namorando.html' title='Namorando'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-111181600051751906</id><published>2005-03-26T02:37:00.000-03:00</published><updated>2005-07-28T12:41:41.186-03:00</updated><title type='text'>Perguntas estúpidas</title><content type='html'>Então eis que estou aqui de novo, desta feita assistindo South Park, quando o professor das crianças, Mr. Garryson, solta a brilhante frase: "Não existem perguntas estúpidas, só pessoas estúpidas”, ao responder ao que era, obviamente, uma pergunta estúpida.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Estava pensando sobre a maneira como as escolas nos preparam para assistir às aulas. Somos encorajados a fazer qualquer tipo de pergunta, a não sair da sala com dúvidas, a perguntar seja lá o que for, e isso me deixava intrigado. O que é que leva as pessoas a abusarem tão descaradamente dessa prerrogativa do aluno moderno e soltar a todo o tempo as mais variadas perguntas imbecis?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Eu posso falar com segurança somente sobre mim, e devo dizer que faço poucas perguntas. Se o assunto não me interessa, é muito provável que eu não faça pergunta nenhuma e durma perfeitamente tranqüilo sabendo que ficaram pontos obscuros na exposição (inclusive na aula mesmo, se ninguém me perturbar), se não entender alguma coisa que interessa posso perguntar ou ir estudar (e normalmente prefiro estudar por conta), mas existem pessoas que insistem em ficar perguntando ad infinitum, e tem lá suas motivações. Existem aqueles que perguntam por ter uma dúvida legítima, os que perguntam para aparecer, aquelas que perguntam para ser simpáticas, aquelas que perguntam para pegar o professor em erro e aquelas que perguntam porque são endemicamente burras. Entre os que não perguntam nada existem os que não entenderam porcaria nenhuma, os que entenderam tudo e os que estão pouco se lixando para o assunto exposto.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Por tanto, se você está pouco se lixando para o assunto exposto aqui, recomendo que pare de ler e vá tirar uma soneca. É o que eu faria. Quanto ao resto do público, segue a exposição.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; É evidente que quem tem uma dúvida legítima tem mais é que perguntar. Se você é suficientemente inteligente e faz uma pergunta, são grandes as chances de que vá fazer uma pergunta inteligente e suscitar algum tipo de comentário ou esclarecimento de proveito geral. O grande problema é que uma enorme parcela da população mundial se considera inteligente mas a maioria destes não o é. Ainda pior, vá lá dizer a uma pessoa que ela não é inteligente para ver a reação do dito cujo. Além de ser uma baita indelicadeza da sua parte (muito embora você possa ter razão), nunca se sabe que tipo de situação vai vir da revelação, normalmente não é boa. É como tentar dizer para alguém que ele ou ela não é bonito ou bonita. É espinhoso chegar ao assunto e o diabo é que às vezes é necessário (quem já teve que dar um fora numa feia, coisa que as mulheres normalmente fazem com naturalidade e nós homens não, sabe bem que a única coisa que não dizemos é que ela é feia por medo de aumentar a desgraça). Mas voltando à trilha, abandonada em prol dessa pequena digressão, vamos observar que pessoas se encontram internamente autorizadas a fazer perguntas estúpidas por se acharem inteligentes quando não o são, e não há praticamente nada que se possa fazer a respeito: ficamos à mercê de diversas perguntas idiotas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Assim, de uma feita cobrimos os inteligentes e os burros. Vamos agora tratar dos cretinos e dos mal intencionados. Os cretinos, esses desqualificados mentais que pretendem disfarçar sua incapacidade ou conseguir algum tipo de aprovação da figura do “mestre” (por obra de alguma carência emocional ou por força de uma personalidade rasteira) gostam de ficar fazendo perguntas idiotas para que pareça que estão interessados ou que estão acompanhando o raciocínio. Parece-me que tamanha é a insistência para que os estudantes perguntem que os professores começaram a realmente acreditar que qualquer pergunta vale e a valorizar essas dúvidas imbecis que não passam de capachismo colegial. Responder perguntas cuja resposta é óbvia demais incentiva o “puxassaquismo” dos alunos ou então, no mínimo, faz com que os alunos intelectualmente prejudicados acabem por perder preciosas oportunidades de exercitar ao menos um pouco as cabecinhas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Os mal intencionados são pessoas com uma agenda definida. Eles normalmente tem dois tipos de pretensão: a de saber mais do que o professor ou a de querer ensinar alguma coisa aos colegas. Costumam ser uns tipinhos profundamente chatos, detentores de alguma espécie de verdade da qual precisam convencer uma audiência de ocasião e costumam fazer perguntas de vinte minutos que nem ao menos terminam como perguntas. Eu não tenho nada contra a erudição alheia, mas convenhamos: há um tempo e um lugar; além do mais, me recuso a crer que existam tantos eruditos na faixa dos dezesseis aos vinte e cinco anos. Não é algo factível. Aqueles mais interessados em política são os mais emblemáticos casos de mal intencionados: estou bem próximo da realidade ao afirmar que toda a sala de aula de colégio, cursinho e faculdade de humanas tem um infeliz que para a aula para “presentear” os colegas com uma perspectiva marxista de qualquer assunto que esteja em pauta, seja a Revolução Francesa ou a história da embalagem do creme dental. Fora aqueles imbecis que ficam com o livro na mão esperando para apontar algum erro do professor; esqueceram de avisá-los que os problemas com figuras de autoridade são melhor resolvidos no consultório do psicólogo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Não sei o que leva um sujeito a perder a mais remota noção de amor ao próximo e realmente acreditar que tem algo a ganhar tentando esfregar na cara de um professor os erros que comete ou desafiando a paciência dos colegas com longas exposições de opiniões alheias por falta de idéias próprias ou de identidade própria, o que dá quase no mesmo. Até o ponto em que isso envolve o professor e o aluno em questão não poderia ser mais indiferente, mas pare para pensar quantas horas de nossas vidas não foram desperdiçadas por causa de sujeitos que de nada vale ter sequer conhecido. Quantas horas preciosas que poderiam ter sido passadas jogando truco, bebendo cerveja, aprendendo a fazer mágicas com uma moeda, fumando um cigarro e tomando um cafezinho, lendo contos curtos de autores contemporâneos ou qualquer outra coisa certamente melhor do que ficar numa cadeira ouvindo uma pergunta cretina e a resposta normalmente demorada correspondente. Aproveite a vida. Ela normalmente acontece do outro lado da porta da sala de aula e qualquer coisa que amplie desnecessariamente o tempo perdido pode e deve ser encarada como ofensa pessoal a todos os outros envolvidos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-111181600051751906?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/111181600051751906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=111181600051751906' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/111181600051751906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/111181600051751906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2005/03/perguntas-estpidas.html' title='Perguntas estúpidas'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-111181503755967267</id><published>2005-03-26T00:35:00.000-03:00</published><updated>2005-04-27T14:41:44.863-03:00</updated><title type='text'>O filho pródigo à casa retorna</title><content type='html'>Eu posso dizer com toda a sinceridade (com uma explicação à moda de Schopenhauer) que não escrevi aqui por um bom tempo pura e simplesmente porque não quis. Sempre me pareceu um grande pecado que muitas pessoas, várias delas bem mais mais inteligentes do que eu, ficaram apaixonadas pelo som da própria voz ao longo do tempo. Isso leva alguém a executar monólogos intermináveis nos quais fazem desfilar sua erudição e sua argúcia dircursiva como quem brande uma espada com a qual corta as trevas da ignorância do pobre ouvinte ocasional ou do transeunte inocente (que não pediram para serem retirados de sua abençoada ignorância). Eu, que não me preocupo em iluminar a ignorância de ninguém e passo a maior parte do tempo refletindo filosoficamente sobre as implicações da interação entre o mundo que me cerca e o meu umbigo, não fiz questão de continuar a escrever quando a atividade não me parecia trazer proveito algum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parei de escrever recentemente porque não podia mais suportar as minhas próprias palavras. Estava enjoado do som de minha voz, da disposição das minhas palavras na folha de papel (sim, amigos da geração da internet, eu sou um orgulhoso portador e usuário de folhas de papel e uma caneta tinteiro à qual quero muito bem e, tenho certeza, ela a mim) e decidi que é melhor ficar quieto do que falar apenas por força do hábito (por mais que o hábito tenha surgido de uma necessidade profunda, como já tive oportunidade de observar anteriormente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que já disse porque parei de escrever, acho que devo explicar porque voltei. O fato é que eu estava um bocado entretido em lamentar minha existência vazia e solitária e agora fico a falar como quem viu passarinho verde. Ora, vi passarinho verde e deixemos o assunto por aí. Importa saber que me animei a vencer a preguiça e toda aquela energia negativa do pessimismo que parecia dar ainda mais força à gravidade que me mantinha cativo e confinado nos limites do sofá e, se não acho ainda que a vida vale tanto a pena, já não acho mais que vale a pena reclamar dela até a exaustão. É o que acontece quando se descobre formas mais agradáveis de ocupar o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é que fosse  sem atrativos a boa e velha miséria mas não podia mais ficar incapacitado esperando a vida me dar um chute. Espero poder manter o sentido mais agudo de realidade que o pessimismo sempre me emprestou, por outro lado posso enxergar um pouco melhor o mundo quando não estou preocupado com a tristeza e as lamúrias que aterrorizam até mesmo os melhores de nós escritores diletantes. "E eu que era triste, descrente desse mundo..." Bem, o mundo pode esperar, agora vou dar o troco, a começar pelo próximo escrito. Desejem-me sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. Haverá dias em que minha disposição será mais romântica por força de alguma circunstância encantadora da vida (até mesmo o grande pessimista tem algum momento de alívio em sua caminhada), o que não deixa de ser assustador. Será que terei ainda em mim o necessário para voltar três anos no tempo? Não perca os próximos episódios...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-111181503755967267?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/111181503755967267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=111181503755967267' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/111181503755967267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/111181503755967267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2005/03/o-filho-prdigo-casa-retorna.html' title='O filho pródigo à casa retorna'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-110920576105991629</id><published>2005-02-23T21:39:00.000-03:00</published><updated>2005-02-23T21:42:41.063-03:00</updated><title type='text'>Feliz Aniversário</title><content type='html'>Engraçado como imaginei que fosse ficar tão afetado pela mudança do espaço físico no qual a minha vida se desenrola. Agora que mudou continuo muito mais preocupado com a passagem do tempo. É o sentido interno da passagem do tempo que me marca, deprime e limita. Mais um ano veio e, apesar das mudanças externas, só as que vem de dentro me afetam de fato. O meio no qual me insiro não parece me afetar tanto quanto a época na qual vivo. Minha circunstância é temporal. O resto, a despeito do que previa, importa pouco.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; O texto abaixo foi escrito no dia 29 de novembro de 2004. Achei que seria melhor publicar antes que perdesse o papel. Lembro-me de tê-lo escrito à sombra de algumas daquelas árvores que ficam na frente do prédio da pós-graduação do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP. A pesar de estar bastante tranqüilo no momento não acho que estava muito bem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando agora para o que escrevi vejo o quanto minhas reivindicações são vazias, vagas e diáfanas. Não tenho nem ao menos noção do que me incomoda, só gosto de ficar inventando um palavreado que me permita dar vazão a esse nada numa esfera relativamente segura. Foi bom ter feito aquele registro porquanto posso olhar para trás e perceber o quanto sou fraco, resmungão e destituído de conteúdo. Seria de se esperar que depois de ler tanto eu pudesse ter me aplicado, mesmo que incidentalmente, a pensar além da minha própria infelicidade oca. Não fui capaz. Não sou capaz. Sou incapaz. Ora, não sei de nada, nunca soube, gostava de pensar que seria melhor crescer, mas na, não é. Eu era um moleque feio, educado, relativamente inteligente para alguém da minha idade. Hoje sou mais um pretenso adulto à deriva no mundo porque não quis se expor à vida. Hoje posso rir de mim mesmo, isso tudo é um bocado patético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Honestamente espero que minha auto-piedade não me sufoque um dia desses. Hoje acho que quero viver sim, apesar de tudo que possa sobrevir, da insatisfação e da solidão. Mas conto com a esperança de sobreviver, o que é mais do que contava ter algumas semanas atrás. O futuro dirá se tive razão (se bem que nesse caso não importará ter estado errado no final). Mas chega de bobagens, vamos ao ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Feliz aniversário.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Agora é oficial. Acabo de completar vinte e um anos de descontentamento com a minha vida em quase todos os âmbitos. Fora minha vida familiar relativamente livre de conturbações estou na mesma; confuso, a vinte e um anos perturbado pela circunstância de minha vida. Vinte e um anos perdido, sem a menor idéia do que pensar sobre o mundo, sobre as pessoas, sobre a política, sobre as mulheres, sobre os vícios e sobre as virtudes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;        Talvez meu conhecimento possa ser limitado em relação à quase tudo que não seja ligado aos meus próprios vícios. Não falo de beber e fumar, esses são os fáceis. Falo de vícios como a necessidade inescapável de pensar sobre tudo até o ponto da demência, da intolerância em relação à gente burra, da minha polidez hipócrita que me impede de dizer a uma pessoa o quanto ela é burra, de minha solidão auto-imposta por um traço de caráter, da minha vontade de contrariar o que é consenso, da minha incapacidade de me relacionar com uma mulher sem que eu a despreze ou ela me despreze, da minha inconstância no envolvimento com qualquer projeto a longo prazo, da minha aversão pelo trabalho, da maneira empolada e protocolar de falar, que me faz tão chato e tão único.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;        Acho que com vinte e um anos de convivência já me conheço bem o suficiente. O resto não me é dado saber. Não me lembro de quando me tornei tão pessimista em relação a mim mesmo. Acho que foi na infância, algum tipo de reação ao otimismo com o qual encaravam meu futuro. Nunca quis tanta responsabilidade como cumprir tamanhas expectativas, aliás, sempre quis ser um pouco mais irresponsável. E menos consciente de minhas limitações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Agora, com vinte e um anos, essa carga de responsabilidade me conclama a superar os meus defeitos, justamente esses defeitos que constituem boa parte do que gosto em mim mesmo (vá lá que seja desse jeito doentio de desgostar gostando). Imagino o que seria de mim sem os meus vícios. Seria terrivelmente insuportável. Quais são meus objetivos imediatos, dado que, no fundo, aspiro a uma das vidas imperfeitas que me são possíveis. Qual delas farei chamar minha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Outra coisa interessante é que diante desse quadro me vejo atraído por mulheres que compartilham dessas imperfeições, que são imperfeitas do mesmo modo que eu, quiçá dissolutas como eu... E qualquer uma que se importe comigo já não está imperfeita o bastante, não terá vícios suficientes para que juntos os façamos conviver, os meus e os dela. Sinto falta do tempo em que podia aspirar uma mulher ideal, um emprego ideal, uma vida ideal. Havia um propósito específico na minha existência de então. Agora tudo não passa de um impulso cego. Maldita a hora em que eu, ao invés de sonhar, escolhi viver. Sou um vivente imperfeito, não tenho coragem de explorar todas as conseqüências possíveis de minhas escolhas e atos e fico aqui escrevendo sobre a vida. Entre a luz e as sombras preferi a fresca penumbra. Viver assim requer muita habilidade, e requer toda a minha energia aceitar todos os paradoxos que minhas escolhas implicam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        O pior de tudo é que a vinte e um anos fico executando esse exercício inútil de choradeira, escrevo de minha própria estupidez, à procura de alguma redenção que nunca chegue.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-110920576105991629?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/110920576105991629/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=110920576105991629' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110920576105991629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110920576105991629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2005/02/feliz-aniversrio.html' title='Feliz Aniversário'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-110848748887456137</id><published>2005-02-15T15:08:00.000-02:00</published><updated>2005-02-15T15:11:28.876-02:00</updated><title type='text'>Amores Perdidos</title><content type='html'>O amor é um jogo repleto de possibilidades, especialmente possibilidades perdidas. Olhar para trás e relembrar as frágeis construções do “que poderia ter sido” é uma disciplina profundamente reveladora do caráter. Aqueles em paz consigo mesmos são capazes de enxergar nas possibilidades perdidas um gentil sussurro de algo que não teria razão de ser, como um raio tímido de sol numa madrugada fria. Aqueles presos ao presente são incapazes de olhar para trás e compreender sequer que fizeram escolhas, deixaram possibilidades para trás, as quais moldaram suas vidas talvez mais do que as escolhas que fizeram. Aqueles presos ao passado ficam acordados à noite, imaginando mil decisões que os teriam feito felizes. Aqueles imersos em solidão contemplam o passado e o futuro indiferentemente, com uma resignação sombria diante de ambos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a única coisa mais cortante do que o amor que sentimos seja o amor que perdemos. Quando o amor acontece, nosso senso de proporção é satisfeito: o homem é para a mulher e ela para ele. Quando se perde o amor, aquele pesar conformado que nos aflige, o suspiro profundo, a tristeza que nos abate, a dor que chora conosco, deixam tudo mais bonito. A beleza desse instante único em que percebemos a oportunidade perdida, o átimo de tempo em que em que o amor nos foge das mãos, é o que há de mais sublime e belo no tempo do coração. No fim, o que nos resta é o consolo de que onde morre o amor, nasce a beleza. Os corações sacrificados, os amores perdidos, as lágrimas contadas: a eles brindamos e bebemos ao chegar a noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-110848748887456137?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/110848748887456137/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=110848748887456137' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110848748887456137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110848748887456137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2005/02/amores-perdidos.html' title='Amores Perdidos'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-110840191803006405</id><published>2005-02-14T15:23:00.000-02:00</published><updated>2005-02-14T15:25:18.030-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>The angel of death watches over me.&lt;br /&gt;She has a face, and a name,&lt;br /&gt;and a voice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The angel of death is a dancer,&lt;br /&gt;and a graceful one.&lt;br /&gt;So I follow her steps&lt;br /&gt;as she calls.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I hear my name&lt;br /&gt;and I feel no more,&lt;br /&gt;and I see no more,&lt;br /&gt;and I am no more.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I sacrifice my last, desperate breath&lt;br /&gt;to call your name,&lt;br /&gt;but you are away, in other arms&lt;br /&gt;I love no more.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-110840191803006405?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/110840191803006405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=110840191803006405' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110840191803006405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110840191803006405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2005/02/angel-of-death-watches-over-me.html' title=''/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-110840082177101271</id><published>2005-02-14T14:58:00.000-02:00</published><updated>2005-02-14T15:07:01.773-02:00</updated><title type='text'>Meu peito era tristeza...</title><content type='html'>Meu peito era tristeza vaga,&lt;br /&gt;dor indefinível,&lt;br /&gt;solidão vadia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por te conhecer, meu bem&lt;br /&gt;meu mal ganhou um nome,&lt;br /&gt;um par de olhos claros,&lt;br /&gt;um sorriso cálido,&lt;br /&gt;um corpo de mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você queima e não mata,&lt;br /&gt;fere mas não sangro;&lt;br /&gt;me dá de beber, no corpo,&lt;br /&gt;o fel que todo dia espero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por você me derramo,&lt;br /&gt;em libação calada&lt;br /&gt;de amor indigno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-110840082177101271?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/110840082177101271/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=110840082177101271' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110840082177101271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110840082177101271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2005/02/meu-peito-era-tristeza.html' title='Meu peito era tristeza...'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-110628398006997669</id><published>2005-01-21T02:59:00.000-02:00</published><updated>2005-01-21T03:06:20.070-02:00</updated><title type='text'>Amigos, non poss'eu negar</title><content type='html'>Depois desta bobagem toda me senti mal e resolvi recorrer a palavras alheias que caem como uma luva para meus momentos mais românticos. Eu posso me servir do testemunho de diversas pessoas próximas que dirão o quanto sou passível de uma sujeição semelhante a este eu lírico cujas palavras faço minhas, e pelas mesmas razões em boa parte das vezes. Vai entender...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amigos, non poss'eu negar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amigos, non poss' eu negar   &lt;br /&gt;a gran coita que d'amor ei,   &lt;br /&gt;ca me vejo sandeu andar,   &lt;br /&gt;e con sandeçe o direi:   &lt;br /&gt;os olhos verdes que eu vi   &lt;br /&gt;me fazen or' andar assi.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pero quemquer s'entenderá   &lt;br /&gt;aquestes olhos quaes son,   &lt;br /&gt;e dest' alguen se queixaráhe    &lt;br /&gt;mais eu ja quer moira, quer no   &lt;br /&gt;os olhos verdes que eu vi   &lt;br /&gt;me fazen or' andar assi.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-110628398006997669?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/110628398006997669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=110628398006997669' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110628398006997669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110628398006997669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2005/01/amigos-non-posseu-negar.html' title='Amigos, non poss&apos;eu negar'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-110628351621505159</id><published>2005-01-21T02:51:00.000-02:00</published><updated>2005-02-15T15:16:43.593-02:00</updated><title type='text'>Megalomania</title><content type='html'>Quando eu crescer eu quero ser um gênio incompreendido. Imagine só poder alçar minha voz contra a sabedoria mundana e revelar a todos os imbecis aquilo que todos num futuro póstumo saberão ser, obviamente a verdade absoluta.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;        Quero provar que todas as teorias que contradigam os meus sábios aforismos são falsidades sacrílegas e disparatadas. Minhas palavras serão buscadas e há de se inventar ainda um método científico mas impreciso para a hermenêutica de minhas geniais idéias.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;        Milhares de crianças ao redor do mundo irão aprender a repetir minhas mais famosas pérolas de sabedoria, afinal serão minhas idéias a moldar as mentes do próximo século como jamais antes idéias foram capazes de influenciar jovens mentes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;        Evidente que poucos me darão crédito. Pelo contrário, me chamarão de megalômano, de louco, de idiota, mas eu terei minha vingança, pois não se pode querer cobrir a luz da verdade com a peneira da inveja e da baixa mentira.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;        Aqueles que pensarem que se livrarão facilmente da abrangência de minha genialidade serão os primeiros a se dobrar ante a minha suprema capacidade intelectual e o poder transformador de minhas idéias. Estes se arrependerão de ter alçado suas rasteiras vozes contra mim um dia e vão perceber que foram libertados das amarras do obscurantismo pelas minhas palavras geniais.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;        Assim concluo esse prognóstico otimista do futuro próximo conclamando a todos que o lerem para que se curvem desde já à minha evidente superioridade em relação ao bolo amorfo da humanidade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;        Sou humilde a ponto de reconhecer que alguns poderão até vir a compreender hoje o que digo, mas só os verdadeiros escolhidos serão capazes de tamanho feito.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;        P.S. Estou bêbado, então desculpem se a piada foi sem graça. Achei um exercício fascinante de cretinice. Obrigado e boa noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-110628351621505159?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/110628351621505159/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=110628351621505159' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110628351621505159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110628351621505159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2005/01/megalomania.html' title='Megalomania'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-110544619899348173</id><published>2005-01-11T10:17:00.000-02:00</published><updated>2005-01-11T10:23:18.993-02:00</updated><title type='text'>O primeiro encontro</title><content type='html'>	O primeiro encontro é aquele que tudo define. No primeiro encontro reside todo o futuro possível de um relacionamento que poderia ter um grande impacto no mundo, uma vez que você e a mulher a ser encontrada podem se dar bem, marcar mais encontros, iniciar um relacionamento, fazer apresentações aos pais, morar juntos, casar, ter um filho que crescerá para se tornar um grande gênio da medicina e descobrir a cura para o câncer. Ou você pode simplesmente meter os pés pelas mãos e teremos que conviver com este ou qualquer outro flagelo da humanidade por outros tantos anos. Tudo é uma questão de possibilidades, e estas são infinitas, mas na pior das hipóteses o futuro depende desse momento e você tem uma grande chance de acabar com ele.&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;	Ao contrário do que normalmente acontece em algumas culturas, aqui nesta nação tupiniquim a partir da qual vos falo, o primeiro encontro é um momento completamente independente do que popularmente se convencionou chamar de a primeira “ficada”. Ficar com alguém, ou melhor dizendo, beijar e acariciar (mais ou menos livremente dependendo da pessoa e da situação) alguém sem compromisso algum, por mera obra das circunstâncias, é algo relativamente fácil. Você conhece a história: festa na quinta feira à noite, você vai de carona e por isso acha mais educado tomar um banho antes, coloca uma roupa que melhor esconda seus defeitos antes que todos estejam muito cegos ou muito bêbados para se importar, ouve a buzina na porta e vai para mais uma noite de álcool e rejeição por parte de alguém que, em condições normais, jamais mereceria sequer um olhar seu (e que no decorrer da noite ficou substancialmente mais bonita).De repente, sem ter se dado conta, você se encontra ao lado de uma total desconhecida que parece estar, segundo opinião dos expertos mais conceituados, conectada à sua boca de maneira indisfarçável, enquanto você, que também é filho de Deus, explora o quanto pode da anatomia da estranha em questão com a sua mão livre (existe um mão que invariavelmente fica presa nessas ocasiões).  Ora, a primeira ficada tem grande probabilidade de ser, diante das circunstâncias, aquilo que chamo de, para fins de trazer a idéia à tona com toda a clareza que sua realidade merece, uma cagada monumental.&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;	Muito bem, dispostas as peças desse modo, logo fica evidente que existe uma grande chance de que, dado que você tenha conseguido chegar incólume em sua casa apesar da bebedeira, tenha pegado o telefone da mulher com quem ficou e se recorde vagamente de quem ela era, acabe sofrendo uma grande decepção (à qual alguns intitulam também ressaca moral). Logo, a antecipação se acumula, como no princípio do terceiro movimento do primeiro Concerto para piano de Tchaikovsky (em mi bemol, se não me falha a memória), sem que no entanto se saiba se o finale será tão espetacular como no concerto. Pode ser que ao invés de aplausos, ao fim do encontro, venham as vaias.&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;	Duas formas básicas de decepção podem ocorrer. Você pode ficar despontado com ela ou ela ficar despontada com você. Ou ambos podem ficar desapontado, não há terceiro excluído. Diante de tudo isso que pode dar errado, diante do horror de se ver num encontro com uma mulher esteticamente prejudicada, você pega o telefone e marca a data e o local. A atitude de desafiar o destino quando todas as probabilidades estão contra você lhe dá a estatura de um herói grego de tragédia. O ar grave que está por trás da conversa aparentemente leve e despreocupada denota a tensão que permanece pairando sobre as cabeças envolvidas durante toda a duração do encontro. Esse é um dado com o qual se deve contar no cálculo do risco envolvido na difícil atividade de procurar relacionamentos de que tipo forem, a tensão está sempre lá.&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;	Chegado o momento de chegar ao encontro em si, cercado, provavelmente por todas as circunstâncias já descritas, fica difícil saber como cumprimentar. Selinho? Beijinho no rosto? Aperto de mão? Seria bobagem imaginar que os detalhes são irrelevantes. Numa situação com tanta pressão acumulada, qualquer rachadura, qualquer vazamento, qualquer falha de engenharia no encontro pode ser fatal. E quem sabe se detalhes para os quais você jamais atentaria não podem ocasionar as mais variadas más impressões: se seus sapatos combinam com as meias, se você passou em cima das tulipas do jardim ao estacionar o carro, se você tem um chaveirinho de coelhinho, brinde de aniversário da revista Playboy, pendendo para fora do bolso e outras coisas do gênero. As mulheres são expertas em reparar nas bobagens mais inacreditavelmente desprovidas de importância (para você).&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;	Esse pequeno demonstrativo não é nada comparado com o que vem depois. Analise suas conversas mais recentes com os amigos, com as mulheres, com as pessoas à sua volta. Você realmente confia na própria boca? Quer dizer, quantas gafes você já deu, quantos palavrões inomináveis, quantas piadas machistas, comentários ofensivos, infrações contra o politicamente correto, enfim, quanta porcaria já brotou, num glorioso ato involuntário de diarréia verbal, da sua boca? Por que é que isso não vai acontecer justamente no momento em que você precisa estar mais apresentável e mostrar seu melhor lado, a saber, no primeiro encontro?&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;	O que me proponho a fazer aqui não é desestimular ninguém, senão advertir que, como em tudo na vida, muita coisa pode dar errado no primeiro encontro. Isso é muito útil para quem se encontra em vias de empreender tamanho feito, uma vez que acaba em grande parte com a expectativa de que algo possa efetivamente dar certo, de modo que se pode desfrutar o encontro sem risco de ser pego desprevenido pelo fracasso. Se isso não é um serviço de utilidade pública eu não sei o que é. Então aproveite ao máximo seu encontro, afinal as chances são de que existam muitos outros primeiros ainda por vir em sua carreira de Casanova às avessas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-110544619899348173?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/110544619899348173/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=110544619899348173' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110544619899348173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110544619899348173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2005/01/o-primeiro-encontro.html' title='O primeiro encontro'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-110488933229616861</id><published>2005-01-04T23:35:00.000-02:00</published><updated>2005-01-04T23:42:12.296-02:00</updated><title type='text'>Sim, eu sou fã de Star Wars...</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.gaijindesign.com/lawriemalen/jedi" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://www.gaijindesign.com/lawriemalen/jedi/jedimaster.jpg" width="285" height="123" border="0"&gt;&lt;br&gt;:: how jedi are you? ::&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-110488933229616861?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/110488933229616861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=110488933229616861' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110488933229616861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110488933229616861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2005/01/sim-eu-sou-f-de-star-wars.html' title='Sim, eu sou fã de Star Wars...'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-110484932610560009</id><published>2005-01-04T13:26:00.000-02:00</published><updated>2005-01-04T12:35:26.106-02:00</updated><title type='text'>Verão 2004/2005...</title><content type='html'>	Estive na praia por uma semana com uma gente muito agradável e divertida. Voltei bronzeado e um bocado contente. Talvez não tenha sido tudo rosas, mas esta é a impressão geral. Ao invés de ficar tentando rememorar o que aconteceu e escrever um breve diário de viagem, achei por bem publicar algumas notas que tomei em diversos momentos daquela semana, conforme me dava vontade e tinha a pena à mão. Essas poucas notas são um testemunho muito mais honesto e preciso de minhas impressões do que qualquer narrativa a posteriori jamais poderia ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;Música das Ondas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Ainda que não seja a primeira vez que faço notas da praia, é a primeira vez que tenho a audácia, tendo em vista a probabilidade de receber críticas diversas, de escrever na praia. O barulho das ondas embala o ritmo da pena, a escrita sai vagarosa e rítmica.&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;        Nada mais natural. As ondas também respeitam esse ritmo determinado por algum mistério que não ousaria sondar, elas o imprimem, por sua vez, ao caminhar sinuoso e macio das mulheres que passam. Tudo que vejo na praia parece compor um sistema harmônico cujo propósito principal é deleitar os meus sentidos.&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;        Seria lugar comum dizer que o litoral brasileiro transpira sensualidade. Evitaria essa repetição se pudesse, mas não consigo evitar o comentário diante da topografia feminina que se desvela diante dos meus olhos.&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;        Sabe-se lá por que motivo me ponho a prosear dessa maneira. Não arrisco palpite mais ousado do que o de que fui inspirado por toda a romântica atmosfera que me cerca, aliada à alegria do sol que achou enfim por bem fazer uma visita. Em momentos assim poderia facilmente me deixar encantar pela música do vento e me perder no mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cambury, 30.12.04&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É dolorosa a contradição de desprezar aquilo que desejamos. É uma necessidade que temos para aplacar a condição grave e avassaladora de ser que deseja, e que o faz desmesuradamente.&lt;br /&gt;	Por pior que possa ser, tudo isso desaparece ante à sensação de vazio, solidão e egoísmo de ver o desejo realizado. É por isso que só os santos são felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cambury, 30.12.04&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Soneto sombrio&lt;br /&gt;        &lt;br /&gt;        Os vis fantasmas das memórias mortas&lt;br /&gt;	nada fazem senão triste figura&lt;br /&gt;	por ter rompido os laços de ternura&lt;br /&gt;	com os vivos, fecharam-lhes as portas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	E as trilhas escuras, sendas tortas&lt;br /&gt;	desprovidas de amor ou de candura&lt;br /&gt;	são percorridas pela luz escura&lt;br /&gt;	destas memórias sôfregas e rotas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Sua existência efêmera e negada&lt;br /&gt;	pelo implacável mal do esquecimento&lt;br /&gt;	a sua morte nunca anunciada&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;        sem aflição, sem dor, sem sofrimento&lt;br /&gt;        são a extensão do quanto lhes invejo&lt;br /&gt;        melhores que esta dor que sinto e vejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Boiçucanga, 29.12.04&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observações impertinentes: Carol e Eduardo, obrigado pela leitura dos originais, vocês foram muito gentis. Agradecimento ainda a Carol e Cecília por me inspirarem a escrever o primeiro texto, meramente por estarem lá. O caput tem a mesma data do post.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-110484932610560009?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/110484932610560009/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=110484932610560009' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110484932610560009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110484932610560009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2005/01/vero-20042005.html' title='Verão 2004/2005...'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-110403828610274157</id><published>2004-12-26T01:37:00.000-02:00</published><updated>2004-12-26T03:18:06.103-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Qualquer sentimento é válido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não podemos deixar de sentir o que sentimos isso quer dizer que necessariamente temos ali algo legítimo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho, a pesar da tentação que é dar um palpite de leigo sobre algo que não conheço, a pretensão de tratar de qualquer aspecto psicológico, da coisa toda das emoções. Minha formação mal me habilita a ser estagiário de Direito, quanto mais psicólogo. O problema é de natreza bem mais simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sentimento ou um estado de ânimo deve se reportar a uma causa, creio eu. Se podemos dizer que o sentimento é inevitável, que dizer de suas causas? Quando somos compelidos a sentir, será que podemos evitar as situações que nos levem a tal disposição?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na maioria das vezes somos levados a evitar o desconforto de modo quase que instintivo, então porque devemos, em relação a esse particular aspecto da vida, o sentimental, nos entregarmos à tirania de algo que, nascido dentro de nós, nos foge ao controle? Deveríamos ser mais cuidadosos? Seria algo autêntico, por outro lado, considerar um sentimento banhado em cuidado e precaução?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não espero conseguir resposta para esse dilema. Desde que o mundo é mundo pessoas muito melhores do que eu tentaram alcançar respostas para esse problema sem sucesso. O mais interessante é ter chegado a fazer a pergunta, sem o que seria mais uma vítima dos desígnios da minha vontade cega, surda e burra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo em frente após o aparte (pessimista como de costume), submeter o que sinto ao que penso é uma postura difícil, primeiro porque exige que eu pense, depois porque exige que sinta menos. Isso se torna especialmente difícil quando a mente que tenta estas operações é tão fértil a ponto de imaginar situações traumáticas e reagir internamente como se estivesse a vivê-las de forma intensa. Pensar e sentir não são opostos irreconciliáveis, simplesmente são aspectos do mesmo homem, mas suas exigências quanto à capacidade humana são tão grnades que é certamente improvável que deixem de obscurecer-se mutuamente quando tentamos executar ambos os atos simultânea e intensamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando penso, quando realizo o ato de conhecer ou o ato de refletir, estou colocando em segundo plano o ato de sentir. Se posso por esse modo controlar desse modo o que sinto e até quando é algo que não saberia responder. Todavia, o interessante seria perguntar por que se dar ao trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidente que somente um sentimento está de fato a ser tratado aqui, o amor. Se não disse antes foi para quen não fosse de pronto sofrer as conseqüências de se falar sobre o amor, todas aquelas pré concepções. Creio que a essa altura seja seguro dar nome aos bois. Amor entendido aqui como amor romântico em suas formas e falsificações como a paixão e o ciúme. Essas são partes importantes do quebra cabeça que é o relacionamento entre um homem e uma mulher (não sou politicamente correto e nem cara de pau suficiente para fingir que entendo ou considero qualquer outro relacionamento amoroso fora deste esquema), afinal são grande parte do que ocupa o tempo dos casais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acho que lia T.H. White quando me deparei com alguma coisa que Merlin falava para o jovem Wart a respeito do ato de conhecer. Algo como a importância de conhecer por ser algo que você sempre pode fazer, que jamais lhe será tirado e que lhe ajudará a passar pelos problemas, pela dor, de modo a evitar o sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu costumava achar que era preciso sofrer. Hoje não posso dizer isso. O sofrimento ensina ao homem o quanto é importante a alegria, porém mais grandioso é desfrutá-la sem jamais tê-la perdido. A angústia é insistir no vício de sofrer de livre e espontânea vontade. Amar pode ser sofrer, mas hoje gostaria de ampliar o rol de possibilidades que o amor traz em si para acrescentar que também existe um prazer e uma plenitude. É sentir-se completo, ainda que não dure.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que perguntem, não estou amando. Tenho medo e não pretendo tomar uma atitude brava ainda, mas é bom saber que a opção existe. Quando houver dor, nada vai restar a fazer senão chorar, quando houver alegria devo rir. Quando me sentir sombrio serei temível, quando estiver triste serei calado. Para tudo haverá tempo, espero poder me livrar do fatalismo de pensar que estou fadado a morrer só e em agonia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É válido sentir amor? Sim, sempre que for sincero. Acho que no fim das contas, pensar sobre o amor é mais fácil. Mas aí amar fica mais difícil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-110403828610274157?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/110403828610274157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=110403828610274157' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110403828610274157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110403828610274157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2004/12/qualquer-sentimento-vlido-se-no.html' title=''/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-110317295349595508</id><published>2004-12-16T02:49:00.000-02:00</published><updated>2004-12-16T02:55:53.496-02:00</updated><title type='text'>Machado</title><content type='html'>Dado que acabo de publicar algo um pouco estúpido na forma, embora sincero e sentido no conteúdo, tentarei me redimir com uns poucos versos de Antonio Machado, que via a descobrir de maneira improvável lendo Kissinger, e pelo qual vim a me interessar por conta de um artigo de Olavo de Carvalho. Engraçado, até então, de poesia em espanhol eu só havia lido um pouco de Camões...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"En el corazón tenía&lt;br /&gt;la espina de una pasión;&lt;br /&gt;logré arrancármela un día:&lt;br /&gt;ya no siento el corazón."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antonio Machado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidente que o trecho não vai aqui à toa. Para mim está cheio de sentido, mas como não faço diário aqui, esse é o máximo que vou dizer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-110317295349595508?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/110317295349595508/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=110317295349595508' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110317295349595508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110317295349595508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2004/12/machado.html' title='Machado'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-110317238454621303</id><published>2004-12-16T02:28:00.000-02:00</published><updated>2004-12-16T02:46:24.546-02:00</updated><title type='text'>Mambo Jambo</title><content type='html'>	O tempo presente, grávido de uma clareza científica de credibilidade questionável, regido por leis de eficiência e progresso (e ao que parece muito longe de se ver livre das aspirações positivistas do longo século dezenove), flerta também com o místico e o esotérico de forma bastante aberta. Todavia, filtra-se essa experiência sobrenatural por meio de um utilitarismo na busca pelas artes a que se recorre para saber o futuro, autoconhecer-se, encontrar paz interior, canalizar o guia espiritual, o que seja. Tudo se dá em prol de um hedonismo contemporâneo, de um difuso e praticamente indefinível “viver bem” que é resultado de nossa aparente falta de valores e limites e tão mutável quanto a moda.&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;	Todo aparato-esotérico, misterioso, tornou-se objeto de apreciação mercadológica, o que coloca tais práticas bem longe do que se propuseram a ser quando surgiram. Isso para não comentar do que se criou recentemente: emaranhados confusos de aforismos difusos de filosofias diversas e religiões distintas (quando não conflitantes). E há também muito dinheiro nisso tudo. As pessoas que trataram de investigar antigos mistérios e esoterismos a sério parecem ser uma minoria silenciosa diante das máquinas de fazer dinheiro que se constroem calcadas pura e simplesmente num palavrório vazio e na estreiteza de visão do seu público consumidor.&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;	“Eu acredito num poder maior, uma coisa assim indefinível, muito grande, que está em tudo, misteriosa...” São mais e mais pessoas falando algo do gênero e se tratando através de luzes coloridas, fazendo dietas estranhas, falando palavras inventadas que seriam alguma pérola de sabedoria perdida e por aí vai. Aparentemente a falta de valores não extinguiu a necessidade de um anestésico mental que substituísse a absolvição da igreja, sem as necessárias etapas da culpa e do arrependimento. Afinal as novas teorias místicas, filosóficas (num sentido bem chulo do termo) ou religiosas são perfeitamente adaptáveis a qualquer tipo de orientação pessoal de conduta, basta que a pessoa escolha o que melhor lhe serve.&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;	Não me parece que seja algo incompreensível que algumas pessoas entrem em cultos ou seitas para perder seus próprios nomes, na verdade a psicologia explica, mas numa análise mais geral, basta olhar para a maneira como as pessoas são crédulas em relação a um sem número de coisas, desde duendes até os atuais paradigmas científicos. Quais são os critérios de aceitabilidade de idéias por parte da grande maioria das pessoas além da influência da propaganda e dos preconceitos herdados e adquiridos? Mas o problema é justamente saber como fazer para não se deixar influir, mesmo que seja um pouco, por essas manifestações cabais de cretinice em seus mais variados graus. Esse problema tem solução simples de ser nomeada e difícil de ser implementada: seria necessário fazer com que pensassem, coisa que a maioria se recusa a fazer.&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;	O racionalismo nos legou um mundo desligado de Deus, mas não acabou com a necessidade humana de Deus. No vácuo deixado pela religião (e falo aqui da religião ocidental, judaico-cristã, por tratar de um fenômeno ocidental) em fuga dos ataques da ideologia laicizante que parece reinar entre a maior parte da “intelectualidade” inspirada por Marx, Nietszche, Schopenhauer ou sabe-se lá quem, foram se elaborando tantas bobagens mais ou menos salutares, mais ou menos perigosas, que é tarefa, se não impossível, dificílima enumera-las.&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;	Tudo isso me faz pensar se não deveria ter um daqueles selos no carro dizendo “Eu atropelo Duendes!” Seria pouco sensato falar de modo tão genérico se eu não tivesse uma posição formada a respeito do assunto, o fato é que tenho: uma postura religiosa fundada em um critério de tradição, o que é melhor do que podem os meus alvos neste texto dizer, apoiado por algumas incipientes pitadas da pouca filosofia que pude amealhar em tão pouco tempo de leitura (e de vida), mas que seguramente relegam à religião um lugar digno de sua importância na integralidade do que é a vida humana.&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;        Assim sendo, fico obviamente indignado ao ver o que se tem seguido nos dias de hoje (observando do alto dessa tradição religioso-filosófica ocidental que me é tão cara por sua característica tão mais humana e ao mesmo tempo mais divina) sem no entanto poder fazer muito a respeito. Se não consigo convencer alguém a ler um livro decente, a aprender a articular melhor o raciocínio, a conversar sobre alguma coisa problemática não prática, certamente não vou convencer a pessoa a entrar de cabeça num debate religioso minimamente sério a ponto de fazer clara a óbvia justeza de meu ponto de vista. Volto a colocar como motivo o problema endêmico da preguiça mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Não sou nenhum idiota para deixar de notar o ranço de arrogância na forma como me expresso aqui, mas há de se convir que, de tempos em tempos, nos sentimos aborrecidos com o estado das coisas em um ou outro campo da vida humana e, por tanto, suficientemente autorizados, não a prescrever comportamentos, mas a criticar certas posturas que me parecem sintomas de nossa decadência enquanto sociedade. Como já disse uma vez um filósofo, não me lembro o nome, numa conversa informal faz alguns anos, “É preciso catequizar esse povo...” Ele não deixa de ter razão, pensando na idéia geral que repousa por trás da frase.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-110317238454621303?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/110317238454621303/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=110317238454621303' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110317238454621303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110317238454621303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2004/12/mambo-jambo.html' title='Mambo Jambo'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-110273931721951110</id><published>2004-12-11T02:25:00.000-02:00</published><updated>2004-12-11T02:28:37.220-02:00</updated><title type='text'>Poesia e Prosa.</title><content type='html'>A melhor prosa é aquela que se pretende poesia. Ela flui da pena como que por milagre, sem o menor receio de não ser clara, embora seja, de não ser útil, embora seja, de não ser nada, enquanto trata de tudo que nos concerne enquanto humanos, pois como ela temos necessidade de poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa prosa canta o amor como quem ama, sem floreios inúteis mas com a pretensão de se fazer bela para receber o amor. A prosa que ama não é nunca só por ter quem leia suas linhas em adoração extática e, sem poder agüentar dentro de si tanto sentimento, suspira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prosa que quer ser poesia é como o homem que senta em seu banco ao cair da tarde, acende um cigarro, olha para o mar e, ao ver a mulher que bem sabe que vai amar para o resto de sua vida, deseja ser o mar para abraçá-la. Esse suspiro entre a calma e o desejo é fundamental. É o exato momento em que a poesia nasce. Mas assim como o homem não é mar, logo a poesia percebe que será meramente prosa, com essa doce memória do que poderia ter sido. Enquanto o homem será a partir dali a sombra do que poderia ter sido se tivesse de fato amado a mulher logo após o suspiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prosa que se pretende poesia, pretende ter sido poesia, mas não pretende mudar. O desejo de algo que não se foi, a única escolha que não se fez, é o que acomete a melhor prosa. Do mesmo modo acomete o homem, que sabe de sua natureza tola, delicada diante do mundo quando, na verdade, queria ser dele senhor. E o homem, como a prosa que faz, sente o desejo de poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A beleza e o poder são as coisas mais impressionantes que podemos perceber. Não há quem não os sinta. Por essa razão a poesia nos é tão cara. Ela sintetiza o que nos toca, bela e fugaz, poderosa ao mesmo tempo que frágil, cálida e álgida conforme nossos próprios corações e mentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Proseio porque a poesia que possuo não tem palavras para se expressar. E eu, pobre de mim, não posso emprestar-lhe as minhas. O meu desejo de poesia é uma constante necessidade metafísica do belo. Como ela me escapa, busco ter, de beleza em minha vida, uma mulher. Como ela me escapa, sinto então novamente um desejo de poesia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu mesmo permaneço prosa. Uma longa crônica de meus feitos pífios, das pegadas que deixo na areia do tempo. Sou como o homem que acende um cigarro, senta no banco e olha o tempo escorrer por entre os dedos, e a vida escorrer por entre os dedos, sem nem tentar fechar a mão. A vida passa, e por fim suprimos o desejo. Temos em nossa morte uma primeira e última poesia triste.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-110273931721951110?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/110273931721951110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=110273931721951110' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110273931721951110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110273931721951110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2004/12/poesia-e-prosa.html' title='Poesia e Prosa.'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-110259979984955586</id><published>2004-12-09T10:58:00.000-02:00</published><updated>2004-12-09T11:43:19.850-02:00</updated><title type='text'>Uma Semana</title><content type='html'>Mal posso crer que já faz uma semana. Estou sem escrever desde semana passada, neste mesmo dia chuvoso e cinzento, se bem me recordo. Isso simplesmente poderia fornecer a alguém elementos para refutar minha tese sobre porque escrevo, que está publicada um pouco antes, mas não se trata disso. Eu tenho passado muito tempo estudando para provas e escrevendo um trabalho de Filosofia do Direito que será oportunamente publicado num outro blog que por enquanto permanecerá somente para testes já que o que vai para lá vai sem revisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todo modo, a pesar de não ter dito mais nada sobre nada durante uma semana voltei, como um marido infiel retorna ao lar depois de uma noite insone jogando cartas e convivendo com prostitutas da pior espécie. Que fique claro que esta analogia não se trata de uma confissão, jamais convivi com prostitutas da pior espécie, ao menos não profissionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais interessante é que esse volteio verbal acaba servindo, como muitas vezes antes já aconteceu, para encobrir minha total falta de assunto. O fato é que estou relativamente feliz e um pouco ocupado e nada interessante me ocorre, ou ao menos nada tão interessante me ocorre nesses momentos quanto quando estou me sentindo um miserável. Mas ainda vou aprender a escrever sobre coisas mais leves como algodão doce e papel de seda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Se bem que há quem consiga aliar as coisas. Belle and Sebastian, por exemplo faz sempre aquelas músicas bonitinhas mas boa parte delas tem um não-sei-o-que de depressivo. Não é grande surpresa então que eu tenha quase todos os CD's da banda).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não posso reclamar das mulheres, dos livros, do novo sucesso do Latino ou do preço do dólar do que diabos eu posso falar? Dos dias de glória? Só tenho vinte e um anos, sobre Cowboy bebop, o melhor deseno animado já produzido? Aí pareceria que tenho doze anos (oque não passa tão longe de uma verdade mais profunda...). Deveria eu então elaborar um comentário sobvre mais uma obra prima do Jazz? Isso envolve um tempo que não me disponho a gastar agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem certas coisas que não entendo. Uma delas é a fantástica capacidade dos homens de encontrarem sempre algum motivo para reclamar. Eu estou aqui sentado faz uma meia hora reclamando (com maior ou menor intensidade, o que não me compete julgar, mas reclamando) da absoluta falta do que reclamar. O que é que me deixa tão inquieto no exato momento em que tudo está sob controle e nada de terrível aconteceu. Quero dizer aqui que nem ao menos era minha intenção chegar a uma conclusão como essa mas acho que Schopenhauer sabeia do que estava falando sobre a vontade jamais se satisfazer. Eu preciso de combustível para reclamar neste espaço sobre alguma coisa, caso contrário vou ter que começar a citar poesia alheia novamente (o que não seria mal se eu estivesse lendo poesia ultimamente e achasse algo para citar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem, não estou com a menor intenção de sair desse vazio de problemas que é tão confortável e quentinho, mas o diabo é que eu até que estava me divertindo enquanto esta infeliz. Ainda bem que com essas festividades de Ano Novo chegando eu vou poder voltar a me sentir mal por ainda estar solteiro e arranjar motivo para beber e desancar as mulheres que não me quiseram e também aquelas que quiseram mas não devriam ter querido (muito embora pareça crueldade é muito difícil rejeitar uma mulher, existem repercussões terríveis até para os mais valorosos de nós).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltarei a escrever quando estiver com um tema melhor em mente. Até então vou dar um jeito de arranjar um texto antigo de quando eu era mais triste. É o jeito. Mas não vejo problema algum em haver escrito isso aqui. Valeu o exercício.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-110259979984955586?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/110259979984955586/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=110259979984955586' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110259979984955586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110259979984955586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2004/12/uma-semana.html' title='Uma Semana'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-110204522691256330</id><published>2004-12-03T01:49:00.000-02:00</published><updated>2004-12-09T11:55:28.923-02:00</updated><title type='text'>Pessimismo, como se fosse alguma novidade...</title><content type='html'>Estou aqui em uma nova noite insone refletindo sobre a vacuidade dos meus últimos dias. Nada parece me satizfazer. Quando consigo o que quero, subtamente o que queria se desfaz, perde seu valor. Houve um tempo em que nutri a ilusão de que satisfazer algumas aspirações modestas bastaria, mas a coisa está ficando apertada. Nada compensa quando no fim das contas você está sozinho à noite escutando nada além dos próprios pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus pensamentos, como se já não fosse claro, tem uma disposição diversa da minha costumeira fachada de alegria constante. O senso de realização pueril que tanto me animava já não está surtindo o efeito de antes. Minha irresponsabilidade, minha vontade de aproveitar esses dias de garoto novo, nada disso satisfaz. Como não sou dado a vícios acabo sempre nessa situação de não saber mais o que querer, o que procurar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu consolo é que de vez em quando ainda posso rever os amigos. Eles dão um senso de que não estou só no mundo. Menos pelo apoio formal que dão e mais pelo fato de que parecem mais ou menos perdidos do que eu. Fora os loucos, esses não estão perdidos, estão simplesmente além de qualquer possibilidade de análise, excluídos de qulaquer observação racional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cães ladram e a caravana passa... Eu queria lembrar quem foi que escreveu isso. Parece que não há nada mais pertinente para definir o que sinto agora. O mundo segue o curso que sempre seguiu e eu estou aqui procurando sentido onde não há. Nada faz menos sentido do que aquilo que é grande demais pra compreender. Como o mundo. Minha cabeça não poderia estar mais sobrecarregada do que agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era mais fácil qunado eu passava os dias sonhando acordado. Eu sabia bem que queria o que não ia ter e pronto. Quanto mais as coisas se tornam possíveis, quano mais real o mundo, menos eu me encaixo nele. Me sinto um adolescente de novo. Talvez eu nunca tenha deixado de ser um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas missões, minhas determinações, hoje à noite parecem estar todas vencidas. Eu as derrotei agora antes que me frusrtasse. Nada tão triste ou tão irremediável, provávelmente vei melhorar pela manhã, mas sempre considero importante, quando estou feliz, lembrar de quando não estava. É algo que te dá uma perspectiva interessante sobre as coisas. Pouca gente pensa assim hoje, essa minha geração vive meramente em busca do prazer imediato. Na verdade eu também sou um pouco assim, mas a diferença é que percebo, nesses raros momentos de lucidez, o quanto tal existência é espúria. Eu me recuso a parar de pensar, me sinto culpado por me meter a fazer o que pura e simplesmente quero. Fui criado para fazer o que devo. É mais ou menos como a diferença entre viver e aproveitar a vida, são coisas diferentes, viver é mais penoso. Ainda não inventaram atividade tão autêntica, pessoal, única quanto viver. Por isso vivo, penso, e, por pior que possa parecer, ainda sonho. Quero poder olhar de longe para a multidão, sabendo que no fundo, ainda que por razões que só eu conheça, não fui um medíocre conviva que veio para a festa mas que, no meio da festividade, parei e me perguntei exatamente qual era a ocasião celebrada. Meu medo é que a festa acabe e a resposta não me ocorra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só para constar, a metáfora da vida como festa está batida, eu sei, mas não me ocorreu nada criativo, hoje não é dia de querer fazer nada brilhante. Diante do que sinto, seria um despropósito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. Após publicar o post descobri que a frase: Os cães ladram e a caravana passa" ou, como vim a ver na tradução para o inglês:"Dogs bark, but the caravan goes on", é um provérbio turco aparentemente antigo. O deserto é um lugar bonito, muito embora não haja nada lá. Como dizia o herói do filme, "It is clean", esse tanto basta. Essa coisa das caravanas sempre me lembra Lawrence da Arábia, romântico que sou, pensando em tempos mais evocativos do que a realidade, mesmo naquele tempo, jamais foi. Bem, era o que me cumpria acrescentar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-110204522691256330?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/110204522691256330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=110204522691256330' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110204522691256330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110204522691256330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2004/12/pessimismo-como-se-fosse-alguma.html' title='Pessimismo, como se fosse alguma novidade...'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-110126561076361189</id><published>2004-11-23T23:44:00.000-02:00</published><updated>2004-11-24T01:53:38.016-02:00</updated><title type='text'>Novidades dos 50's</title><content type='html'>Em termos de música existem três acontecimentos que foram essenciais em minha vida. Não fosse por eles eu certamente não seria o mesmo. Os três foram, em ordem cronológica, O Concierto de Aranjuez de Rodrigo, Kind of Blue de Miles Davis e finalmente a mais recente adição ao panteão: Time Out, do Dave Brubeck Quartet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine um garoto interiorano, caipira mesmo, com uma grande paixão por piano e objetivo muito claro na vida: crescer para virar vaqueiro. Dave iria cuidar da fazenda do pai e criar gado, até que um dia recebeu sua convocação para participar do esforço norte-americano de guerra contra o nazismo. Para a sorte dele, e para a minha, anos depois, a missão que recebeu foi participar de uma banda de jazz que iria entreter as tropas durante a campanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto bastante dessa história, não só por que conheço bem o que passa pela cabeça de um garoto caipira (como só um garoto caipira podera conhecer), como me agrada a leveza com que o pianista Dave Brubeck a conta, o sorriso no rosto, a mesma leveza com a qual ele interpreta suas músicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música de Brubeck soa extremamente moderna, para mim ao menos. Parece o tipo de música que as pessoas iriam ouvir no futuro, com seus ritmos sempre mudando e surpreendendo, com belas melodias, sem drama, sem dor, sem raiva... Ouço a música sentindo uma certa nostalgia de um tempo que não foi o meu. Mas parece perfeitamente natural para mim empreender essa viagem, afinal me sinto constantemente preso a esse tempo que não é o meu. A velocidade das mudanças, a falta de limites de cada geração que chega, a falta de... elegância, de ritmo (ou de swing, como queira), são males da era atual aos quais não vou nunca me acostumar. Isso e a comida de microondas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre ouço dos amigos que falo de modo um pouco anacrônico, como quem lê um discurso. Falo mais ou menos como escrevo, o que sempre parece estranho, especialmente em ocasiões que não pedem nada desse formalismo. Em qualquer ocasião acabo fazendo isso porque sempre me parece a maneira de tornar mais claro o sentido que pretendo transmitir. É justamente este atributo que transborda na música de Brubeck: clareza. Ela soa límpida, complexa e ainda sim agradável, inteligente, como deveriam ser todas as idéias, não só as musicais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Time Out é uma album pouco usual dentro do jazz de sua época, foi lançado em 1959, pelas escolhas de ritmo feitas pelo quarteto para suas músicas. Somos constantemente surpreendidos pela mudança de ritmo, porém nem de longe somos tomados por confusão ou desnorteamento (o que é muito comum na música contemporânea de cunho vanguardista), o ritmo cambiante parece perfeitamente natural quando executado por mãos tão hábeis. Bem antes das incompreensíveis revoluções do free jazz, enquanto Miles Davis ainda fazia seu delicioso cool interpretando baladas românticas, Dave Brubeck e seu quarteto mostravam algo novo, inusitado e surpreendentemente criaram ao mesmo tempo um album clássico e popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todas as formas de arte essa é uma combinação rara. A inspiração nem sempre obedece à percepção do que o público esteja pronto para ouvir. Tal confluência só adiciona mais sabor à mistura ritmica e melódica que faz desse um disco tão gostoso de ouvir e ao mesmo tempo tão desafiador enquanto ideal artístico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora algumas considerações de natureza diversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A importância de Time Out no plano pessoal se traduz no fato de que, como idéia, compreendi algo do album e tentei não só traduzir em palavras o que percebi, mas também assimilei muito do que escutei num nível mais... subcutâneo, por assim dizer.  O meu encontro com essa espécie de música me deixou mais afastado do pessimismo dramático normalmente reinante em minha cabeça. Esse distanciamento me faz sentir tão aliviado que mal posso descrever o quanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais interessante é que pude ver como uma idéia musical pode ser valiosa, não para fins terapêuticos ou para diversão pura e simples mas no campo intelectual. Esse tipo de percepção nem sempre me acompanhou, especialmente quando a música me falava muito prontamente de emoções que eu, por meu lado, já estava predisposto a abrigar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O último ponto que me falta percorrer nesse pequeno e irregular itinerário mental é certamente dizer que essas músicas que tanto me agradaram não tratam de amor, como Blue in Green ou Kathy's Song. E isso não me faz a menor falta. Sempre me considerei a cima de tudo um romântico e agora me descubro envolvido pelos prazeres de algo novo. Talvez seja por causa de Time Out que eu já não esteja mais clamando aos céus por algum novo insight sobre a mente feminina. Espero que dure um pouco antes que eu volte a ouvir aquelas canções tristes outra vez. Até lá é relaxar e aproveitar o passeio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. Eventualmente escrevo algo sobre Rodrigo também. Afinal ele é um dos mais emblemáticos representantes do que aconteceu de bom no século vinte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-110126561076361189?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/110126561076361189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=110126561076361189' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110126561076361189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110126561076361189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2004/11/novidades-dos-50s.html' title='Novidades dos 50&apos;s'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-110088445552898723</id><published>2004-11-19T15:07:00.000-02:00</published><updated>2004-11-19T15:14:15.530-02:00</updated><title type='text'>Porque escrevo</title><content type='html'>Nada realmente bom me ocorreu para falar durante algum tempo, por isso nada escrevi. É bem verdade que se não tiver nada para dizer, uma pessoa deveria mesmo ficar quieta. Muito embora não tenha sempre seguido essa máxima um pouco batida e gasta pelo uso, tenho plena convicção de que ela terá me valido algumas vezes no fim das contas. Mas antes de fazer a matemática da vida que mal comecei, tenho algo para falar sobre o que estou fazendo justamente agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou aqui de novo. E isso acontece por um motivo (tudo, aliás, acontece por um motivo, já dizia o filósofo, e eu não poderia escapar a esse princípio). O fato novo é um estranho senso de responsabilidade que me tomou de assalto nesses últimos dias. Não imaginei que pudesse acontecer, mas a atividade de escrever simplesmente deixou de ser uma questão de mera opção (embora não o faça sem um certo prazer parte das vezes). A necessidade de escrever não me aflige como um vício, do modo que já ouvi falar que acontece com muitos escritores. Creio que isso se deva à circunstância de que não sou escritor, não sofro angústias em relação ao ofício e nem gozo das prerrogativas da função. Preciso escrever porque sinto que, de alguma forma estou obrigado a colocar pensamentos no papel e ponto final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema de meu raciocínio é que obrigação, “ob ligatio”, ligado a, pressupõe que minha responsabilidade se dê em relação a alguém. A idéia é estar ligado a outra pessoa. Daí vem a pergunta: ligado a quem? Nunca fui buscar fora de mim razão para escrever, não creio que houvesse mesmo motivo além do fato de que era um bom exercício de higiene mental. Agora é uma responsabilidade. Saindo do âmbito do puramente pessoal para algo além do meu controle, que é externo a mim mas não está nos outros. Estou, no mínimo, confuso. E com razão. Continuo, no entanto tentando esclarecer-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando comecei, falava de responsabilidade e depois de obrigação, mas se não há outro sujeito na relação não poderia se tratar de nada disso. Sinto então que parece ser simplesmente natural estar escrevendo. Seria como se estivesse traindo a ordem das coisas caso me negasse a escrever. Todavia me parece pretensão demais imaginar que o que faço tem algo a ver com a ordem do universo. Tal atividade pode ter muito mais a ver com o mundo ordinário e desprovido de interesse que habitamos e ao qual nos acostumamos. É justamente à medida que nos acostumamos com o mundo que se torna mais necessário que uma pessoa escreva sobre ele. É importante que alguém faça recortes que destaquem os aspectos interessantes das coisas comuns, das vidas dos homens, do que se passa na cabeça deles, do que pode ser interessante no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também não é o que faço. Até agora só tenho feito falar do que acontece comigo. Já considero esse tanto bastante trabalho, mas não vejo como a minha opinião a meu próprio respeito possa servir a qualquer outra pessoa. Então o que explica minha estranha obrigação que não é obrigação, necessidade que não é necessidade, utilidade inútil, fundamento último do que escrevo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho esperança de encontrar resposta. Na dúvida sigo minha primeira diretriz: quando houver algo para dizer, digo. Caso contrário, vou sair a procurar assunto. Na falta de explicação é melhor continuar escrevendo e esperar que a resposta me pegue preparado para tomar nota e finalmente entender por que escrevo.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8824834-110088445552898723?l=folhasdispersas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/feeds/110088445552898723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8824834&amp;postID=110088445552898723' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110088445552898723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8824834/posts/default/110088445552898723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://folhasdispersas.blogspot.com/2004/11/porque-escrevo.html' title='Porque escrevo'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02595079788598915495</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_gDj37Z3ytxM/S18qYQsiZ3I/AAAAAAAAAkI/ePIZleKyAPc/S220/IMG_0312.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8824834.post-110031889474594400</id><published>2004-11-13T01:48:00.000-02:00</published><updated>2004-11-13T02:08:14.746-02:00</updated><title type='text'>Longe de casa..</title><content type='html'>Bem, o título auto explicativo do post evidencia o fato de que estou longe de minha base usual no misterioso interior paulista, terra de violeiros, rodeios, alta tecnologia e produção cultural efervescente. Me encontro na vizinha Paulínia, conhecida por sua notória indústria petroquímica e pela desconcertante política local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por aqui privo da companhia de amigos bastante queridos e estou sendo bem alimentado. Assim não vou escrever reclamando de nada. Meramente registro minha passagem por essas bandas de cá para preencher o tempo escasso com algo diverso do trabalho que deveria estar desenvolvendo. Esse antigo costume está com jeito de que vai perdurar por anos a fio, aliás. Nada tão grave. Meu futuro repousa sobre uma sólida fundação de sonhos e puro ar. Não, isso não me preocupa, meramente me anima a ser cada vez mais autenticamente eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou longe de casa. Não tão longe, mas qualquer distância é uma boa desculpa para falar de casa. Mas não me surpreenderia se um dia fosse embora de lá. Minha casa está onde estiver meu coração, e ele é mais inconstante do que eu gostaria que fosse. Sinto falta da minha velha vida, mas se não posso tê-la de volta nã
